D. Nuno Brás diz que a fé não é realidade paralela à atividade profissional

Foto: Duarte Gomes

D. Nuno Brás disse esta terça-feira, dia 14 de maio, que a fé não deve ser encarada como “uma realidade paralela à nossa atividade profissional”. 

O bispo do Funchal falava na Eucaristia de São Ivo, padroeiro dos Advogados, a que presidiu na Sé do Funchal e na qual marcaram presença o representante da Republica, o presidente emérito do Supremo Tribunal de Justiça, o Bastonário da Ordem dos Advogados, o presidente do Conselho Regional da Ordem e vários advogados.

Na homilia o prelado explicou que “não há razão para existir esta divisão”, porque “quando um jurista olha para a organização da sociedade humana, o que ele procura é a lógica do relacionamento entre os seres humanos, uma racionalidade que não existe apenas na natureza, mas que existe também no viver humano”. Uma racionalidade, prosseguiu, que “está para além das próprias leis, das próprias normas”, uma racionalidade “que está para além das decisões da maioria” e que evita até “aquilo a que poderíamos chamar uma ditadura da maioria e que se chama direito”.

O direito “como realidade que marca a própria natureza humana”, frisou, mas que é também “a única garantia de que, nestas relações entre os seres humanos, o pobre não é subjugado pelo poder, ou até pelo saber”. Neste sentido, disse, é importante perceber que “nós de facto não somos servidores das normas, mas servidores do direito e servidores de pessoas”. E a fonte do direito, para nós cristãos, “a encontramos no próprio Deus”. É por isso que “não existe, não pode existir oposição entre fé e direito, tal como não pode existir oposição entre fé e razão, ou fé e ciência”. 

Apenas percebendo e vivendo esta realidade, disse a terminar o prelado, “nós podemos verdadeiramente ser esta presença de Deus que é o defensor do pobre, que é o defensor do injustiçado”. E só assim podermos construir aquela “convivência ideal” entre os seres humanos que a primeira leitura nos apontava e que falava da distribuição a cada um “conforme a sua necessidade”.

Depois de reconhecer que ser jurista “é verdadeiramente uma vocação”, D. Nuno Brás disse que essa vocação deve ser posta ao serviço da construção “de um mundo novo, que encontra em Deus a sua razão de ser e para onde Deus convida a todos”.