Terra Santa: “O fundamentalismo religioso atira claramente os cristãos para a margem da sociedade”

Pierbattista Pizzaballa passou mais de três décadas na Terra Santa. Em 2016, este franciscano foi nomeado Arcebispo e Administrador Apostólico do Patriarcado Latino de Jerusalém. Durante uma recente visita a sede internacional da Fundação AIS (ACN), o Arcebispo explicou como as decisões políticas internacionais intensificam o conflito na Terra Santa e por que a Igreja confia mais na eficácia dos pequenos passos.

Fundação AIS: Excelência, qual a situação dos cristãos na Terra Santa?

D. Pierbattista Pizzaballa: Costuma-se dizer, com alguma frequência, que há três grupos de pessoas que vivem no território que chamamos Terra Santa: israelitas, palestinianos e cristãos. Mas os cristãos não são um “terceiro povo”. Os cristãos pertencem ao povo no meio do qual vivem. Como cristãos não temos reivindicações territoriais. Para um judeu ou um muçulmano não há nenhum perigo encontrar-se com um cristão. No entanto, para os cristãos as condições de vida são mais difíceis, por exemplo, têm muita dificuldade em arranjar trabalho ou arrendar casas.

Isto significa que os cristãos da Terra Santa têm a sua liberdade religiosa limitada?

Há que fazer uma distinção entre a liberdade de culto e a liberdade de consciência. Existe liberdade de culto: os cristãos podem celebrar e organizar a sua vida comunitária. A liberdade de consciência significa que qualquer crente pode expressar-se livremente e que os membros de outras religiões podem decidir livremente se querem ser cristão. Isto já é muito mais complicado.

A política teve sempre um papel muito importante na Terra Santa. Se alguém decide visitar um determinado lugar isto pode tornar-se rapidamente um assunto político. Por exemplo, os cristãos de Belém gostariam de visitar e rezar na Igreja do Santo Sepulcro, em Jerusalém. Mas, muitas vezes, tal não é possível porque precisam de uma autorização. Então, isto é uma questão de liberdade religiosa ou é simplesmente um assunto político? Não podem visitar a Igreja do Santo Sepulcro apenas porque são palestinianos? Tudo esta interligado.

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