Natal: a guerra mata a vida mas o amor derrota a guerra

Foto: Vatican Media

Fé e solidariedade

1. No domingo, dia 22, o Papa recebeu no auditório Paulo VI, as crianças assistidas pelo dispensário pediátrico “Santa Marta” no Vaticano, com familiares e voluntários.

Num clima de festa, com direito a bolo pelo 83.º aniversário de Francisco, celebrado na última semana, as crianças rodearam o pontífice e apresentaram cânticos e animações Natalícias.

O Papa agradeceu a todos os que prepararam o encontro, e destacou a importância de brincar com as crianças, antes de apresentar uma breve reflexão sobre as palavras que acompanhavam as caixas oferecidas por três reis magos: Esperança, Amor e Paz.

A guerra mata a vida, mata idosos, jovens, crianças, mata tudo. “Para derrotar a guerra, é necessário amor”, disse, pedindo aos mais novos que repetissem as palavras, “Esperança, Amor e Paz”.

“Que o Natal seja para todos uma ocasião de fraternidade, de crescimento na fé e de gestos de solidariedade para com os que estão em necessidade”, disse depois, na reflexão do angelus da janela do apartamento pontifício.

Centrou sua tradicional reflexão na figura de São José, falando  de um homem “pobre, que vive do essencial” e soube “fazer a vontade de Deus”. Um homem manso e sábio, que nos exorta a elevar o nosso olhar, e ver mais além, a descobrir novos horizontes. E a escutarmos Jesus que vem e que pede que o ouçamos nos nossos projetos e nas nossas escolhas”, declarou.

Amar não é tempo perdido 

2. “Frequentemente, as nossas vidas transcorrem alheias à gratidão. Hoje é o dia justo para nos aproximarmos do sacrário, do presépio, da manjedoura, e dizermos obrigado”, disse o Papa Francisco na homilia da Missa da Noite de Natal.

Na Basílica de São Pedro, repleta de fiéis, ressoaram as palavras do profeta Isaías: “Habitavam numa terra de sombras, mas uma luz brilhou sobre eles”.

Esta luz é “o amor divino, o amor que transforma a vida, renova a história, liberta do mal, infunde paz e alegria”. Esta luz é Jesus.

É completamente gratuita. Deus chega de graça. O seu amor ultrapassa qualquer possibilidade de negócio: nada fizemos para o merecer, e nunca poderemos retribuí-lo”, disse o Papa citando o Apóstolo Paulo.

Apesar dos nossos pecados, Ele continua a amar-nos. Jesus nasce pobre de tudo, para nos conquistar com a riqueza do seu amor.

Coragem, afirmou o Papa aos fiéis, “não perder a esperança, não pensar que amar seja tempo perdido”.

Deus é ternura

3. O Papa Francisco afirmou: “Jesus não mudou a História forçando alguém ou à força de palavras, mas com o dom da sua vida. “Não esperemos que o próximo se torne bom para lhe fazermos bem, que a Igreja seja perfeita para a amarmos, que os outros tenham consideração por nós para os servirmos. Comecemos nós», sublinhou.

Esta noite manifesta que Deus desceu à “pequenez” do humano e ama em plenitude.“O seu amor não é melindroso mas é fiel e paciente”, afirmou.

O amor venceu o medo, a luz venceu as trevas da arrogância humana, da humanidade. Diante desta graça de Deus, não nos resta senão acolher o recém-nascido. Não há desculpas: os problemas da vida, os erros da Igreja, o mal que existe no mundo. Acolher a graça é saber agradecer, prosseguiu o Pontífice. Acolher o dom é dar sentido à própria vida e podermos mudar o mundo e toda a realidade que nos circunda: “Acolhe este dom e brilhará em ti a luz do Natal”

Uma só coisa se nos impõe: acolher o dom”, “o Salvador”, e deixar envolver-se pela ternura d´Aquele Menino.