Perseguição: «o ocidente vira para o outro lado e dorme»

D.R.

Papa recorda cristãos perseguidos 

1. O Natal tem sido, nos últimos anos, um dia crítico em termos de ataques a cristãos. O Papa recordou os cristãos perseguidos, no dia em que a Igreja assinala o dia de Santo Estêvão.

“A festa do primeiro mártir leva-nos a recordar todos os mártires de ontem e de hoje – e são tantos! – a sentirmo-nos em comunhão com eles e a pedir-lhes a graça de viver e morrer com o nome de Jesus no coração e nos lábios.

As festas natalícias têm sido, nos últimos anos, uma época de grande tensão em países em que os cristãos são uma minoria. Em 2011, por exemplo, dezenas de pessoas morreram num ataque à bomba a uma igreja católica no dia de Natal, matando 37 pessoas, no que foi apenas um de vários ataques a igrejas nesse dia.

Em vários estados, do mundo árabe ao sudeste asiático, passando por África, os cristãos vivem as grandes festas num clima de medo. 

Ocidente silencia perseguição  

2. “Até que ponto terá que chegar essa guerra contra os cristãos para que o Ocidente a considere “genocídio” e tome as devidas providências preventivas? pergunta o jornalista Giulio Meotti, diretor do diário ‘il Foglio’, no passado dia 8 deste mês de Janeiro.

Neste Natal 2029 foram assassinados 11 cristãos nigerianos – 1 a tiro e 10 decapitados. «O Papa Francisco repreendeu a sociedade ocidental: “Desliguem os celulares, conversem durante as refeições”, salientou o papa. E sobre a dantesca execução dos cristãos? Homenageou os migrantes que perderam a vida no Mar Mediterrâneo. E os cristãos assassinados por extremistas islâmicos?”. Naturalmente o fará, comentamos nós.

O cardeal Robert Sarah, um dos pouquíssimos líderes da Igreja Católica que mencionou o caráter islâmico desse massacre, escreveu “na Nigéria, o assassinato de 11 cristãos por islamitas malucos é um lembrete de quantos de meus irmãos em Cristo africanos vivem a fé arriscando a própria vida”.

«A chanceler alemã Angela Merkel assinalou que a sua prioridade é combater as mudanças climáticas. Não disse nada em relação aos cristãos perseguidos.

«Onde estavam os governos ocidentais quando milhares de jovens muçulmanos entraram na Síria e no Iraque para caçar e assassinar cristãos e destruir igrejas e comunidades? O Ocidente não fez nada.»

Nas regiões da Síria ocupadas pelos islamistas, os cristãos passaram apenas um “Natal especial”,  sem sinos nem luzes e com muitas de suas igrejas transformadas em estábulos.

Khabour, região da Síria onde os cristãos assírios viviam, agora é chamada de “vale da morte”. 

Os líderes da Europa erraram ao não condenarem a bárbara execução de cristãos no Natal: a correção política está corroendo por dentro a sociedade ocidental.

O Ocidente dorme

3. O vídeo dos brutais assassinatos dos 11 cristãos foi divulgado em 26 de dezembro. A Nigéria está passando por uma guerra islâmica de extermínio de cristãos. Até agora 900 igrejas   foram destruídas pelo Boko Haram. O Presidente dos Estados Unidos, Donald J. Trump, foi informado de que pelo menos 16 mil cristãos foram assassinados no país desde 2015. Só na diocese católica de Maiduguri, contam-se 5 mil.

Nenhum governo ocidental teve tempo para expressar horror e indignação diante da decapitação dos cristãos. “Onde está a aversão moral a esta tragédia? perguntos o bispo nigeriano Matthew Kukah após o massacre do Natal. 

Os líderes europeus devem seguir o exemplo do primeiro-ministro britânico Boris Johnson que, em sua primeira mensagem de Natal à nação ressaltou: “Hoje, exatamente neste dia, quero que lembremos os cristãos ao redor do mundo que estão diante da perseguição. Para eles o Dia de Natal será comemorado às escondidas, em segredo, talvez até numa cela”. 

 No início de dezembro, outro bispo africano, Justin Kientega de Burkina Faso salientou: “ninguém nos dá ouvidos….” É assim: o ocidente vira para o outro lado e dorme

“Na Europa e nos Estados Unidos testemunhamos manifestações de protesto pelas trágicas mortes de palestinos usados como escudos humanos pelo Hamas, organização terrorista que controla a Faixa de Gaza. As Nações Unidas realizaram investigações e concentram sua fúria contra Israel por este se defender daquela mesma organização terrorista. 

Mas o massacre bárbaro de milhares e milhares de cristãos é tratado com relativa indiferença”. 

A hegemonia islâmica

4. A cristianofobia dos extremistas muçulmanos que massacram cristãos no Médio Oriente e na África está no cerne de uma ideologia totalitária cujo objeto é unir os muçulmanos da ummah (nação muçulmana) num califado. 

“Na Nigéria estamos diante de um genocídio. Eles estão tentando expulsar os cristãos, apossar-se de suas terras e impor sua religião aos assim chamados infiéis e pagãos, que segundo eles são os cristãos”.

“O ocidente abriu suas fronteiras sem hesitar para os refugiados de países muçulmanos que fogem da guerra”, escreveu a economista Nathalie Elgrably-Lévy. “Essa solidariedade ocidental aparentemente virtuosa é, no entanto, seletiva e discriminatória”. Os cristãos perseguidos foram abandonados pelos governos ocidentais e pelo cenário público. (Adaptado de artigo de Giulio Meotti, jornalista e escritos, editor do diário ’Il Foglio’).