Nos caminhos da missão

Pe. Francisco Mayor Sequeira | D.R.

A grande imprensa em Portugal pouco liga ao tema religião, ao tema missão. Mas tem bastantes meios de comunicação na imprensa missionária em revistas e jornais diocesanos. Isto para além das redes sociais e da RR e da agência Ecclesia, do Jornal da Madeira e do Diário do Minho (diários).

Hoje transmito-vos um testemunho para nos apercebermos do que pode ser a vida missionária no nordeste brasileiro.

No jornal “Voz da Missão”, o Padre Francisco Mayor Sequeira, que foi missionário em Portugal, Moçambique e no Brasil, deu seu testemunho, escrito em 2016. “Vou tentar alinhavar algo do que vivi com meus irmãos e o bom povo do Maranhão”, diz.

O prato mais saboroso. Em 2013, armei tenda de peregrino em terras do Maranhão, na Chapadinha. Desta vez, vinha para me sentar, ver, ouvir, sentir, aprender, guardar no coração e partilhar.

Acolhimento. Impressionou-me profundamente o acolhimento dos Padres e Missionárias da Boa Nova e das Irmãs Criaditas dos Pobres, assim como a alegria, a solidariedade e a união reinante entre estas comunidades missionárias. Estou feliz por ter vivenciado esta magnífica experiência do “Vede como é bom e agradável conviverem unidos os irmãos” (Sl.133,1). 

A formação da comunidade e de lideranças. Esta foi uma das tarefas prioritárias de toda a minha ação pastoral. Aqui, na Chapadinha, surpreendeu-me a quantidade e a qualidade das lideranças e o leque de atividades pastorais: catequese, evangelização, retiros, teatro, encenações, liturgia, … 

Servos do Evangelho. Participei na celebração da renovação e admissão de novos membros do “Grupo Missionário Servos do Evangelho.” A igreja completamente cheia. 

O que fazem os Servos? Estão presentes em todas as atividades pastorais e movimentos da comunidade paroquial. São assíduos à oração e à fração do pão. 

Doentes, idosos e acamados. Em preparação para a Páscoa, realiza-se a visita domiciliária aos doentes e acamados e aos idosos das comunidades. Cedo, dirigíamo-nos à capela das comunidades que iríamos visitar. Lá nos aguardavam os grupos de voluntários que nos acompanhariam e guiariam. Iniciávamos na capela com a oração. Levávamos os santos óleos para a unção dos enfermos. A mãe Igreja vai ao encontro dos que não podem vir até ela.

Momentos de profunda emoção e conforto. A simplicidade, a alegria, a fé com que as pessoas recebem em suas casas o Senhor…marcam-nos. Aliviam o cansaço e encorajam para continuar. 

Celebrações nas comunidades. As celebrações dominicais nas comunidades urbanas, aos sábados e domingos, são muito bem preparadas, animadas e partilhadas.

Tinha o problema do tempo…e por vezes o espaço entre uma e outra celebração era apenas de uma hora. Se não estivesse a tempo, a comunidade iniciava a celebração. Quando o celebrante chegava, dava continuidade…

Ia com um Padre, na garupa da moto, até à primeira comunidade; no final da celebração alguém me entregava na outra comunidade e, no final da última celebração, de carro ou de moto, me trazia a casa

Almoço aos domingos. Há já uma tradição muito interessante na paróquia da Chapadinha. Aos domingos o almoço é servido na casa de famílias amigas que, rotativamente, o aos padres da paróquia. Cada família, prepara o almoço e o melhor condimento é o carinho, o amor e a alegria com que é preparado e servido. Nunca falta o arroz e o feijão, com quiabo, maxixe… Mas o prato mais saboroso é mesmo o da partilha, do diálogo e da amizade. Está na mesa de todos os que nos recebem. 

De novo em Chapadinha. Em março de 2015 cheguei mais uma vez ao Maranhão. Minha intenção era ficar até ao regresso do P. Neves, doente em Portugal. Senti solidariamente com este bom povo a dor do agravamento da sua doença. E Deus o chamou…

Isto escreveu em 2016, em Chapadinha. Em 2019, Deus chamou também o P. Mayor Sequeira que O serviu e à Sua Igreja, num estilo verdadeiramente missionário ao serviço dos outros. Criando família. Sempre com um sorriso nos lábios e muito atento às necessidades do próximo, que tinha a intuição de adivinhar. Regressado a Portugal… residia num Seminário.

Podemos dizer: passou fazendo o bem. Era do Vale da Coelha, na diocese da Guarda.

Um belo testemunho!