Cardeal do Pontifício Conselho da Cultura diz que Deus deu a D. Tolentino Mendonça dois dons: “a fé e a poesia”

Foto: Ecclesia/MC

Por Rui Jorge Martins | SNPC

A D. José Tolentino Calaça de Mendonça «Deus deu sobretudo dois dons: a fé e a poesia. Exatamente por isso deu-lhe o encargo de o cantar na sua vida, através da palavra e dos escritos».

É com estas palavras que o presidente do Conselho Pontifício da Cultura, organismo da Santa Sé encarregado de acompanhar e inspirar a ação da Igreja católica no mundo das artes e do pensamento, começa o texto dedicado ao arcebispo português.

O artigo do cardeal Gianfranco Ravasi foi publicado na edição de 29 de junho da revista do semanário Expresso, que dedicou o tema de capa aos «50 poderosos, influentes, inovadores, provocadores e consagrados que marcaram» a vida no último ano, lista na qual foi incluído o bibliotecário e arquivista do Vaticano.

«O meu primeiro encontro com ele aconteceu exatamente na encruzilhada entre teologia e arte. Ele apresentou-se no dicastério vaticano, o Conselho Pontifício da Cultura, que há pouco dirigia por decisão de Bento XVI, declarando com simplicidade que se sentia um meu discípulo, tendo lido algumas minhas coisas de exegese bíblica», revela o prelado italiano.

Os escritos do primeiro diretor do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura conquistaram o também biblista transalpino pela «extraordinária limpidez e o esmero do seu discurso, que eram espelho da sua pessoa e da sua humanidade».

«Havia, depois, a intensidade da sua investigação teológica que sabia unir fé e cultura, espiritualidade e intuição poética, filologia e transparência da mensagem», com «a leveza, o apuro, a delicadeza e a humildade, que é quase o ADN da sua personalidade», assinala.

Estes motivos, prossegue, levaram-no a propor ao papa Francisco que convidasse D. Tolentino Mendonça para orientar o retiro quaresmal do próprio pontífice e da cúria da Santa Sé, o que aconteceu em 2018.

«Consciente da sua fé e da sua cultura, Papa Francisco o quis, assim, perto de si como bibliotecário e arquivista da Santa Igreja Romana. E para mim esta nomeação é, assim, uma ocasião de tornar o diálogo à distância e esporádico em encontro direto e vivo com uma pessoa solar e pacificada, profundo crente, grande poeta e, naturalmente, grande amigo», conclui D. Gianfranco Ravasi.