Eucaristia na Sé fez memória dos cónegos falecidos e da importância que tiveram

Foto: Duarte Gomes

Na passada sexta-feira, dia 8 de novembro foi celebrada na Sé do Funchal, uma Eucaristia em sufrágio dos cónegos falecidos. A celebração foi presidida pelo Cónego Vitor Gomes, pároco da Sé.

Na homilia o cónego Vitor disse que aquela celebração era também celebrada pela alma de “todos aqueles que de uma ou outra forma colaboraram nos serviços desta catedral, mesmo antes da sua criação, porque a Diocese foi criada em 1514 e a Sé não estava terminada ainda que já se fizessem serviços litúrgicos aqui”. 

Passados 502 anos da sua dedicação, disse, “cabe-nos hoje dar graças a Deus por tudo o que aqui foi celebrado e vivido pelo clero, pelas famílias que se reuniram nesta igreja e iniciaram a sua vida de fé, e por todos aqueles que, ao longo dos séculos, completaram o edifício espiritual esta Igreja mãe e dela deram testemunho com as suas vidas”. Ao partirem, foram “introduzidos mais profundamente no mistério da cruz de Cristo e na Sua ressurreição”. 

E se alguns já receberam “a graça de se tornarem plenamente luz com Cristo, outros continuam o seu caminho de purificação na mesma luz”. Eles, disse, “são a Igreja, como nós também o somos. São irmãos mais velhos, que também intercedem por nós e por isso são ainda hoje participantes da construção espiritual da Igreja, destinada a irradiar a luz de Cristo a ser para o mundo mensageiros e ao mesmo tempo reflexo desta luz”.

O passado que invocamos pela memória, vive no nosso presente e é parte integrante do mesmo, disse ainda o cónego Vitor, para logo acrescentar que hoje se vive num tempo em que “muitos facilmente se esquecem do passado e em que tantos se julgam criadores de si mesmos e até desprezam o que receberam daqueles que os precederam”. Mas aquilo a que chamou “o presente sem raízes”, está condenado à decadência, porque “no coração de Deus não há esquecimento nem anonimato”. 

Cada um, lembrou “é valorizado pelos dons que recebeu e julgado pelo modo como os integrou e desenvolveu ao longo da sua vida”. E neste contexto “a fé com que viveram todos aqueles que de uma forma ou de outra estiveram ao serviço desta catedral, faz dela um templo espiritual, feito de pedras vivas, mas que deixou uma marca concreta na sua arquitetura e na arte sacra”. 

Não se trata explicou, de “olhar para o passado com um olhar saudosista e querer refugiar-se nele, com medo do presente”. Trata-se sim, de encontrar nesse passado a “força para viver o presente e nos abrirmos ao futuro com esperança”. 

Tal como Jó, no testemunho deixado na primeira leitura, temos de ter consciência de que o redentor “está vivo” e que “os males de Jó não são o fim de tudo, mas uma passagem para a vida”. Confiança e abandono a essa esperança é o que temos, também nós, de pôr em prática e se possível, ver como São Paulo, a habitação eterna. Ou de, como se dizia no Evangelho, ouvir o que Deus revela aos pequeninos, “mansos e humildes de coração”, sem procurar explicações e acreditando que a conversão é o caminho e a esperança que “recebemos como dom dos que nos precederam e que também queremos transmitir”.