Páscoa: passagem da morte à vida, da cruz à luz

D.R.

No fim da Via-sacra no Coliseu, em sexta-feira santa, o Papa Francisco pediu para rezar pela “cruz da Igreja” que hoje se sente atacada por dentro e por fora.

1.Pede insistentemente pelas “cruzes do mundo”, pelas “fragilidades da Igreja católica”, pela humanidade que vagueia na escuridão da incerteza e nas trevas da cultura do momento e pelas famílias despedaçadas pela traição, pelas seduções do diabo ou por uma tendência homicida de leveza e egoísmo”. E não esquece o nosso Planeta, como “casa comum” que hoje “definha gravemente diante de um olhar egoísta e cego pela avidez e pelo poder”.

O arcebispo de Braga destacou os “dramas” humanos que hoje constituem autênticos memoriais à morte de Cristo. Na sua homilia, em Sexta-Feira Santa, D. Jorge Ortiga lembrou a situação difícil de “quem não tem casa, família, trabalho, recursos económicos, alimentação, direitos sociais à saúde”.

Chamou a atenção para casos como o dos “jovens que morreram por causa da miséria e da violência”, das “adolescentes e jovens” confrontadas com a “praga do aborto”, do “flagelo da violência doméstica” e “das crianças e jovens de rua”. E desafiou a não esquecer os muitos homens e mulheres atirados para “tantas formas de dependência” e de “doença”, as pessoas que sofrem hoje “a marginalização e a exclusão social por razões religiosas, étnicas ou económicas”, os “refugiados” e “migrantes que fogem de situações bélicas e de perseguição”.“Não podemos passar ao lado destas situações graves. A morte de Cristo fala-nos de muitas vidas mortas”, frisou D. Jorge Ortiga.

2.O Bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, fez um apelo a «descobrir a presença de Deus nos lugares onde há sofrimento e morte». “É importante descobrir a presença de Deus nos lugares onde há sofrimento e morte, afirmando que  “o silêncio, o deserto, a abertura aos sofrimentos da humanidade, a contemplação dos nossos próprios sofrimentos, das nossas dores, das nossas cruzes, o jejum, a palavra e a oração são elementos que ajudam, seguramente, a bem celebrar e a bem viver o sentido deste dia”, enumerou.

O bispo do Funchal, D. Nuno Brás, concluiu a sua homilia da celebração da Paixão e Morte do Senhor, pedindo às pessoas que tenham sempre presente que a cruz representa o “amor de Deus” que “suporta” todo o “sofrimento da humanidade”, cada momento de “pecado”, cada ocasião de “morte”.

Pois é este amor de Deus que nos conduz à alegria da Ressurreição e da Vida. “Senhor Jesus, reaviva em nós a esperança da ressurreição e da tua vitória definitiva contra todo o mal e toda a morte”, completou o Papa, no final da Via-Sacra.

3.Em Viana do Castelo, D. Anacleto Oliveira promoveu uma visita pascal a algumas paróquias para levar às pessoas “a alegria” da festa da Páscoa e ao mesmo tempo estar mais próximo das comunidades que serve.

Em Moçambique, o arcebispo da Beira, na quinta-feira santa na cerimónia do “lava-pés”, lavou os pés a 12 pais de família que perderam suas casas no ciclone Idai. E apelou a “como cristãos vivermos a Páscoa deste ano de uma forma mais viva, mais intensa, porque participamos a nossa experiência, a experiência de Cristo no mistério pascal”.  E apontou para a vigília pascal: “Mas será sobretudo, na celebração da ressurreição de Cristo, quando celebrarmos batismos e matrimónios que a vida voltará a triunfar e a Páscoa será então a palavra de esperança, a palavra que merece a confiança de que a vida é mais forte do que a morte”. “Então também a cidade de Beira poderá renascer e ser até mais bonita do que era antes do ciclone”, concluiu Dom Cláudio.

4.E na manhã do dia de Páscoa, Colombo, capital do Sri-Lanka, sentiu uma série de explosões por suicidas de um grupo radical islâmico que espalhou a morte em hotéis de luxo e igrejas católicas, cheias de fiéis  a celebrarem a Festa da Páscoa, e muito frequentadas até por não cristãos. A oeste e este da Ilha registaram-se explosões idênticas. O número de vítimas andou por 156 mortos e 500 feridos. 

A religião católica é hoje “ a mais perseguida” nos países em que é minoritária e não só. No Sri Lanka, o cristianismo representa apenas 7% da população. Vozes que se levantaram indignadas pela tragédia em Christchurch, na Nova Zelândia quando foram mortos 50 muçulmanos em ataques a duas mesquitas, ficaram “solidamente mudas” perante um muito mais elevado número de cristãos mortos no Sri Lanka. Porquê?