Livro sobre D. Teodoro: Intervenientes destacam o homem de “ironia fina” e o “construtor de pontes”

Foto: Duarte Gomes

Foi com o “Ave Maria”, magnificamente interpretado pela jovem Lara Sofia, que se iniciou na passada quinta-feira, dia 7 de novembro, no auditório do Museu Casa da Luz, a apresentação do livro ‘Reflexões: Em conversa com Dom Teodoro de Faria’, da autoria de Francisco Gomes.

Perante uma plateia particularmente atenta e constituída, como haveria de referir mais adiante D. Nuno Brás, sobretudo por amigos do bispo emérito, os intervenientes na apresentação foram destacando as qualidades do homem e do prelado, do “peregrino do mundo, do “construtor de pontes”, do “homem de fé e de cultura” e do “amigo de sempre”, sem as quais “a história da Madeira não pode ser contada”. 

Assim o disse, por exemplo, Pedro Calado, vice-presidente do Governo Regional, de acordo com quem D. Teodoro de Faria, “prestigiou a Madeira com o seu ministério episcopal, servindo com empenho, dedicação, simplicidade e generosidade.”

Quanto ao livro, considerou-o “muito importante” para todos os madeirenses, pois permite não só conhecer os pensamentos, as suas reflexões e a sua sabedoria, mas também aprender um pouco mais sobre o período histórico, em que D. Teodoro exerceu o ativamente o seu ministério.

Aproveitando a presença do ex-presidente do Governo Regional, Alberto João Jardim, Pedro Calado reforçou que “a história da Madeira não poderá, pois, ser contada sem referência a estes dois homens e ao serviço desenvolvido em prol de maior notoriedade da nossa Região, da sua identidade e da sua autonomia”.

Mas o primeiro a elogiar o ministério episcopal de D. Teodoro foi o próprio autor da obra, que começou logo por explicar que o que o motivou a avançar com o livro foi a sua vontade de registar “para atualidade e a posteridade o testemunho de um bispo”, que “marcou o seu tempo” e “influenciou o decurso dos acontecimentos das eras em que viveu e em que vive”.

Francisco Gomes frisou que D. Teodoro foi um dinamizador, com uma visão certa e que a sociedade madeirense de hoje é “um produto da sua liderança”. 

Já o cónego Tóni Sousa, a quem coube fazer a apresentação do livro, procurou cumprir com o que lhe havia pedido D. Teodoro: “não demorar muito”. Humor aparte, teve tempo para enumerar alguns momentos do vasto currículo do bispo emérito e para centrar a sua apresentação em três pontos por si considerados essenciais. 

O primeiro foi a preocupação de D. Teodoro pela formação pessoal do clero diocesano, daí ter enviado alguns sacerdotes para estudar em Lisboa, Paris e Roma”, com o cónego Toni a recordar que ele foi um dos que seguiu para Paris.

O outro ponto essencial foi a intervenção do bispo emérito no que toca à preservação do património sacro. A ele se deve o restauro de várias obras de arte, reabilitou património. 

Além disso, terceiro ponto, foi no tempo em que esteve à frente dos destinos da Diocese do Funchal, que foram construídas pelo menos 14 igrejas. 

“Peregrino do infinito”

D. Teodoro de Faria também usou da palavra nesta sessão de apresentação. Fê-lo para, entre outras reflexões, dar conta aos presentes de que apesar de um dia lhe terem dito para escrever as suas memórias e de ter escrito milhares e milhares de páginas de homilias, discursos e catequeses, só depois de emérito “tive a paz e a serenidade para muito ler e muito escrever, tendo sempre em conta uma vocação de evangelizador ecuménico”. Só nessa altura começaram a surgir os livros e outro género de escritos.

O bispo emérito agradeceu a Deus “a sua misericórdia para comigo” e também a todos aqueles que consigo têm feito esta caminhada de “peregrino do infinito”, enaltecendo a importância que algumas pessoas tiveram na sua via, em particular às que “escreveram sobre a minha humilde pessoa”, para esta obra, incluindo o atual bispo diocesano.

Um agradecimento especial foi também dirigido a Alberto João Jardim, presente na cerimónia, e que segundo o próprio D. Teodoro, o trata por “grande bispo que teve e tem a caridade de me aturar”. O humor não esconde a verdade, disse, sublinhando, no entanto, que “eu não o aturei, mas colaborei e agradeço a Deus o meu e o seu sentido de amar, servir e dedicar-se a esta região tão atrasada, na qual o senhor deixa uma marca indelével e inapagável”. 

O bispo emérito, recordou ainda as “conversas belas” que manteve com o amigo D. Maurílio de Gouveia. Eram conversas sobre a Igreja, os tempos antigos, da visão e da capacidade de “mudar a Pastoral”.

Por último, mas não menos importante, coube a D. Nuno Brás dizer algumas umas palavras àquele que foi um dos seus antecessores. Disse que era impossível não “reconhecer o homem e as suas qualidades, o cristão e as suas virtudes, o padre e o seu serviço, o bispo e a sua liderança”.

O prelado destacou ainda as qualidades de um homem que “gosta e sabe estar com os outros” e que “nunca deixa aqueles que encontra do mesmo modo” e que “sempre nos convida a olhar numa outra perspetiva a realidade, os acontecimentos”. 

Detentor daquilo a que chamou de “fina ironia”, D. Nuno Brás disse ainda que essa particularidade “torna ainda mais agradável a conversa” com D. Teodoro. 

Admirável é também a sua “disponibilidade para todos, mesmo para os que são menos amigos, o que mostra também este olhar e este viver num outro horizonte muito mais largo, que é o horizonte da fé e o horizonte do pastor. 

Recorde-se que esta obra conta com prefácio do atual bispo do Funchal, D. Nuno Brás, e com diversos contributos de personalidades madeirenses, de áreas que vão desde a política à social passando, pela religiosa, tais como Alberto João Jardim, Ana Isabel Portugal, Ilse Berardo, João Carlos Abreu, João Henrique Silva, Marcelino Castro e D. Maurílio de Gouveia, Arcebispo Emérito de Évora e amigo de longa data de D. Teodoro, que concedeu à obra o seu último testemunho em vida.

[atualizado no dia 10.11.2019 às 19:00h]