Tailândia: cristãos e budistas uma humanidade mais fraterna

Foto: Vatican Media

Viagem apostólica do Papa Francisco

1.Para a viagem do Papa Francisco à Tailândia e ao Japão, de 20 a 26 de novembro 2019, tinham sido anunciadas questões como o anúncio do Evangelho, o diálogo inter-religioso, a atenção à pessoa e ao cuidado da casa comum, a promoção da paz, a tutela da vida e do ambiente, e o desarmamento.  

No aeroporto de Banguecoque, o Papa foi recebido pelas autoridades políticas e religiosas, e 11 crianças representando as dioceses do território.

Desenvolvimento, diálogo e imigração. 

2.Palácio do Governo, o Papa Francisco foi recebido em privado pelo primeiro ministro, o general Prayuth Chan-ocha. Seguidamente encontrou-se com as autoridades, membros do corpo diplomático e demais membros da sociedade.

Após a saudação de Chan-ocha, o Papa agradeceu a oportunidade de visitar uma terra que é “detentora de tantas maravilhas naturais e sobretudo guardiã de antigas tradições espirituais e culturais”. No discurso abordou três temas importantes: desenvolvimento, diálogo e imigração.

Papa Francisco recordou contribuição da Tailândia em promover a cooperação politica, económica e cultural da região”. “Esta terra tem como nome «liberdade». Esta só é possível se formos capazes de nos sentir corresponsáveis uns pelos outros e superar toda e qualquer forma de desigualdade. 

2.1. A Tailândia, como nação multicultural e caraterizada pela diversidade, reconhece a importância de construir a harmonia e a convivência pacífica entre os seus numerosos grupos étnicos, mostrando respeito e apreço pelas diferentes culturas. 

A época atual está marcada pela globalização, em termos económico-financeiros esquece as notas essenciais que dizem respeito à beleza e à alma dos nossos povos.

O Papa parabenizou a iniciativa de criar a “Comissão Ético-Social”, que convidou religiões tradicionais do país, a fim de acolher as suas contribuições e manter viva a memória espiritual” do povo.

“Asseguro-vos que a pequena mas vivaz comunidade católica, está pronta a promover as caraterísticas tão peculiares dos tailandeses, evocadas no vosso Hino Nacional: pacíficos e carinhosos, mas não covardes.”

2.2.O Papa elogiou a Tailândia no acolhimento a migrantes. Francisco não esquece os dramas dos refugiados e migrantes. Esta tem sido uma preocupação desde a sua eleição em 2013. A Tailândia tem enfrentado a crise migratória devido à fuga trágica de refugiados dos países vizinhos. 

É preciso que cada nação desenvolva mecanismos eficazes para proteger a dignidade e os direitos dos migrantes e refugiados, que enfrentam perigos, incertezas e exploração na sua busca da liberdade e duma vida digna para as suas famílias.

Ressaltou sua preocupação principal com as mulheres e as crianças, “particularmente feridas, violentadas e expostas a todas as formas de exploração…“e estimulou a preocupação do Governo para extirpar este flagelo, bem como todas as pessoas e organizações que trabalham incansavelmente para erradicar este mal e proporcionar um caminho de dignidade”.

Na Tailândia vivem mais de 93 mil refugiados, em nove campos. A maioria é oriunda da Birmânia.

Minoria cristã ativa

3.No dia 21, o Papa Francisco visitou o hospital pediátrico católico de São Luís, em Banguecoque, com 120 anos, fundado em 1898. “É uma bênção contemplar pessoalmente este precioso serviço que a Igreja oferece ao povo tailandês, especialmente aos mais necessitados”, afirmou. Agradeceu a “dedicação” das religiosas responsáveis pelos vários hospitais católicos e centros de caridade na Tailândia: “Todos vós sois discípulos missionários quando, ao olhar um paciente, aprendeis a chamá-lo pelo nome”. 

Os cristãos são pouco mais de 1% da população tailandesa e apenas cerca de metade destes são católicos (cerca de 300 mil). Contudo, há séculos que a Igreja investe nas obras sociais, em hospitais e colégios que são muito procurados e respeitados pelos tailandeses, por respeitarem a dignidade humana. 

3.1. Em 21, o Papa Francisco fez uma visita privada ao Rei Maha Vajiralongkorn “Rama X”. O encontro aconteceu no Palácio Real Amphorn. Francisco foi recebido na sala das audiências, onde se reuniu com o rei e a rainha.

O edifício do Amphorn, cuja construção começou em 1890 por vontade do Rei Rama V, foi inaugurado em 1906. Desde 1972 o palácio é habitado pelo atual monarca. O rei da Tailândia, nascido em 1952, assumiu o trono em 2016 depois da morte do pai, Rama IX.

As religiões são faróis de esperança

4. Papa Francisco visitou o Patriarca Supremo dos budistas. O monge, nomeado em 2017, tem a tarefa de guiar o Conselho Supremo da comunidade, promover a religião e assegurar que todos observem os ensinamentos de Buda.

Depois da intervenção do Patriarca, o Papa Francisco tomou uso da palavra. Agradeceu as boas vindas do monge budista, e lembrou palavras de João Paulo II, ao afirmar: “Foi nas fontes do budismo que a maioria dos tailandeses aprendeu a venerar a vida e os seus idosos, a realizar um estilo de vida sóbrio baseado na contemplação, desapego, trabalho duro e disciplina (Ecclesia in Asia, 6/XI/1999, 6); caraterísticas que alimentam o traço distintivo que vos é tão peculiar: o povo do sorriso”.

O Papa Francisco exaltou o percurso dos antecessores das duas comunidades, pela  estima e reconhecimento mútuo no respeito e a namizade. Um caminho iniciado há 50 anos quando o XVII Patriarca Supremo, Somdej Phra Wanarat (Pun Punnasiri), visitou o Papa Paulo VI no Vaticano: “um marco muito importante no desenvolvimento do diálogo entre as nossas tradições religiosas”, enfatizou.

O Papa Francisco destacou “a importância de que as religiões se manifestem cada vez mais como faróis de esperança, enquanto promotoras e garantes da fraternidade”.

A presença da Igreja Católica no país

5. Papa Francisco fez referência à chegada do cristianismo à Tailândia há cerca de quatro séculos e meio e agradeceu ao povo local que “permitiu aos católicos, mesmo sendo um grupo minoritário, desfrutar de liberdade na prática religiosa, vivendo desde há muitos anos em harmonia com os seus irmãos  budistas”.

Reiterou o “empenho pessoal e de toda a Igreja” para fortalecer o diálogo aberto e respeitoso. Encorajou novos caminhos a serem percorridos em conjunto pelo bem dos mais pobres e da Casa Comum: promover entre os fiéis das nossas religiões novos projetos de caridade, capazes de gerar e incrementar iniciativas concretas com os mais carenciados e em referência à nossa casa comum.

Falaram cordialmente sobre o valor da fraternidade entre as duas religiões e disse: “Se somos irmãos, podemos ajudar a paz mundial – devemos trabalhar juntos para que a humanidade seja mais fraterna”.