“Levanta-te e vai”: Nota Pastoral da Comissão Nacional da Educação Cristã

Cartaz

Levanta-te e Vai

Nota Pastoral | Comissão Nacional da Educação Cristã

Semana Nacional de Educação Cristã | 20-27 de outubro de 2019

1. Cristo Ressuscitado é a fonte da nossa esperança

O Santo Padre propôs, recentemente, que o tema de preparação para a Jornada Mundial da Juventude de 2022 seja «Levanta-te e vai». O apelo do Papa Francisco aos jovens para se levantarem e procurarem em Cristo, que vive, o vigor interior e o entusiasmo que, por vezes, nos falta, é também muito oportuno para os educadores da fé cristã, sejam eles os pais e as mães, os catequistas, os professores de Educação Moral e Religiosa Católica e todos aqueles que, na sua circunstância, se dedicam à educação.

Na verdade, tal como todos os complexos processos educativos, também a educação cristã enfrenta desafios sempre novos e, por vezes, passa por experiências de menor fervor e entusiasmo, tanto da parte dos educandos como dos educadores. Ora, os cristãos têm uma fonte segura para levantar o ânimo e para renovar a sua esperança, pois é o próprio Cristo que se levanta, vivo e glorioso, e os acompanha com a força do Espírito Santo. Assim afirma o Papa Francisco, na Exortação Apostólica pós-sinodal, dedicada aos jovens, «Cristo vive»: «Se perdeste o vigor interior, os sonhos, o entusiasmo, a esperança e a generosidade, diante de ti está Jesus, como parou diante do filho morto da viúva, e o Senhor, com todo o seu poder de Ressuscitado, exorta-te: “Jovem, Eu te ordeno: levanta-te!” (Lc 7, 14)» (Papa Francisco, Exortação Apostólica pós-sinodal, Cristo vive, 20).

Para propor a beleza das experiências de fé aos nossos contemporâneos não contamos apenas com as nossas capacidades. Na verdade, não trabalhamos por nossa conta, entregues a nós mesmos. Nós colaboramos com a graça de Jesus, que por nós se entregou. O Senhor, pela sua cruz, venceu as seduções do pecado e, pela sua ressurreição, ilumina e transforma o mundo como sol nascente que enche de luz a nossa vida. É realmente o Senhor ressuscitado quem nos ordena: «Levanta-te e vai», ergue o teu coração e a tua mente para o alto, invoca e acolhe a vida nova do Espírito e vai ao encontro dos outros, para lhes levar a luz da fé e a alegria da esperança. Trabalhamos para Ele e com Ele.

Hoje, e cada dia, o Senhor continua a chamar-nos – a todos – a participar da vida nova da Sua ressurreição e a cada um e a cada uma deseja comunicar a força do Espírito Santo para construirmos o reino de Deus que é justiça, paz, amor e alegria. Como lembra o Papa na referida Exortação: «CRISTO VIVE: é Ele a nossa esperança e a mais bela juventude deste mundo! Tudo o que toca torna-se jovem, fica novo, enche-se de vida» (Papa Francisco, Exortação Apostólica pós-sinodal, Cristo vive, 1).

Apoiada no poder do Senhor Ressuscitado e na força da Palavra de Deus, a educação cristã pode, portanto, adquirir frescura, novidade e entusiasmo para avivar a fé, ajudando a fortalecer os alicerces de uma Igreja viva e missionária.

2. Levanta-te e vai

O encontro com o Senhor transforma todas as situações de escuridão e de morte e faz surgir uma vida nova nas nossas vidas. Ao longo da sua própria existência terrena, Jesus encontrou muitas pessoas caídas e desanimadas, derrotadas pela doença e pela marginalidade, como paralíticos, cegos, enfermos, pessoas já sem vida. Alguns desses encontros foram cuidadosamente registados pelos Evangelistas, como é o caso do cego Bartimeu, parado à beira do caminho (Mc 10, 46-52), do paralítico da piscina de Betsaida (Jo 5, 1-18), incapaz de se movimentar. Jesus cruzou- -se também com Mateus, agarrado à sua prática de cobrador de impostos (Mt 9, 9-17) e, ainda, com o filho da viúva de Naim, atrás referido, que era levado a sepultar (Lc 7, 11-17).

Estes dramáticos relatos mostram-nos como o Senhor tem poder sobre a vida e sobre a morte e, quando ordena a alguém para se levantar, é para o libertar plenamente das suas limitações, da sua cegueira, do seu desânimo, numa palavra, da morte. Jesus comunica, assim, uma vida nova e, hoje, para cada um de nós, o encontro com o Senhor Ressuscitado e a adesão ao seu Evangelho é o caminho certo da afirmação da alegria da fé e a oportunidade de reavivar a confiança na força do Espírito Santo.Assim, apoiados na contemplação de Cristo, podemos testemunhar o dom da fé e tocar o coração das crianças, dos adolescentes, dos jovens e dos adultos, com a beleza do Evangelho.

A vida cristã tem realmente beleza e força, porque é encontro e adesão a uma pessoa, Jesus Cristo vivo, que nos convida a ser seus amigos e a segui-lo por um caminho novo que conduz a uma vida plena. «Levanta- -te e vai» constitui, além do mais, apelo à conversão a Jesus Cristo, guia e perfeição da nossa fé. (cf. Heb 12,2; Mc 1, 15). É, também, o chamamento que o Senhor faz a todos e cada um de nós. Ele motiva-nos a sairmos de nós mesmos, dos nossos ritos e hábitos, dos nossos programas e rotinas,impelindo-nos a ir, sem hesitação nem demora, ao encontro dos que precisam da luz da fé e, com ela, da nossa presença.

Para testemunhar a fé com vigor e entusiasmo, precisamos de cultivar e aprofundar a união com Jesus Cristo. Por isso, a educação cristã precisa de cuidar primeiramente da vitalidade da vida espiritual, acentuando a importância da experiência pessoal da oração, da escuta meditada da palavra de Deus, da celebração festiva e frutuosa da eucaristia, dos momentos de retiro e da solícita caridade. Assim, criamos condições ótimas para perceber que o Senhor nos precede e nos acompanha com a sua graça, atitude indispensável à construção de uma ação educativa da Igreja que signifique alegria e esperança para quantos connosco se cruzam e, sobretudo, dos que se encontram mais distantes e marginalizados, esquecidos.

3. Convidados à missão

Empenhados nesta nobre tarefa evangelizadora, encontramos, nos últimos anos, sinais de maior atenção e cuidado dos adultos – pais, catequistas e professores – pela educação cristã e humana das novas gerações. Com a sua generosidade, empenho e sempre renovado ardor, procuram dinâmicas novas, cuidam das linguagens, partilham experiências e formam-se continuamente para poderem testemunhar uma atitude missionária na sua vida quotidiana e em toda a sua atividade pastoral e educativa.

«Levanta-te e vai» implica, em conclusão, dois movimentos, complementares. O primeiro deles, consiste em erguermo-nos para a força do alto, invocando e acolhendo o dom de Deus, a graça de Jesus e a luz do Espírito Santo. É o fortalecimento da vida espiritual pela união a Jesus Cristo. O segundo movimento impele-nos a sair ao encontro dos que não descobriram ainda a luz de Cristo, ou dela se afastaram ou, então, esqueceram a alegria da casa de Deus. Há, também aqueles que estão parados, instalados no seu comodismo: todos eles necessitam da nossa ajuda e da nossa colaboração. Esta é a missão a que todos somos chamados – educadores e educandos – enquanto testemunhas da luz, da paz e da alegria.

No seu exemplo amoroso e na proteção de Maria de Nazaré encontra a Igreja o modelo missionário. Maria, de facto, após ter acolhido a mensagem da Anunciação e «ter conhecimento que a sua prima precisava dela, não pensou nos seus próprios projetos, mas dirigiu-se à pressa para a montanha», levando no seu seio Jesus, fonte de alegria e de louvor (cf.CV 43-48; Lc 1, 39-45). Neste relato da Visitação de Maria, saibamos reconhecer também a presença educativa da Mãe de Deus nas nossas vidas e, desse modo, assumamos com esperança e alegria a nossa missão, correspondendo ao pedido do Senhor: Levanta-te e vai!

Dia de S. Francisco de Assis, 4 de outubro de 2019