Cardeal D. António Marto reforça aposta no acompanhamento de católicos divorciados

Diocese de Leiria-Fátima apresentou Centro de Apoio à Família

Foto: Agência ECCLESIA

Francisco propõe na sua exortação apostólica sobre a família, publicada em 2016 após duas assembleias do Sínodo dos Bispos (2014 e 2015), um caminho de “discernimento” para os católicos divorciados que se voltaram a casar civilmente, sublinhando que não existe uma solução única para estas situações.

O cardeal D. António Marto, bispo de Leiria-Fátima, adiantou hoje aos jornalistas que, na diocese, há três casos que foram acompanhados e terminaram este percurso, existindo outros três que ainda o estão a fazer.

“No final, os que terminaram o seu percurso vieram conversar comigo, dizer como é que foi a sua experiência, entregar o documento, dizer que tinham chegado à conclusão de receber os Sacramentos”, indicou o responsável católico.

O cardeal português sublinhou que “há fatores condicionantes que atenuam ou agravam” aquilo que os membros do casal “fizeram na rutura matrimonial”, elencando, entre esses fatores, “a ignorância, inadvertência, violência, medo”.

“Embora objetivamente, seja uma situação irregular, do ponto de vista da vivência subjetiva, vivem, podem viver na graça de Deus, na santidade. Isso é positivo”, indicou, a respeito dos católicos que vivem em segunda união.

O CAF foi anunciado numa nota pastoral publicada por D. António Marto em 2018, indicando que o centro, ligado ao Departamento da Pastoral Familiar, quer ser “uma ajuda pastoral nas situações de fragilidade”, assumindo “as responsabilidades de auxiliar a pessoa ou o casal e o pastor acompanhante”, a partir do que é proposto na Exortação Apostólica ‘Amoris Laetitia’, do Papa Francisco, especialmente no capítulo VIII.

O bispo de Leiria-Fátima precisou hoje que as decisões são tomadas a partir da “consciência das pessoas”, cabendo ao orientador espiritual assegurar que todo o processo decorreu como está estabelecido.

A proposta passa por momentos de reflexão e oração, em que cada pessoa ou casal deve verificar interiormente o “seu progresso”.

“Ninguém se pode substituir à consciência das pessoas, não é o sacerdote acompanhante que toma a decisão, são a pessoa, se for uma, ou o casal”, observa D. António Marto.

A última etapa deste percurso seriam “os Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia”.

Para o cardeal, esta “nova visão” do Papa Francisco é inspirada na tradição dos Jesuítas, o chamado “discernimento”.

“As leis não conseguem abranger toda a vida de uma pessoa, muitas vezes, por isso é preciso recorrer a este discernimento, também”, explica.

O vice-presidente da Conferência Episcopal Portuguesa deixou votos de que as pessoas tomem conhecimento deste “caminho que a Igreja abriu para elas”.

Segundo a Diocese de Leiria-Fátima, foram designadas seis áreas de atuação do CAF, que “vão desde o apoio psicológico até ao acompanhamento espiritual, passando pelos apoios social, jurídico, médico e à parentalidade”.

LFS/OC

A Diocese de Leiria-Fátima propõe um guião de apoio, onde são definidos passos a dar em cinco etapas do percurso de discernimento:a) oração e exercícios espirituais, com vista à aquisição da liberdade interior;

b) memória e exame de consciência acerca do matrimónio sacramental e das suas consequências, com vista à aceitação, reconciliação interior e ‘cura’ das feridas;

c) avaliação da relação atual, bem como da consciência da presença de Deus e da vida espiritual dos dois envolvidos e da sua família;

d) discernimento da vontade de Deus para eles neste momento e da melhor maneira de a pôr em prática;

e) avaliação final do percurso e confirmação da decisão.