Devoção a Nossa Senhora dos Remédios na Madeira

D.R.

Na capela dos Remédios, situada na freguesia de Santa Cruz, vai ser realizada a festa de Nossa Senhora dos Remédios no sábado 8 de setembro, iniciando-se a missa às 13 horas, seguindo-se a procissão.

No sábado 7 de setembro, às 20 horas, serão celebradas novena e missa.

O arraial integra no sábado, dia 7 atuações do Grupo de Folclore da Casa do Povo de Santa Cruz (21 horas), conjunto Amigos da Música (22 horas e 23 horas) e cantor Heliodoro Jardim (22h30).

No domingo haverá animação com Banda Municipal de Santa Cruz (15 horas), Grupo musical Sol Nascente (17 horas), Trio Live Music  (18 horas) , grupo musical  Bons amigos (19h15),  Los 4 Madeira (20 horas), grupo 4 Sentidos (21 horas) e conjunto «Impacto» (das 21h45 até à 1 hora a madrugada).

Uma das caraterísticas daquela festa é o seu aspeto familiar, pois é costume as pessoas fazerem convívios com merendas, nos arredores daquele templo.

A capela de Nossa Senhora dos Remédios, edificada no sítio do Moreno, Santa Cruz, foi fundada pelo Cónego Manuel Ferreira Caiado. Não há dados sobre a data da fundação desta capela, sendo a mesma anterior ao ano de 1690, e é de 21 de julho o alvará que a oficializa, depois de construída.

Aquele templo possui uma pequena tábua portuguesa ou flamenga, provavelmente do século XVI, ou XVII, representando uma Circuncisão, que ainda apresenta moldura ao gosto dos séculos XVI/XVII.

A devoção a Nossa Senhora dos Remédios liga-se com a evocação da Saúde e do Perpétuo Socorro, aparecendo com certa representatividade ao longo dos séculos  XVI e XVII, tendo ficado na Madeira esta capela de Santa Cruz e não tendo subsistido até aos nossos dias a capela fundada pelos viscondes de São João, benzida a 1 de janeiro de 1940, no seu solar à Rua das Maravilhas, no Funchal.

Na Diocese do Funchal Nossa Senhora dos Remédios é a padroeira da paróquia da Quinta Grande realizando-se a festa no dia 8 de setembro.

Com o título de Nossa Senhora dos Remédios é assinalada em muita localidades. Esta devoção teve início com São João de Matha, fundador na Ordem da Santíssima Trindade, e morto em Roma em 17 de dezembro de 1213.

Tendo o objetivo de resgatar os cristãos escravizados na África e no Oriente Médio, São João da Mata e São Félix de Valois fundaram em 1198 a Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade.

Porque tinham necessidade de grandes verbas para concretizar os seus objetivos recorreram ao auxílio de Nossa Senhora o remédio para todas as necessidades que encontramos na vida. Apareceu-lhes então Nossa Senhora, entregando-lhes uma bolsa cheia de dinheiro, concedendo-lhes de modo o remédio para o seu problema.

Desde então a Vírgem ganhou o título de Nossa Senhora dos Remédios, tornando-se a padroeira daquela ordem. Com a difusão desta devoção pela Europa, 900 mil prisioneiros foram libertados até ao século dezoito

Na Idade Média, os verbos “redímere” e “remediare” e os substantivos “redémptio” e “remédium”, tinham um significado similar: redimir, resgatar, resgate, remédio (com o sentido de salvação, libertação). Isto explica porque, nos escritos dos séculos XVI-XVII, se dão a padroeira os três títulos: “do Remédio”, “do Resgate”, “da Libertação”.

O culto a Nossa Senhora dos Remédios chegou a Portugal com os religiosos franceses da Ordem Hospitalar da Santíssima Trindade no século treze. Uma devoção que continua viva na Madeira bem patente no elevado número de pedidos que lhe são feitos e alcançados sendo as promessas cumpridas nas procissões que se realizam na Quinta Grande e em Santa Cruz.