Vida cristã: tentações do diabo e o amor ao próximo

Duccio di Buoninsegna, "A tentação no monte" | D.R.

Três desafios: dinheiro, sucesso e poder

O Papa Francisco alertou para as “tentações” do dinheiro, sucesso e poder, considerando que estas são propostas de felicidade ilusórias, oferecidas por “Satanás”. “Pode perder-se toda a dignidade pessoal, se nos deixarmos corromper por estes ídolos só para chegar à própria autoafirmação. 

A milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro, o Papa sublinhou que Jesus responde aos três desafios “apenas com a Palavra de Deus”.

“Com o diabo não se deve dialogar”, assinalou. E chamou a atenção para a ideia de “instrumentalizar Deus”, em benefício próprio, fazendo pedidos que se destinam apenas a satisfazer o “orgulho” pessoal.

“São estes os caminhos que são colocados diante de nós, com a ilusão de poder assim obter o sucesso e a felicidade, mas, na realidade, são totalmente alheios ao modo de agir de Deus; pelo contrário, separam-nos dEle, porque são obra de Satanás”.

Pecados que fazem barulho e desonestos

A “atitude mais perigosa” da vida cristã é o orgulho, e a soberba é o pecado “mais desonesto”.

Nas relações entre as pessoas há “necessidade do perdão”. «No Pai Nosso rezamos: perdoai as nossas ofensas como nós perdoamos a quem nos tem ofendido». “Como temos necessidade do pão, também temos necessidade do perdão. E todos os dias”, afirmou Francisco.

O orgulho “é a atitude de quem se coloca diante de Deus pensando que tem sempre as contas em dia com Ele: o orgulhoso acredita que tem tudo em ordem”.

Francisco disse que há “pecados que fazem barulho” e “pecados desonestos, que se escondem no coração”. “O pior destes pecados é a soberba que até pode contagiar as pessoas que vivem uma vida religiosa intensa”, advertiu o Papa.

E finalmente alertou para os pecados que impedem a fraternidade, quando uns presumem ser “melhores que os outros”.

Próximo é todo o que precisa de nós

D. Nuno Brás, bispo do Funchal, desafiou os fiéis a serem “mais próximos uns dos outros”, no dia 8 de março passado, quando presidiu à Eucaristia na festa litúrgica de São João de Deus. Este santo convida-nos sempre a olhar para Jesus e a olhar para o próximo”.

Ensina-nos que é “o nosso próximo”, “aquele a quem havemos de amar”. A resposta dá-a Jesus ao mostrar que o próximo é “aquele que precisa”. E para estar próximo de quem precisa “eu sou convidado a deixar o meu bem estar, a deixar o lugar onde me encontro, a minha zona de conforto, para me aproximar”. O convite é precisamente esse: “Deixarmo-nos interrogar pelos outros, pela sua situação, por aquilo que eles são, pelas suas necessidades”.

A vida de São João de Deus está marcada pela “aproximação daqueles de quem ninguém se queria aproximar”, sublinhou. Dos que “necessitam das nossas ideias”, mas sobretudo da nossa ação: do pão, da palavra, do médico, de transporte, de um café, de um bolo, de um sorriso… e de serem ouvidos na sua tormentosa solidão”.

Os Romeiros nos Açores: partilha do amor fraterno

Também neste ano de 2019, um conjunto de 54 ranchos de ‘Romeiros’ percorreu as estradas dos Açores, renovando uma tradição secular de preparação para a Páscoa.

 “As romarias quaresmais açorianas terão surgido na sequência de terramotos e erupções vulcânicas ocorridas no século XVI na ilha de São Miguel, que arrasaram Vila Franca do Campo e causaram grande destruição na Ribeira Grande”, assinala o sítio da Diocese de Angra.

A tradição reúne milhares de homens, organizados em ranchos, por freguesia, a pé, rezando o terço, durante oito dias, parando em todas as igrejas e dormindo nos lares das comunidades por onde passam, e onde são acolhidos voluntariamente.

Este ano, os participantes foram convidados a rezar pela “renovação da Igreja diocesana à luz do Evangelho”, pela “santificação dos sacerdotes” da diocese; e mais: pelos pobres e excluídos, pelos que vivem sem trabalho e dignidade, pelos idosos e doentes que vivem na solidão e pelos investidos em autoridade para que governem servindo a dignidade da pessoa e o bem comum. 

Estas romarias são um momento de “afinidade especial, com Deus, com os homens e consigo próprios”. São uma expressão de vivência da fé e da partilha como irmãos “próximos uns dos outros”: os que ‘andam a pé’ rezando e os que os ‘acolhem’.