Conferência na Calheta: D. Nuno diz que somos membros um dos outros porque “somos membros de Cristo”

D.R.

D. Nuno Brás foi o orador de uma conferência intitulada “Somos Membros Uns dos Outros!” que teve lugar esta sexta-feira, dia 29 de novembro, no auditório da Santa Casa Misericórdia da Calheta.

Uma oportunidade para o prelado explicar, recorrendo à Carta de São Paulo aos Romanos, capitulo 16, que “nós que fomos batizados em Cristo, fomos sepultados com Cristo na morte para com Cristo ressuscitarmos”. E quando assim acontece, “a tua vida é a vida de Cristo ressuscitado”.

Numa linguagem mais agrícola, prosseguiu, São Paulo diz que “nós fomos enxertados em Cristo”, isto é, “passamos a viver daquela outra planta”, a ser os Seus ramos. Passamos, escreve São Paulo, a ser os membros do corpo de Cristo e a ter que desempenhar uma função cada um, para que o todo funcione. 

É essa, de resto, a grande graça que recebemos do Batismo: tornamo-nos membros de Cristo. Mas “se somos membros de Cristo, somos membros uns dos outros”. Isso significa, disse D. Nuno, “uma coisa simples e complicada ao mesmo tempo”, ou seja, o problema do outro passa a ser meu. Deu o exemplo do pobre que encontramos na rua e que nos torna pobres também, mesmo que tenhamos muito dinheiro. Isso acontece, “porque aquele pobre faz parte do meu corpo” e eu sou responsável por ele. 

É por tudo isto, frisou, “que as obras de misericórdia espirituais, também são importantes”. É porque elas nos ajudam a não “ignorar a situação daquele que está ao meu lado”, mesmo que ele tenha fome e essa fome seja de alimento ou de sabedoria.

“Quando nos entreajudamos não estamos a fazer mais do que o nosso dever, do que a nossa obrigação” frisou o prelado, acrescentando que “é por isso que Jesus diz: Somos servos inúteis, porque fizemos somente o que devíamos fazer. (Lucas 17, 7-10)”. 

Mas voltando a São Paulo ele diz ainda outra coisa importante, nomeadamente sobre a forma que temos de exteriorizar aquilo que somos. Essa forma é o nosso corpo, e o modo como comunicamos, como nos vestimos. Grande parte das vezes, “o aspecto exterior de uma pessoa revela quem ela é, mas mais importante que isso, torna-a presente”. Logo, quando São Paulo diz que somos o corpo de Cristo, está a querer dizer que “vocês cristãos são a maneira de Cristo aparecer e estar no mundo”. Por isso, “quando eu cuido de um enfermo, de um doente, eu estou a cuidar de Cristo e ao mesmo tempo sou Cristo para ele também”. Este facto, acrescentou, muda tudo. “Muda o meu olhar, a minha maneira de estar, a minha maneira de ser”. É por isso que ao longo dos séculos “foram os cristãos quem abriu caminho para a ajuda, a assistência social, precisamente porque não podemos deixar de cuidar uns dos outros. E aquilo que começou por ser uma obra de misericórdia, uma obra de caridade, termina numa obra de justiça”, concluiu.