«Nem sequer ouvimos falar que existe Espírito Santo»

El Greco, Pentecostes (detalhe), 1597-1600 | Museu do Prado, Madrid

Paulo foi a Éfeso e, achando ali alguns discípulos, perguntou-lhes: Recebestes o Espírito Santo, quando crestes? Responderam-lhe eles: Não, nem sequer ouvimos falar que o Espírito Santo existe.

1.Paulo perguntou: que batismo recebestes? O batismo de João. Então disse aos discípulos: João batizou com o batismo de arrependimento, dizendo ao povo para acreditar naquele que havia de vir depois dele, isto é, em Jesus. Eles, tendo ouvido isto, foram batizados em nome do Senhor Jesus. Atos 19, 1-5

Não podemos ser cristãos sem deixar que o Espírito Santo seja o protagonista da nossa vida. Podemos renascer da “nossa existência pecadora” somente com a ajuda da força que fez ressurgir o Senhor: com a força de Deus e por isso “o Senhor nos enviou o Espírito Santo”. 

A mensagem da Ressurreição do Senhor é “o dom do Espírito Santo” e, de fato, na primeira aparição de Jesus aos apóstolos, no domingo da Ressurreição, Ele diz-lhes: “Recebei o Espírito Santo”. “Esta é a força! Nós nada podemos sem o Espírito”, explicou o Papa Francisco. 

É o Espírito que nos faz ressurgir dos nossos limites, das muitas necroses na nossa vida. A mensagem de Jesus a Nicodemos é esta: ‘é preciso renascer’. Uma vida cristã, que não deixa lugar ao Espírito é uma vida pagã. O Espírito è o protagonista da vida cristã. Ele está em nós, nos acompanha, nos transforma, vence connosco. 

É “o companheiro de todos os dias”. Temos de caminhar com Ele, acentua Francisco, “você não pode caminhar numa vida cristã sem o Espírito Santo”. Com a docilidade ao Espírito, percorreremos o caminho que o Senhor Jesus quer para cada um de nós.

2.O Papa Francisco afirmou que o “Espírito Santo é, desde o início da Igreja o protagonista da missão”. Recordou a posição dos apóstolos, no Concílio de Jerusalém, perante as indecisões sobre o modo de olhar o Evangelho e o anúncio da Palavra: “uma dupla resistência à ação do Espírito: a daqueles que acreditavam que Jesus tinha vindo somente para o povo eleito e daqueles que queriam impor a lei de Moisés, incluindo a circuncisão, aos pagãos convertidos”.

Uma situação embaraçosa. A narração usa palavras fortes: “Naqueles dias, tinha surgido uma grande, uma calorosa discussão”. Mas o poder do Espírito – o protagonista – impulsionava a avançar,… Ele ajuda os crentes, “desde os Apóstolos” a se “confrontarem em franqueza e diálogo”.

“O primeiro Concílio de Jerusalém, depois de alguns atritos, entre os ‘fechados’ – grupo de cristãos ‘presos à lei’, que queriam ‘impor as condições do hebraísmo aos novos cristãos’ – e Paulo, o Apóstolo dos pagãos, firmemente contrário a esta ideia, abre caminho. “Reunidos, cada um dá a sua opinião. Discutem, como irmãos e não como inimigos. Não matam para triunfar. Procuram o caminho da oração e do diálogo. Dialogam e entram em acordo. No final do Concílio enviam uma carta aos “irmãos” que “provêm dos pagãos”. 

O Espírito não está presente numa Igreja onde nunca há problemas deste género, nem numa Igreja onde se está sempre a discutir e onde os irmãos se traem. 

O Espírito cria a unidade harmoniosa entre todos. No fim da carta observam: ‘pareceu bem ao Espírito Santo, e a nós’. 

3.Em Jerusalém, podemos admirar a importância da humildade demonstrada “pela Assembleia que escuta em silêncio o testemunho de Barnabé e Paulo”. E Francisco afirmou ser esse o sentir da Igreja hoje.

Perante os problemas e as dúvidas a Igreja é convidada a “reunir-se, juntar-se, ouvir-se, discutir, rezar e decidir”. Esta é a chamada sinodalidade da Igreja, na qual se expressa a comunhão. E quem faz a comunhão? É o Espírito! 

O Espírito Santo cria “movimento na Igreja”, “movimento” que é, muitas vezes, entendido como “confusão” e deve ser acolhido “em oração e com espírito de diálogo” de modo a ser gerador “de unidade entre os cristãos”.

O Papa Francisco explicou que a Igreja “precisa se libertar dos laços mundanos representados pelos nossos pontos de vista, pelas nossas estratégias, pelos nossos objetivos, que muitas vezes sobrecarregam o caminho da fé”.

Jesus dirigiu-se aos Apóstolos na Última Ceia e falou “da obra do Espírito Santo”, o “Defensor”, que apoiaria “a missão de levar o Evangelho a todo o mundo”. Jo, 14,23-29

A ação do Espírito Santo é bem a missão da Igreja, que atua através de um estilo de vida preciso, caracterizado por algumas exigências: “a fé no Senhor e o respeito à sua Palavra; a docilidade à ação do Espírito, que torna continuamente vivo e presente o Senhor Ressuscitado; o acolhimento da sua paz e o testemunho através de um comportamento de abertura e de encontro com o outro”.

4. O Espírito de Deus nos guia e guia a Igreja para que através dela “brilhe o rosto autêntico, belo e luminoso, desejado por Cristo.” O Senhor nos convida a abrir o coração ao dom do Espírito Santo para nos guiar pelos caminhos da história. “Dia a dia, ‘nos ensina’ e ‘nos recorda tudo aquilo que o Senhor nos disse’. ”

O Papa Francisco propôs alguns conselhos para celebrarmos o Pentecostes. São eles: ‘caminharmos juntos’, como irmãos, na construção de uma sociedade mais fraterna e na busca da unidade de todos os cristãos; “abrirmos as mentes e os corações para a ação do Espírito Santo em nós; servirmos os irmãos, com seus dons espirituais deixando que a luz e o poder do Paráclito, nos acompanhem sempre; caminharmos juntos no caminho da fé; com a força que recebemos do Espírito, podermos ser verdadeiras testemunhas do Evangelho no mundo, irmãos de Cristo e filhos do único Pai”.

Não mais digamos, como os novos discípulos de Éfeso: “nem sequer sabemos que existe Espírito Santo”. Recebamos a “efusão abundante de seus dons para que sua graça infunda em nós uma nova vitalidade para a fé, reforce a esperança e dê força operativa à caridade”.