D. António Carrilho diz que a distinção que lhe foi atribuída “é de toda a Igreja Diocesana”

Foto: Duarte Gomes

D. António Carrilho, bispo emérito do Funchal, recebeu esta segunda feira, Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas, o grau de Grande-oficial da Ordem do Infante D. Henrique atribuído pelo presidente da República.

Maria do Carmo Melvill Araújo, a Associação Recreio Musical União Mocidade e a Orquestra Clássica da Madeira foram também distinguidos por Marcelo Rebelo de Sousa, a primeira com o grau de Oficial da Ordem do Mérito, e os restantes com o título de Membro Honorário da Ordem do Mérito.

Aos jornalistas D. António Carrilho disse que este era um “momento de alegria”, que “agradeço e guardo”, mas “não apenas como referência pessoal, antes a toda a Igreja Diocesana, a todo o povo madeirense e portosantense”. De resto acrescentou, nesta distinção é também “reconhecida a ação da Igreja naquilo que é a sua missão. Quer dizer, não é apenas uma questão religiosa, mas é uma questão espiritual, cultural, humanista voltada para toda a gente e levando a todos aquilo que é resposta aos seus anseios, necessidades e projetos”. 

Apesar de reconhecer que “há limitações à atividade de qualquer instituição” e que “nós não chegamos sempre àquilo que desejamos”, o bispo emérito do Funchal não esconde a sua alegria “ao verificar como a diocese se empenhou ao longos destes 12 anos, em que estive como bispo titular” em viver momentos especiais. Desses destacou as celebrações dos 500 anos da Criação da Diocese, “revestidas de diversos aspetos do ponto de vista cultural e social”. É nessas alturas, disse, “que a Igreja torna realmente presente, no contexto da sua própria vida, no quotidiano, aquela que é a sua proposta, o seu projeto de vida e o seu ideal”. 

Conjunto de preocupações

As condecorações deste dia 10 de junho foram, como é hábito, impostas pelo representante da República para a Região Autónoma da Madeira, por delegação do presidente da República, e decorreram durante uma  cerimónia solene no Palácio de São Lourenço.

Na sua intervenção Ireneu Barreto manifestou um conjunto de preocupações, nomeadamente com as comunidades madeirenses na Venezuela, que enfrentam uma conjuntura de crise, e as do Reino Unido que vivem uma “situação preocupante” devido ao Brexit, defendendo que os seus direitos devem ser salvaguardados. 

Irineu barreto falou ainda da importância de ser cumprido o princípio da continuidade territorial, referindo-se à recente polémica da tarifa no desporto, sublinhando que os madeirenses devem estar “unidos” na luta pela “defesa do princípio da continuidade territorial, tantas vezes esquecido”.

O juiz conselheiro defendeu ainda o Centro Internacional de Negócios (CINM), sublinhando que a Madeira tem de demonstrar a sua “capacidade única” de reação às adversidades para defender o CINM “uma instituição que dá garantias de rigoroso controlo, com um papel fundamental de geração de receitas fiscais e criação de emprego nesta região ultraperiférica” acrescentando que “não podemos permitir que a incerteza e a instabilidade ponham em causa este projeto fundamental para a Região e para o País”.

O representante da Républica lembrou igualmente que foi desencadeado o processo para alteração do Estatuto Político-Administrativo da Madeira, opinando ser “importante que a autonomia político-legislativa se consolide e progrida, para bem das populações madeirenses e porto-santenses e do país e que tal se concretize através daquela revisão”.

O responsável indicou ainda que “este é um ano em que o exercício da democracia e a autonomia político-legislativa, conquistados há mais de 40 anos, serão particularmente sentidos pela população” do arquipélago, com a realização de mais duas eleições.

Sobre o 10 de Junho, Ireneu Barreto lembrou que “esta é uma data simbólica, do mais profundo da identidade nacional de oito séculos”, considerando que o “significado deste dia pede-nos mais”, porque estes “tempos são de desafios, que exigem respostas diversas” e exigem uma “reflexão” sobre o futuro.

Quanto aos condecorados, “mais importante que destacarmos percursos passados”, devemos ver neles “uma referência para o futuro” e “olhar para o seu trabalho e dedicação à comunidade como um exemplo que fica para as novas gerações, e para os tempos exigentes que nos aguarda”.