A perseguição cristã condenada por algumas vozes

D.R.

O projeto europeu

1. O Papa Francisco aposta na construção de pontes de solidariedade, para derrubar «barreiras do ódio».

Num encontro, em 9 janeiro 2020, com os membros do corpo diplomático acreditados junto da Santa Sé, o Papa afirmou a importância de preservar o “projeto europeu” que permitiu a recuperação da paz, após a II Guerra Mundial.

“Esse projeto continua a ser uma garantia fundamental de desenvolvimento e uma oportunidade de paz, depois de turbulentos conflitos”, disse.

Francisco evocou o 30.º aniversário da queda do Muro de Berlim, expressão duma cultura da divisão”, que afasta as pessoas e abre caminho ao “extremismo e à violência”.

Às barreiras do ódio – na linguagem da internet e nos meios de comunicação social – prefere as pontes da reconciliação e da solidariedade”.

Francisco, mais uma vez, convidou a manter as intenções dos “pais fundadores da Europa moderna”, com valores de referência que promovem a coesão, num processo de reconhecimento dos “valores históricos e culturais da Europa e das raízes nas quais a mesma se fundamenta”.

A Santa Sé tem relações diplomáticas com mais de 180 nações.

Hungria e Polónia “Hungary Helps”

 2.“Temos 245 milhões de razões para estarmos aqui. Muitas pessoas são perseguidas diariamente devido a sua fé cristã”, disse o secretário do Estado húngaro para a ajuda aos cristãos perseguidos, Tristán Azbej, em 26 de novembro, na abertura da Conferência Internacional sobre Cristãos Perseguidos (CICP), em Budapeste (Hungria), de 26 a 28 de novembro 2019.

Azbej é o promotor de Hungary Helps, uma iniciativa do governo para proporcionar ajuda internacional especificamente às comunidades cristãs perseguidas no Oriente Médio, algo que distingue a Hungria da maioria dos governos europeus.

Patriarcas, cardeais, políticos e cristãos – vários líderes cristãos sírios, iraquianos e libaneses – reuniram-se em Budapeste (Hungria), nesta reunião da CIPC. Em número de 650 de 40 países.

“A Hungria e a Polónia estavam certos quando disseram em alta voz: “os cristãos estão sendo perseguidos”, na primeira CIPC, em 2017

Foram temas abordados: a situação após a derrota territorial do Estado Islâmico (ISIS), as ONGs em ajuda aos cristãos perseguidos, a perseguição seletiva contra os cristãos que continua a ameaçar a Síria.

Donald Trump, Presidente dos USA, enviou uma mensagem que foi lida por seu assistente Joe Grogan, em que lembra: “os governos húngaro e norte-americano acordaram angariar fundos para ajudar na reconstrução de Qaraqosh, a maior cidade do Iraque com uma maioria cristã, que esteve sob o controle do Estado Islâmico, até que o grupo jihadista foi expulso”.

“Os húngaros acreditam que os valores cristãos conduzem à paz e à felicidade e é por isso que nossa Constituição assinala que a proteção do cristianismo é uma obrigação do Estado húngaro”. O povo húngaro também sofreu uma perseguição cristã quando esteve sob a ocupação soviética. 

Portugal: condenação e pesar

3. O Parlamento português votou por unanimidade – no dia 10 janeiro 2020 – uma proposta apresentada pela bancada do CDS/PP de “condenação e pesar” pelo assassinato de “mais de mil cristãos” na Nigéria, no ano passado. Os deputados centristas citam relatório da organização inglesa ‘Humanitarian Aid Relief Trust’, “em 2019, na Nigéria, foram assassinados mais de 1.000 cristãos pelo Boko Haram e radicais Fulani”. No texto, ainda referem: “em 2018 foram mortos, pelo menos, 2.400 cristãos e desde 2015, terão sido assassinados mais de 6.000 cristãos e cerca de 12.000 deslocados das suas aldeias e do seu país”.

Votado no dia 10, dois dias após o sequestro de quatro seminaristas no estado de Borno, norte do país, e 13 dias depois do bárbaro do dia 26 de Dezembro, é possível ver (no vídeo) dez homens a serem decapitados enquanto um décimo primeiro refém era assassinado a tiro.

É neste contexto particularmente agressivo para com a comunidade cristã na Nigéria que o grupo parlamentar do CDS/PP apresentou este voto de condenação e pesar pela morte, no ano passado, de “mais de mil cristãos”.

No texto aprovado pelos deputados de todas as forças representadas na Assembleia da República, afirma-se que “estes assassinatos e estas perseguições são, exclusivamente, praticados por motivos religiosos, num claro ataque à liberdade religiosa de quem quer praticar o culto cristão num país maioritariamente muçulmano”.

Já outras vezes os deputados portugueses tinham manifestado a sua “condenação, e pesar pela perseguição, intolerância e violência contra os cristãos no mundo. E tinham convidado a Fundação Ajuda à Igreja que Sofre (AIS) a expor sobre o tema. 

O que constatamos é que não há o eco suficiente nos meios de comunicação social, mas a Europa vai “acordando” para esta realidade que associa também as minorias étnicas em vários países.