Crise climática: a esperança ou a rendição, a traição à vida humana

D.R.

Dois caminhos: esperança ou rendição

1. «…  Temos as ferramentas, temos a ciência, temos os recursos», afirmou o Secretário-Geral da ONU,  António Guterres, na abertura do COP 25, que decorre em Madrid, de 2 a 13 de dezembro. «Ou escolhemos um caminho de esperança ou um caminho de rendição». 

O caminho da rendição não tem retorno, compromete a saúde e a segurança de todos.

Milhões em todo o mundo – especialmente jovens – estão pedindo aos líderes de todos os setores que façam mais, muito mais, perante a emergência climática que enfrentamos. Decisões importantes devem ser tomadas agora. A COP25 é a nossa oportunidade. Os níveis de gases de efeito estufa na atmosfera atingiram novo recorde. Os últimos cinco anos foram os mais quentes já registados.

As consequências já se fazem sentir na forma de eventos climáticos mais extremos e desastres associados, de furacões a secas, inundações e incêndios florestais.

As calotas de gelo estão derretendo. Somente na Groenlândia, 179 biliões de toneladas de gelo derreteram em julho. A Antártica está derretendo três vezes mais rápido que uma década atrás.

Os níveis dos oceanos estão subindo mais do que o esperado, colocando em risco muitas de nossas maiores e mais importantes cidades, que estão localizadas à beira-mar. Os oceanos estão sendo envenenados.

Em várias regiões do mundo, as fábricas a carvão continuam a ser construídas. Ou paramos ou todos os nossos esforços para combater as mudanças climáticas estarão condenados.

A outra opção é o caminho da esperança.

2. Não é tarefa de uma pessoa, uma indústria ou um governo sozinho. Exige uma ação rápida, ambiciosa e transformadora de todos – governos, regiões, cidades, empresas e sociedade civil – trabalhando juntos num objetivo comum.

Mas ainda estamos aguardando movimentos transformadores da maioria dos países do G20, que representam mais de três quartos das emissões globais.

A COP também avançará no trabalho relacionado à capacitação, desmatamento, povos indígenas, cidades, finanças, tecnologia, género e muito mais.

É imperativo concluir nosso trabalho e não temos tempo de sobra.

Devemos demonstrar que somos sérios em nosso compromisso de interromper a guerra contra a natureza e que temos vontade política de alcançar a neutralidade do carbono até 2050.

 Espero que todos os governos se comprometam agora a revisar durante o próximo ano – no caminho para a COP26 em Glasgow – suas contribuições determinadas nacionalmente com a ambição necessária para derrotar a emergência climática.

Para isso:

Vamos abrir nossos ouvidos às multidões que estão exigindo mudanças.

Vamos abrir os olhos para a ameaça iminente que todos enfrentamos.

Vamos abrir nossa mente à unanimidade da ciência.

Fazer algo menos será uma traição a toda a nossa família humana e a todas as gerações vindouras. (Resumo do discurso)

Mudanças climáticas

3. Governos de todo o mundo estão reunidos desde segunda-feira. À medida que a emergência climática se intensifica e as emissões de gases de efeito estufa continuam a crescer, as Nações Unidas pretendem decidir quais os próximos passos para combater esta ameaça.

É preciso alcançar as metas estabelecidas no Acordo de Paris. O chefe da ONU terá encontros com jovens ativistas e se reunirá com vários líderes mundiais.

Em nota antes da COP, a secretária-executiva da Convenção da ONU sobre Mudança Climática, Patrícia Espinosa, lembrou que no último ano foi possível “ver os impactos acelerados da mudança climática, com secas crescentes, tempestades e ondas de calor.”

Segundo ela, esses fenômenos tiveram “consequências terríveis para a erradicação da pobreza, saúde humana, migração e desigualdade.

Um dos principais objetivos do encontro é concluir vários aspectos importantes da operacionalização do Acordo de Paris.

Países em desenvolvimento

4. Outros assuntos: adaptação, perdas e danos, transparência, finanças, capacitação, questões indígenas, oceanos, florestas. Também será discutido o fornecimento de financiamento e tecnologia para países em desenvolvimento.

Sobre esse tema, Espinosa pediu aos Estados-membros que cumpram a promessa de atribuir US$ 100 bilhões anualmente aos países em desenvolvimento para que estes façam investimentos na área do clima.

Para isso ser possível, a ambição das medidas e cortes previstos nos planos nacionais precisa ser cinco vezes maior. Isso significa reduzir as emissões em 45% até 2030 e atingir a neutralidade de emissões até 2050.

Espinosa afirmou que este “é um desafio extremamente difícil, mas absolutamente necessário.”

A COP 25 acontece sob a presidência do governo do Chile, mas com o apoio logístico do governo espanhol. Em outubro, o Chile desistiu de receber o evento na sua capital devido à situação de instabilidade no país.