A mulher com a forma de Cristo

D.R.

Não sei — não sabemos — qual era o aspecto da Virgem Maria: se era alta ou baixa, gorda ou magra, de cabelos morenos ou loiros… As imagens que temos dela dizem sobretudo a sua beleza: a harmonia exterior e interior que os místicos cristãos contemplaram e que os artistas procuraram reproduzir. Mas podemos ter a certeza de uma coisa: a Virgem Maria é a mulher com a forma de Cristo.

Que, fisicamente, ela fosse parecida com o seu Filho, não espanta. E não, não estou enganado: mesmo fisicamente, é a Virgem que é parecida com o seu Filho, porque foi à imagem dele que tudo foi criado! 

Mas é muito mais que isso: tudo na Virgem Maria é parecido com Jesus. Porque ela é o seu discípulo perfeito, acabado: o discípulo que segue o Senhor pelos caminhos empoeirados da Galileia e da Judeia; o discípulo que se encontra de pé junto à cruz; o discípulo que recebeu a missão de cuidar dos outros discípulos para sempre, ao longo da história.

A Virgem Maria (claro que é Virgem, mesmo fisicamente, porque esse é o sinal de que Aquele que dela nasceu é verdadeiramente Deus, e ela é toda de Deus e para Deus!) tem a forma de Jesus Cristo. Ela é o discípulo que escutou a Palavra de Deus e a pôs em prática. É o discípulo cuja fé move montanhas (e como ela as tem movido, ao longo da história, pelo mundo inteiro — que o diga o povo da Madeira!). Maria é o discípulo que, sendo todo para Deus (aquela que escolheu a melhor parte) é também, de um modo total para os irmãos. É o discípulo que intercede e a quem Jesus sempre corresponde.

É tudo isso que o Anjo Gabriel reconhece quando trata a Virgem Maria por um nome novo, o nome da sua relação com Deus: a “Cheia de Graça”! É tudo isso que nós, cristãos, reconhecemos quando a tratamos por “Imaculada”: ela escutou a Palavra de Deus e nela a Palavra se fez carne, vida humana, e deu fruto abundante. Tão abundante!