Perseguição aos cristãos: Médio Oriente pela paz e “por uma cidadania em pleno”

Papa Francisco e o Grande Imã de Al-Azhar, Ahmad al-Tayyib, durante a assinatura do Documento sobre a Fraternidade Humana | Foto: Vatican Media

Condenação de todo o terror  

 “Pedimos a todos que deixem de usar as religiões para incitar o ódio, a violência, … e que se abstenham de usar o nome de Deus para justificar atos de assassinato, exílio, terrorismo e opressão”, refere o documento sobre a fraternidade humana para a paz mundial e a convivência comum. O texto parte da “crença comum em Deus”, que “não precisa ser defendido por ninguém e não quer que o seu nome seja usado para aterrorizar as pessoas”. 

O Papa Francisco e o grande imã de Al-Azhar, Ahmad Al-Tayyeb, assinaram, no dia 4 fev 2019, nos Emirados Árabes Unidos a Declaração de Abu Dhabi, apresentada como “histórica”, pelo Vaticano, e que condena o terrorismo e a intolerância religiosa.

Al-Azhar é a mais conceituada instituição teológica e de instrução religiosa do Islão sunita no mundo e a mais antiga universidade islâmica, tendo sido construída em 969. Católicos e muçulmanos assumem que as religiões “nunca devem incitar à violência ou aa qualquer discriminação.

Médio Oriente «não pode arcar com outra guerra

Nickolay Mladenov falou esta segunda-feira, 28/10/19, por videoconferência em sessão do Conselho de Segurança, destacando que o “Médio Oriente» já viveu violência e injustiça suficientes e não pode arcar com outra guerra”. Apontou a diplomacia preventiva como um dos instrumentos mais importantes para “acabar com as tensões, antes que estas se transformem em confrontos”.

“Que as negociações entre Israel e Palestina sejam retomadas com a visão de dois Estados vivendo lado a lado, em paz segurança e um reconhecimento mútuo tendo como base as resoluções das Nações Unidas, a lei internacional e acordos anteriores”, avançou.

O enviado da ONU mencionou os protestos que estão ocorrendo, destacando os que acontecem no Líbano e no Iraque. O enviado destacou ainda que no Iraque, pelo menos 74 pessoas morreram e 3.654 ficaram feridas em protestos, exigindo empregos e subsídios de habitação para os mais pobres. Durante as manifestações, mais de 90 edifícios foram queimados.

“Uma paz duradoura somente pode ser alcançada tendo como base a justiça, os direitos humanos e a lei internacional”, considerou.

Perseguição religiosa 

“A perseguição religiosa pode assumir várias formas”, informa o cardeal Leandro Sandri, prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, que falou ao VaticanNews sobre a situação dos cristãos no Médio Oriente. No Iraque e na Síria assumem formas variadas, como discriminações, ameaças, extorsões, sequestros e conversões forçadas, negação dos direitos ou limitações à liberdade.

Na Síria, as crianças continum a ser forçadas a participar ativamente das hostilidades. Os ataques a escolas e hospitais também tiveram um efeito arrasador no acesso à educação e aos serviços de saúde. 

No Afeganistão, 254 escolas e hospitais foram visados e 3.062 crianças, meninos e meninas, foram vítimas de violência sexual. O mesmo acontece no Iémen. Na Turquia a agenda do presidente Erdogan impôs o islamismo sunita, e aumentou os sinais de opressão contra os cristãos, alegando que são vistos como inimigos.

A situação dos grupos religiosos minoritários deteriorou-se também na Arábia Saudita e Iémen onde a situação já era tão má que dificilmente poderia ser pior”. O Papa Francisco tem-se referido aos países e povos que “vivem sem liberdade religiosa”, enumerando entre eles a pedindo uma fraternidade universal entre culturas e religiões.

Situação dos cristãos: êxodo ou retorno?

Os cristãos ainda não são reconhecidos como cidadãos desses países com todos os direitos e deveres, e muitos são forçados a migrar devido à insegurança ou falta de trabalho. 

Mas a verdade é que “defender os cristãos significa defender a estabilidade na região”. “Esses países são predominantemente muçulmanos, mas a presença cristã sempre foi uma presença de equilíbrio, porque a vida da Igreja é voltada para procurar a glória de Deus, e manifestá-la no serviço aos irmãos. Os cristãos não são cidadãos por concessão, por misericórdia, por tolerância: querem ser cidadãos plenos”, sublinha o cardeal Sandri. Os cristãos amam sua pátria e contribuem para a elevação social de toda a população. E vemos isso por meio dos missionários padres, religiosas e leigos e por parte da comunidade católica do mundo, por meio das obras de ajuda a essas Igrejas.

Com o êxodo dos cristãos pode temer-se um novo Médio Oriente sem cristãos, o que o Papa Francisco tem denunciado como completamente contrário à história da região, comenta o Cardeal Sandri. “O retorno dos cristãos está ocorrendo mas em movimentos muito pequenos por enquanto”, sublinha.