Japão: proteger toda a vida toda a criação

Encontro com as autoridades e corpo diplomático, Tóquio, 25.11.2019 | Foto: Vatican Media

Proteger a vida

1. O lema da minha visita é: “Proteger toda a vida”, reconhecendo a sua dignidade inviolável e a importância da solidariedade e apoio aos nossos irmãos e irmãs mais necessitados. Objetivo: “ Vim confirmar os católicos japoneses na fé, em seus esforços de caridade para com os necessitados e em seu serviço ao país, do qual se sentem cidadãos orgulhosos.

Na Missa celebrada em Tóquio disse: «nosso mundo, cheio de vida e beleza, seja para todos nós, antes de tudo, um dom maravilhoso do Criador”; … «O cuidado autêntico da nossa própria vida e das nossas relações com a natureza é inseparável da fraternidade, da justiça e da fidelidade aos outros» (Laudato si’, 70).

A Igreja exige de nós, como comunidade, sermos um ‘hospital de campanha’ preparado para curar feridas e oferecer um caminho de reconciliação. 

Sentir-se amado

2. O egoísmo que pretende a felicidade individual, apenas nos torna infelizes e escravos, para além de dificultar o desenvolvimento duma sociedade verdadeiramente harmoniosa e humana. Em Jesus de Nazaré encontramos uma vida nova, onde se experimenta a liberdade de nos sentirmos filhos amados.

“Esta liberdade filial pode ver-se sufocada e enfraquecida, quando concentramos toda a nossa atenção e as nossas melhores energias na busca obstinada e frenética de produtividade e consumismo levando o coração a palpitar pelas coisas supérfluas ou efémeras”.

Ficamos incapazes de entender o significado da vida e da própria existência. As pessoas sentem-se confusas e inquietas, pelas exigências e preocupações que lhes tiram a paz e o equilíbrio.

Identidade específica

3. O Ocidente tem lições a aprender com a Ásia, defendeu o Papa Francisco, num diálogo improvisado com os bispos nipónicos, pouco depois da sua chegada a Tóquio.

O Papa admirou a cultura japonesa que se orgulha do seu antigo e rico património em diversidade de culturas. O Japão conseguiu integrar o pensamento e as religiões da Ásia no seu conjunto e criar uma cultura com identidade específica”.

Adiantou que quer deixar uma mensagem contra “o desencorajamento dos jovens quando não conseguem aquilo que querem”, levando a “muitas depressões, suicídios”.

Disse que o uso e a posse de armas nucleares é algo “imoral” e um obstáculo para o desarmamento nuclear global. 

Cultura do diálogo

4. Pediu a Deus e a todas as pessoas para continuar a encorajar e favorecer todos os meios dissuasivos para que jamais aconteça uma destruição como a provocada pelas bombas atómicas em Hiroshima e Nagasaki. 

Defendeu uma cultura de encontro e de diálogo, como essencial para construir um mundo mais justo e fraterno. 

Ponderou: “ Nestes dias, pude admirar o precioso património cultural, que o Japão conseguiu desenvolver e preservar ao longo de muitos séculos de história, e os profundos valores religiosos e morais que caracterizam esta cultura antiga. Uma boa relação entre as várias religiões é essencial para o futuro da paz”.

A dignidade humana

5. Nenhum visitante do Japão pode deixar de admirar a beleza natural deste país, simbolizada, sobretudo, pela imagem das cerejeiras em flor. Mas a delicadeza desta flor lembra a fragilidade da nossa Casa comum, sujeita a desastres naturais, ganância, exploração e devastação pelas mãos do homem. 

Sobre a ‘ecologia’, afirmou: “ A dignidade humana deve ocupar o centro de toda a atividade social, económica e política; é preciso proteger os excluídos; penso, de modo particular, nos jovens, idosos e pessoas abandonadas, que sofrem pelo isolamento. 

E encorajou os esforços por uma ordem social, capaz de proteger a vida, a dignidade e os direitos da família humana.