Cónego Fiel presidiu à Eucaristia do Dia da Cidade e pediu “atitude altruísta” a quem gere o Funchal

Foto: Duarte Gomes

O vigário geral da Diocese do Funchal defendeu na manhã desta quarta-feira, dia 21 de agosto, que as entidades que governam a Cidade do Funchal devem ter uma “atitude altruísta” e acima de todos os conflitos, pensando sempre no bem comum dos cidadãos. Foi na homilia da Eucaristia que se celebrou na Igreja do Colégio e que marcou o início das cerimónias dos 511 anos da Cidade do Funchal, cujo programa passou depois para a Praça do Município.

Mas o cónego Fiel de Sousa começou por sublinhar que é preciso “proporcionar toda uma logística” aos milhares de fiéis, madeirenses e visitantes que, sobretudo aos domingos, “enchem as belíssimas igrejas da baixa do Funchal, para celebrar o dia do Senhor”, e dar vida a uma cidade que, de outro modo, poderia ser mais uma cidade fantasma.  

De resto, frisou, a cidade não deve confinar a sua “oferta turística e espiritual somente à admiração das nossas belas igrejas e museus, peças artísticas e belíssimos quadros, próprios de um riquíssimo património artístico insular, mas celebremos nelas e com elas o fim primeiro para as quais elas foram construídas e adquiridas”.

Apesar de, como se dizia nas leituras, esta não ser “a cidade permanente”, e de estarmos a “caminho da cidade futura”, o vigário geral defendeu que o Funchal deve viver “de relações de amor fraterno, hospedagem, hospitalidade, beneficência e solidariedade, porque são esses os sacrifícios que agradam a Deus”. 

Assim sendo, “todas as nossas atividades devem ser pautadas pelo modo de ser e de viver das crianças e das pessoas simples”. Não se trata, frisou o vigário geral, de “infantilizar ou ter atitudes simplistas”. Antes pelo contrário: “queremos assumir a humildade e a simplicidade das crianças e dos simples”. 

As crianças e as pessoas humildes, constatou o cónego Fiel, “perante os conflitos, as discordâncias os pontos de vista diferentes que sempre acontecem na vida, podem durante algum tempo deixar de se comunicar, mas só por breves instantes”. Os adultos, ao contrário, “podem levar dias e anos”, a recuperar os seus relacionamentos.

Tal como Salomão, de que nos falava a primeira leitura, todos aqueles que exercem qualquer espécie de autoridade devem ter uma “atitude altruísta” e “atender sempre ao bem comum e ao bem estar dos seus cidadãos”, que deve estar acima de todos os conflitos. 

“Os sábios e os inteligentes não são aqueles que guardam a sabedoria e a sua inteletualidade fechada num baú para ser atirada como arma de arremesso ao seu adversário quando ele menos pensa ou espera, constrastando com as atitudes das crianças ou das pessoas simples”, sublinhou, Fiel de Sousa que reconheceu que “a cidade está mais bonita, mais bela e moderna do que há 511 anos” e que isso é “fruto de um trabalho conjunto e não somente de entidades isoladas, ou de grupos privados, mas sim de todo um povo que através da sua sabedoria e da sua fé, da inteligência e do engenho dos seus filhos, soube canalizá-los para que a beleza inicial encontrada pelos primeiros navegadores, jamais deixasse de se refletir na nossa vida, colocando em prática o mandado do Senhor: ‘Dou-vos tudo isto para cultivares e aperfeiçoares a terra’”.

O vigário geral terminou desejando que “todos munidos das armas da hospitalidade, da justiça, da humildade e da simplicidade contribuamos com as nossas ideias, os nossos programas, os nossos projetos, a fim de que o grande vencedor da beleza das nossas ilhas seja sempre o povo madeirense e portosantense e a diáspora”. 

Uma referência para o Coro de Câmara da Madeira, sob a direção da maestrina Zélia Gomes, que solenizou esta Eucaristia com a qual se iniciaram oficialmente os festejos deste Dia da Cidade do Funchal.

Neste dia, como tem sido hábito desde 2014, todas as forças políticas representadas na Assembleia Municipal usaram da palavra na cerimónia que se seguiu e que, tal como a Eucaristia, contou com a presença de Miguel Gouveia, presidente da Câmara do Funchal, de Pedro Calado, em representação do Governo Regional, de Fernanda Cardoso em representação da Assembleia Regional e do Vigário-geral, cónego Fiel de Sousa, em representação do bispo do Funchal.