Idosos e doentes: cultura do encontro é a «Alegria do Evangelho»

D.R.

O papa Francisco tem apelado frequentemente à solidariedade e à cultura do encontro para que as sociedades modernas acolham “os idosos, marginalizados e as pessoas solitárias”. E considera este um dos grandes desafios postos à humanidade e à Igreja.

Quando peregrino de Fátima, na Base Aérea de Monte Real, cumprimentou muitas crianças e alguns idosos e doentes. Ia cumprimentando as pessoas que o saudavam, entre a Capela de Nossa Senhora do Ar e a placa do aeroporto, distribuindo beijos por crianças e bebés. Com um largo sorriso no rosto, saudou de forma prolongada e calorosa, uma senhora idosa que estava numa cadeira de rodas. 

No Ano Santo da Misericórdia, o Papa deslocou-se a dois centros de acolhimento para padres idosos e doentes, a casa “Monte Tabor”, onde “residiam oito sacerdotes com diversos tipos de problemas, provenientes de diferentes dioceses”, e a casa “São Caetano” para o clero da Diocese de Roma e que apoia mais de duas dezenas de presbíteros, “alguns deles muito doentes”.

A Rádio Vaticano destacou esta visita como “uma tarde rica de emoções, encontros, momentos de oração e alegria espiritual”. Faz frequentes visitas a sacerdotes enfermos, a casas de doentes mentais, de toxicodependentes, de doentes em estado vegetativo…

O Papa Francisco tem alertado para a “grande mentira que se esconde por trás de certas expressões que insistem muito sobre a «qualidade de vida», critica uma sociedade em que vivemos “obcecados pela rapidez, pelo frenesim do fazer e do produzir” e “esquecemos a dimensão da gratuitidade, do prestar cuidados, do encarregar-se do outro”. Essa mentalidade revela, nos cristãos, “uma fé morna, que esqueceu a palavra do Senhor: «a Mim mesmo o fizestes» (Mt 25, 40)”. E lembra a «absoluta prioridade da “saída de si próprio para o irmão”, que é “A alegria do Evangelho”.

Uma das condições para este serviço ao irmão é o tempo, ter “tempo para cuidar dos doentes e tempo para os visitar”, para “estar junto deles”.

Dizia o P. Pedro Viva, capelão do Hospital de Leiria: “A grande doença dos nossos dias é a solidão. Visito, falo, ouço os doentes e chego ao final do dia, com frequência, esgotado; mas ajudar a limpar as lágrimas de quem sofre, doentes e familiares, arrancar um sorriso e um brilho de esperança a quem já nada esperava é uma grande conquista.”

A coordenadora de um grupo de voluntariado católico, Cecília Calé, diz: o trabalho de voluntário “é uma forma de viver mais preenchida com aquilo que realmente é importante, é o “dar a mão a quem não a consegue mover, dar os pés a quem não consegue andar, dar carinho a quem está carente, ou seja, ser o ombro amigo, o apoio, o sorriso, a força e a disponibilidade, quando esta falta aos que estão em recuperação”.

Como católicas, sentimos o dever de ajudar os que estão privados do conforto e da alegria do seu lar e dos seus. Na disponibilidade para gestos simples, como ao dar-lhes as refeições, podemos transmitir-lhes um pouco de afecto, são palavras de Isabel Caldeira e Adélia Laranjeiro, voluntárias em Hospital.

“Um povo que não protege os avós e não os trata bem é um povo que não tem futuro”, advertiu Francisco, no ‘Vídeo do Papa’, do mês do Natal. 

“Tenhamos presentes os nossos idosos, para que, sustentados pelas famílias e instituições, colaborem com a sua sabedoria e experiência na educação das novas gerações”, diz Francisco. E sublinha que os mais idosos têm a missão de “transmitir a experiência da vida, a história de uma família, de uma comunidade, de um povo”. 

Na “Amoris Laetitia” o Papa referiu: «A maioria das famílias respeita os idosos, rodeia-os de carinho e considera-os uma bênção. E agradece às associações e movimentos familiares que trabalham a favor dos idosos. (…) Nas sociedades onde o seu número tende a aumentar enquanto diminui a taxa de natalidade, os idosos correm o risco de ser vistos como um peso. Às vezes, a fragilidade e dependência do idoso são iniquamente exploradas por mero proveito económico. Em estruturas da Igreja, o idoso e/ou doente deve pode viver num ambiente sereno e familiar a nível material e espiritual. A Igreja sente o dever de ajudar as famílias que cuidam dos seus membros idosos e doentes» (AL, 48).

O Papa Francisco defendeu em maio de 2018, no Vaticano, um total respeito pela vida humana: “Que a vida seja sempre tutelada e amada, desde a sua conceção até ao seu fim natural. Isto é amor”, disse, perante milhares de peregrinos reunidos na Praça de São Pedro.

E assinalou que a fé católica propõe o amor para com todos, “especialmente os mais fracos”. “Eis porque somos chamados a guardar os idosos como um tesouro precioso e com amor, ainda que criem problemas económicos e dificuldades. Devemos dar aos doentes toda a assistência possível, ainda que estejam no seu último estádio”, sustentou.

A cultura do encontro – a saída de si ao encontro do irmão que precisa – é a “Alegria do Evangelho”.