Papa Francisco pede aos jornalistas que estejam da parte das vítimas

Foto: Vatican Media

“Precisamos de jornalistas que estejam da parte das vítimas, da parte de quem é perseguido, da parte de quem é excluído, descartado, discriminado”, afirmou o Papa Francisco a um grupo de jornalistas a trabalhar em Itália.

Francisco recebeu no passado dia 18 de maio os membros da Associação da Imprensa Estrangeira em Itália. Na ocasião manifestou a estima da Igreja pelo trabalho dos jornalistas, mesmo quando “colocam o dedo na ferida” e esta ferida se encontra na comunidade eclesial.

O Papa agradeceu o trabalho dos jornalistas porque “ajudam a não esquecer as vidas que são sufocadas antes ainda de nascer; as recém-nascidas que se extinguem por causa da fome, das dificuldades, da falta de cuidados, das guerras; as vidas das crianças-soldado, as vidas das crianças violadas”.

“Exorto-vos a operar segundo a verdade e a justiça, para que a comunicação seja realmente instrumento para construir e não destruir; para o encontro, não para o desencontro, para dialogar, não monologar; para orientar, não para desorientar; para compreender, não para a incompreensão; para caminhar em paz, não para semear ódio; para dar voz a quem não tem voz, não para ser megafone de quem grita mais forte”, referiu.

Para o Papa Francisco, a humildade é um elemento fundamental do trabalho jornalístico. “A humildade de não saber tudo antecipadamente é o que move a investigação. A presunção de já saber tudo é o que a bloqueia”.

Na era da internet, é preciso “resistir à tentação de publicar uma notícia não suficientemente verificada”. Uma informação falsa pode difundir-se como autêntica e a necessária retificação dos erros não é suficiente para restituir a dignidade.

O jornalista humilde “procura conhecer corretamente os factos” e “não constrói estereótipos”.

Citando São Francisco de Sales, patrono dos jornalistas o Papa disse que é preciso “usar a palavra como o cirurgião usa o bisturi”.

No seu discurso, o Papa pediu que os jornalistas continuem a falar da “realidade de quem não se rende à indiferença, de quem não foge diante da injustiça, mas constrói com paciência no silêncio”.

O Papa ouviu com dor as estatísticas dos jornalistas que perderam a vida enquanto exerciam o seu trabalho e recordou que “a liberdade de imprensa e de expressão é um índice importante do estado de saúde de um País”.