D. Nuno diz que “precisamos de encontrar os melhores meios para anunciar o evangelho”

O prelado, que falava aos jornalistas na apresentação do seu livro ‘Cenas de Deus: Retratos e Coisas da Vida’, diz que encontrou na diocese “comunidades cristãs vivas” e “muito acolhedoras”.

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal disse esta sexta-feira, dia 31 de maio, que quando assumiu a Diocese do Funchal, a 17 de fevereiro, “encontrou uma ilha com “comunidades cristãs vivas” e “muito acolhedoras”. Porém, passados estes meses,  diz que identificou áreas prioritárias onde ainda é preciso intervir.

D. Nuno Brás, que falava aos jornalistas no âmbito da apresentação do seu livro ‘Cenas de Deus: Retratos e Coisas da Vida’, organizada pela Associação Cristã de Empresários e Gestores da Madeira (ACEGE), disse acreditar que “é importante percebermos que toda esta realidade que acaba por ser também uma realidade cultural, depois precisa de ter mais firmeza naquilo que é a consciência da fé, naquilo que é a capacidade de dizer a fé, naquilo que é a capacidade de diálogo com esta nova cultura que já surge, que é a cultura dos jovens, da comunicação social, das redes sociais, das escolas e da universidade, por exemplo”.

“Nós, cristãos da Madeira, comunidade diocesana e comunidades paroquiais, precisamos de encontrar os melhores meios para anunciar o evangelho a esta nova cultura que aí está às nossas portas”, frisou ainda o prelado, considerando que esta “nova cultura” é, por um lado, “muito racional”, na ciência, na técnica, na economia, e, por outro lado, “de uma irracionalidade extrema quando dá lugar tantas vezes apenas ao sentimento”.

Livro é ”reflexão sobre a realidade”

Quanto ao livro propriamente dito, o prelado disse que ele “resulta de um conjunto de artigos que eu fui publicando no jornal da Diocese de Lisboa, “A Voz da Verdade”, e que a Fundação A Junção do Bem teve a iniciativa de publicar”. Foram artigos semanais que “constituem uma espécie de reflexão sobre a realidade” e que são também “um convite a que os cristãos olhem a realidade não apenas com os olhos, digamos normais, com os olhos da agenda cultural, política, social que habitualmente é dada, mas com os olhos de Deus”. Um Deus que “vem ao nosso encontro na realidade, tal como ela nos aparece, recusando o subjetivismo, ou seja isto de eu fazer a realidade e de inventar Deus também, mas de Deus me vir ao encontro atravées da realidade, através dos outros, nos seus momentos bons, nos seus momentos maus, naquilo que são as fortalezas as qualidades, mas também naquilo que são os sofrimentos e as debilidades do nosso mundo”.

Mas não se trata só, frisou, de “encontrar Deus, mas também de o mostrar” porque, como diz o Papa Francisco, temos de ser “discípulos missionários” porque “o cristão onde quer que esteja mostra Deus e por isso mesmo este convite que é feito aos cristãos para, na realidade frágil da sua vida, na realidade mortal da sua vida, ser capaz de mostrar um Deus que transcende a realidade, mas mostra-se nela”. Recorrendo à metáfora da obra de arte, neste caso uma obra de arte musical, D. Nuno diz que “o conjunto de sons convidam-nos a ir sempre mais longe do que aquilo que são os próprios sons individualmente, e convidam-nos a elevar o nosso espírito.” O cristão, disse, “é assim também” e “nesta fragilidade chega-nos Deus que ultrapassa tudo aquilo que nós somos e a pobreza do nosso testemunho cristão”.