Epifania: estrelas que chamam e conduzem a Jesus

Adoração dos Magos

Um só povo, uma só família

1. Epifania é a manifestação do Senhor como Deus e Rei universal. Ele é a Luz que ilumina e atrai todos os povos mergulhados na escuridão, veio para toda a criatura. A missão da Igreja é testemunhar a boa nova de Jesus. É reconstruir a unidade da família humana.

Deus fez uma aliança com Israel, seu povo. Em Jesus, Deus restabelece o plano primitivo de unidade e de amor para com toda a humanidade. Já não há ‘judeu e gentio’.

 Assim disse Isaías: “Jerusalém, … o Senhor te ilumina… todos vêm ao teu encontro… vão chegar de longe… invadir-te-á uma multidão de camelos… Virão todos os de Sabá …” O Profeta acentua a universalidade da salvação: todos.

Contemplemos a disponibilidade dos Magos à Luz da chamada para um primeiro encontro com Jesus. “Vimos a sua estrela e viemos adorá-lO… a estrela parou, em Belém, sobre o lugar onde estava o Menino… viram-n’O com Maria, sua Mãe, e prostrados, adoraram-n’O e ofereceram seus presentes.

Nossa atitude cristã é de “estarmos a caminho”: atentos à chamada, animados pela força do Espírito, com um coração limpo, praticando boas obras, ajudando os irmãos, respeitando a pessoa humana e a natureza,… e prostrados, adoremos o Senhor e ofereçamos… a nossa vida…

Jesus veio para todos

2. Quando se aproxima a festa da Epifania, colocam-se no Presépio as três figuras dos Reis Magos. Tendo observado a estrela, aqueles senhores do Oriente puseram-se a caminho rumo a Belém para conhecer Jesus e oferecer-Lhe de presente ouro, incenso e mirra: cujo significado alegórico é a realeza de Jesus, a sua divindade e a sua humanidade. 

Ao fixarmos esta cena no Presépio, somos chamados a refletir sobre a responsabilidade que cada cristão tem de testemunhar a alegria de ter conhecido Jesus e o seu amor.

Os Magos ensinam que se pode partir de muito longe para chegar a Jesus. São homens ricos, sábios, estrangeiros, sedentos de infinito, que saem para uma viagem longa e perigosa e que os leva até Belém (Mt 2, 1-12). À vista do Menino, não se deixam escandalizar pela pobreza do ambiente; não hesitam em pôr-se de joelhos e adorá-Lo. Diante d’Ele compreendem que Deus guia o curso da história, derrubando os poderosos e exaltando os humildes. E quando regressaram ao seu país, falaram deste encontro surpreendente com o Messias. (Admirabile Signum, 9)

Deus Se fez Menino para nos dizer quão próximo está de cada ser humano, em qualquer condição.

Seguir as estrelas verdadeiras

3. Na celebração no dia da Epifania, em Ponta Delgada, D. Nuno Brás alertou os fiéis para a necessidade de “seguir as verdadeiras estrelas”, e não as estrelas criadas pelo homem.

“Hoje falamos muito de estrelas: do futebol, da televisão, do cinema, e toda a gente quer ser como eles”, frisou o bispo, dizendo logo que “estas estrelas não nos conduzem a Jesus”.

E questionou: “quais serão as que nos podem conduzir a Jesus”?  Lembremos “o que é que nos fez ser cristãos”: “o nosso pai e a nossa mãe, que todos os dias rezavam o terço e nos fizeram encontrar Jesus”, um/a “catequista que nos levou à Primeira Comunhão”, “a minha mulher, porque até casarmos eu não ia muito à igreja, mas ela conseguiu modificar-me”. Todas estas pessoas foram estrelas na nossa vida.

Mas há mais: “O sino que nos faz ir à igreja, é uma estrela, leva-nos até Jesus”, uma palavra de alguém que nos dá bons conselhos, conduz-nos a Jesus. Há um firmamento de estrelas que nos conduz a Jesus”.

Os Magos, recordou D. Nuno, “foram capazes de ver a estrela que conduz a Jesus”. E viram-na porque “andavam atentos”, e nós às vezes andamos tão distraídos, que as estrelas estão aí e nós não lhes damos atenção”.

A Epifania, disse, convida-nos a estar atentos a tudo aquilo que nos pode fazer estar mais próximos de Deus, porque Ele vem ao nosso encontro”. Vem “nos irmãos, na Eucaristia, na Sagrada Escritura, na natureza”.

Frisou: “cada um de nós deve ser uma estrela ajudando os outros a irem ao encontro de Jesus”, e pediu para pormos à “disposição d’Ele tudo aquilo que temos e somos, para que muitos outros O possam encontrar”.