Portugal: pobreza, saúde e alterações climáticas

Foto: Lusa/ Eduardo Costa

Diálogo e desigualdades sociais

1. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, desejou na sua mensagem para este ano 2020 “um Governo forte, concretizador e dialogante”.  Também apelou a uma oposição igualmente forte e à “capacidade de entendimento entre os partidos”.

Olhando à escassez de recursos”, deve-se dar uma especial atenção a setores como a saúde, a segurança, a coesão e a inclusão, o conhecimento e o investimento, “convertendo a esperança em realidade.

Enumerou praticamente todas as áreas do serviço público, da justiça às forças armadas e forças de segurança, passando pela educação e a saúde, onde é necessário continuar a apostar.

O Presidente mostrou-se particularmente preocupado com as injustiças sociais, a pobreza e o risco de pobreza (que ainda afetam um em cada cinco portugueses, disse.

Marcelo Rebelo de Sousa na mensagem de Natal, em que falou das suas preocupações, acentua que 2019 foi marcado por desigualdades e instabilidades políticas e económicas.

“Além da permanência, no Mundo, de desigualdades, de miséria, de guerra, de instabilidade política, social e económica, a provocarem mais migrações e mais refugiados, menciona vários problemas atuais como o combate às alterações climáticas e a tensão política internacional.  Para Marcelo, este é um “Natal de preocupação”. 

No entanto, apesar de preocupado, cita a luta de um sem-número de organizações e de cidadãos pelos valores primeiros do personalismo e do humanismo, a começar pela dignidade da pessoa humana. “A esperança é mais forte do que a preocupação como é, aliás, próprio do Natal”. 

André Ventura, do CHEGA saudou Marcelo por ter tido a “coragem de emitir a mensagem a partir de uma das regiões mais esquecidas e abandonadas de Portugal”. Com efeito, a Região mais pobre do país (cerca de 35% de nível de pobreza) é a dos Açores.

Na ótica de Ventura, “as vítimas das cheias, do mau tempo ou dos incêndios, os profissionais de polícia ou de saúde agredidos, e os professores humilhados, todas estas classes foram esquecidas.

Desigualdades, saúde e planeta

2. Num artigo “Uma década decisiva”, publicado no primeiro dia de 2020, no Jornal de Notícias, o Primeiro Ministro António Costa enumera os “desafios estratégicos” do país até 2030, “ponto de não retorno para o planeta” – as “alterações climáticas, dinâmica demográfica, transição digital e desigualdades”

A “chave da competitividade” “depende da maior qualificação dos recursos humanos e da incorporação de novas tecnologias e processos de produção mais eficientes”.

Os outros desafios são também explicados por António Costa, nomeadamente a dinâmica demográfica, para que “se devolva às famílias a confiança de poderem ter os filhos que efetivamente desejam”.

Para o Primeiro-Ministro, a pobreza, a violência de género e as assimetrias regionais são as desigualdades mais visíveis. O combate às desigualdades existentes e a prevenção do surgimento de novas “tem também de ser um objetivo estratégico da década”, escreve. O combate às desigualdades exige a valorização do interior do país, com uma “estratégia articulada de projetos e medidas”.

A mensagem de Natal de António Costa foi centrada em torno do tema da Saúde. Reconheceu problemas no Serviço Nacional de Saúde (SNS), mas prometeu reforçar a capacidade de resposta do Governo.

“Sei bem que a saúde é atualmente uma das principais preocupações dos portugueses e que há vários problemas para resolver no SNS. Compreendo bem a ansiedade daqueles que ainda não têm médico de família, que aguardam numa urgência ou que esperam ser chamados para um exame, uma consulta ou uma cirurgia”, referiu Costa.

Defendeu que “o SNS – universal, geral e tendencialmente gratuito – constitui uma das maiores conquistas da democracia, permitindo, ao longo dos últimos 40 anos”. É isto o que pensa o Sr. Primeiro Ministro, claro. Mas acha mesmo que é verdade ou não será só retórica? Olhe que nem todos pensam assim!

Sem possibilidade de comprar medicamentos

3. As mensagens são demasiado generalistas e passam a lado de todos os problemas. Poderemos correr o risco de não resolver nenhum. Ambos bateram na urgência de resolver os problemas da saúde, segundo promessa especialmente do PM, no Natal. Compromisso que tem vindo a ser adiado e tem tantos problemas como a falta de recursos humanos, – médicos, enfermeiros e outros -, de equipamento, de médicos de família, de pagamentos atrasados, com contas em dia e interesse pela dignidade do doente. Saúde e educação mostram o nível de vida de um povo. A educação parece-me que está baixando de nível e de qualidade, e da saúde nem vale a pena falar. O povo sofre. 

Quantos aos problemas sociais, insistimos, com o Papa Francisco, dizendo que os bens são de todos, de toda a família humana. Enquanto houver tão grande discrepância entre vencimentos, não pode o povo ser feliz. «Uns a ganhar milhares/ões e outros alguns tostões!», diz-se. Salários a 635€ e reformas de 300 ou menos. Como se pode viver, Sr. Presidente da República e Sr. Primeiro Ministro? Repito: todos os portugueses têm direito a uma vida digna. E um em cada cinco vive em nível de pobreza. É demasiado. Muitos nem sequer têm possibilidade de comprar os medicamentos receitados pelo médico…

Quanto ao diálogo é um bom desejo mas… é preciso que seja querido pelos dois pratos da balança (Governo e oposição)… e concordarem que governar não é impor mas servir melhor…