Bênção das capas dos finalistas do Conservatório: “Deixem que Deus faça em vocês uma obra de arte”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal deixou este sábado, dia 11 de janeiro, três pedidos aos finalistas do Conservatório – Escola Profissional das Artes da Madeira. Foi durante a Eucaristia da Bênção das capas dos 35 jovens, realizada na Igreja do Colégio, com D. Nuno a pedir em primeiro lugar que “na vossa vida de artistas, tudo quanto sair das vossas mãos, tudo quanto sair daquilo que vocês são como artistas, que isso seja qualquer coisa que convide os outros a dar sentido à sua vida e a perceber que a sua vida pode ir mais longe”. 

O segundo pedido foi para que “admirem Jesus Cristo como obra de arte” de Deus, e o terceiro foi para que deixassem que Deus “faça em vocês uma obra de arte maravilhosa”. Para isso, acrescentou, “aceitem viver com Deus e aceitem que Deus viva convosco”.

Depois de lembrar que “o cristianismo e a arte sempre se conjugaram bem”, o prelado sublinhou ser bom que, também “os alunos do conservatório, queiram celebrar o final do seu curso aqui, com Deus, agradecendo tudo aquilo que foi o percurso de todos estes anos e pedindo ajuda para aquilo que será o percurso que aí vem”.

Depois de referir que existem muitas teorias do que é arte, cingiu-se apenas a duas “grandes perspetivas”. A primeira dessas perspetivas fala da arte enquanto “expressão daquilo que nós sentimos, que nós somos, daquilo que achamos e daquilo que pensamos”.  Uma perspetiva que considerou, ainda assim, que “é muito pouco” para definir o que é arte. Na verdade, explicou, prefere um outro conceito. “Aquele que diz que a arte é tudo aquilo que usa a realidade do mundo para expressar o sentido da própria realidade e para nos convidar a ir mais longe, a nos interrogar acerca do mundo em que vivemos e do porquê de estarmos aqui e que nos convidam a ir  mais longe”.

É por causa disto, voltou a afirmar, que “cristianismo e arte sempre se deram bem”, porque, de facto “Jesus Cristo é a grande obra de arte de Deus, do Pai”.  Aquilo que à partida seria uma coisa “inconciliável”, o Deus feito carne, na verdade acaba por ser possível e visível aos nossos olhos. 

«Este é o meu Filho muito amado, no qual pus toda a minha complacência». Assim se dizia no final do Evangelho e é “algo muito semelhante a isto que dizem os artistas quando acabam uma obra seja na pintura, na música, na dança”. E é também este, lembrou o prelado, “o sentimento que hoje, aqui, os vossos pais têm ao olhar para vós: que bom que é ter este filho/a; uma obra prima”.

“O convite que Deus faz não apenas a vocês, mas a todos nós, é precisamente que deixemos que Ele nos molde, que Ele faça de nós a sua obra de arte, de forma a que Ele, a que o Pai, olhando para nós diga exatamente aquilo que disse a Jesus Cristo: Este é o meu Filho muito amado, nele pus todo o meu enlevo, nele pus tudo quanto sabia. Uma obra de arte”. Para os cristãos, lembrou esta perfeição chama-se “santidade” e só se atinge quando a “humanidade é boa e atinge um alto grau de excelência”.

A terminar a sua homilia, o bispo diocesano convidou os jovens e demais assembleia a , num minuto de silêncio, pedir ao Senhor que “tudo aquilo quanto fizermos seja uma obra de arte e seja capaz de ajudar os outros a ir mais longe” e a “que nós próprios sejamos esta obra de arte que Deus quer fazer connosco”.

Dos 35 finalistas dos Cursos Profissionais do Conservatório que marcaram presença nesta celebração, 10 são do Curso Profissional de Instrumentista, 4 do Curso Profissional de Instrumentista Jazz, 7 do Curso Profissional de Intérprete de Dança Contemporânea e 14 do Curso Profissional de Artes do Espetáculo – Interpretação.

No final da Eucaristia, concelebrada pelo reitor do Colégio dos Jesuítas e vigário geral, cónego José Fiel de Sousa e pelo Pe. Carlos Almada, os alunos receberam uma pequena lembrança: um Menino Jesus numa concha, com local próprio para colocarem a data do respetivo batismo, oferta da Igreja do Colégio.