D. Nuno Brás: “Não há ecologia sem olharmos para o ser humano” 

Foto: Jornal da Madeira

O Bispo do Funchal defendeu ontem a noção de ecologia integral presente na encíclica do Papa Francisco “Laudato si”, sobre o cuidado da casa comum. 

“Quer dizer uma ecologia que defenda o mundo criado mas também uma ecologia humana, ou seja, a relação necessária da vida do ser humano com a natural, inscrita na própria natureza. A aceitação do outro como dom de Deus, o apreço pelo próprio corpo na sua feminilidade ou masculinidade, o seu ser homem e ser mulher”, afirmou.

D. Nuno Brás presidiu nesta terça-feira, dia 13 de agosto, na igreja de S. Roque à novena de preparação para a festa do padroeiro desta comunidade paroquial. 

Para além da presença do pároco, P. José Luis Rodrigues, também participaram na celebração o P. Martins Júnior, o P. Giselo Andrade e o P. Carlos Almada.

Após a Eucaristia, a comunidade foi convidada a visitar a torre da igreja que recentemente foi alvo de restauro.

Sobre o tema escolhido: “A ecologia do Papa Francisco” o Bispo do Funchal começou por afirmar que o Papa não escreveu uma encíclica “verde” mas uma encíclica de doutrina social da Igreja. 

“Fomos concebidos no coração de Deus”

Sobre o lugar único do ser humano na criação, D. Nuno disse que “hoje faz-se tudo para defender uma planta rara, mas não se faz tudo para  defender o homem, não se faz tudo para defender a vida humana, não se faz tudo para defender uma criança que está no útero da mãe. Somos capazes de defender todos os animais raros, todas as plantas raras, mas esquecemos tantas vezes, tantas vezes, o ser humano”. 

Na homilia, D. Nuno destacou que a “criação é mais do que natureza” e recordou a expressão do Papa Francisco: “Fomos concebidos no coração de Deus”.

“A noção de criação, significa que nós dependemos sempre de Deus, significa um Deus que é Criador”. Por outro lado, “natureza é simplesmente aquilo que nos é dado”.

O conceito de criação permite “olhar para tudo aquilo que nos rodeia e procurar ver o dedo de Deus”. 

Para o Bispo do Funchal há uma dificuldade em entender o lugar do ser humano no mundo que conduz à destruição da criação. O mau uso da tecnologia, “a ideia do crescimento ilimitado, a mentira da disponibilidade infinita dos bens do planeta” e “uma economia que retira apenas o lucro e só pensa no lucro”, pode estar na raiz dos problemas ecológicos que hoje assistimos. 

Não há ecologia sem olharmos para o ser humano

Olhar a pessoa humana e perceber que tudo está interligado. Quando “não se reconhece a importância dum pobre, dum embrião humano, duma pessoa com deficiência, dificilmente se saberá escutar os gritos da própria natureza (nº 117)”. 

“A mesma energia com que nós havemos de defender a criação é a mesma energia que nós havemos de usar para defender os mais pobres, os mais indefesos, aqueles a quem tanta vezes não se reconhece os direitos”, referiu D. Nuno. 

Citando o Papa, afirmou: “não é compatível a defesa da natureza com a justificação do aborto” (nº 120).

O Bispo do Funchal concluiu a sua reflexão dizendo que “esta pequena grande encíclica chama-nos a atenção. Atenção para quem somos, a atenção na nossa relação para com Deus, a atenção da nossa relação para com os outros, a atenção da nossa relação para com a natureza”.