Nossa Senhora de Fátima voltou a reunir centenas de peregrinos no Cabo Girão

Na homilia da Eucaristia que ali celebrou, D. Nuno Brás disse que a Virgem Maria pede-nos e ajuda-nos a ser mais e melhores discípulos do Senhor

Foto: Duarte Gomes

A caminhada faz-se lentamente. Os 274 degraus que ligam a estrada à entrada para o Cabo Girão e o Santuário de Nossa Senhora de Fátima, lá no topo da montanha, exigem algum esforço, sobretudo a quem os percorre com os pés descalços ou de joelhos. 

Nos dias 12 e 13 do mês de maio quem vê aquela escadaria de longe tem a sensação de olhar para um carreiro de formigas coloridas. Há umas que sobem outras que descem, que se cruzam por instantes, quem sabe para se certificarem de que é o mesmo motivo que as move: a fé.

Umas vão para pedir. Umas vão para agradecer. Umas vão simplesmente porque se sentem bem naquele pequenino santuário, minusculo se comparado com o do contienente. Mas a verdade é que, nestas questões de fé, o tamanho dos lugares pouco conta se a devoção é grande e a Senhora a mesma.

Há os que chegam de carro e só – como se o só não fosse o bastante – sobem a íngreme escadaria. E há os que começam a andar às 6.30 horas da manhã para ali chegarem perto das 11.30. Foi o que aconteceu com um grupo de peregrinos que partiu de Santo António e com quem nos cruzamos. Já não é a primeira vez que a fé junta este grupo e muito provavelmente não será a última. Além disso já estão habituados a caminhar em conjunto o que facilita as coisas, embora as outras caminhadas sejam por lazer e esta tenha outra finalidade.

Há quem chegue em silêncio, outros em oração, outros sem palavras, mas com todas as emoções à flor da pele. Muitas vezes as lágrimas rolam, o coração bate acelerado, num misto de cansaço e de dever cumprido. Gostam pouco de partilhar os motivos pelos quais sobem, menos ainda se o fazem descalços ou de joelhos. O bom senso manda não insistir numa resposta. Afinal, já lá diz o povo e bem “cada um sabe de si, e Deus sabe de todos”. E a Senhora lá no alto, lá saberá o que leva até Ela cada um daqueles peregrinos.

Este ano a afluência não foi diferente. Na verdade, diferente “para melhor”, foi o Santuário que muitos peregrinos acabaram por encontrar. O espaço, tal como o Jornal da Madeira teve ocasião de noticiar, foi alvo de obras de melhoramento, como o será todo o recinto envolvente, numa segunda fase dos trabalhos. Mesmo assim, deu para ver o ar de admiração e de satisfação daqueles que por ali passavam, e que diziam mesmo que “Nossa Senhora já merecia ver a casa arranjadinha”.

Ao meio-dia desta segunda-feira, 13 de maio, rezou-se o terço. Seguiu-se a Eucaristia, presidida pelo bispo do Funchal e depois a procissão. Na homilia D. Nuno Brás lembrou o diálogo entre Jesus, a sua Mãe e o discípulo amado. Foi no derradeiro momento da Sua vida, que o Senhor entregou “aquilo que tem de mais importante: a Sua Mãe e o Seu discípulo”. A partir desse momento o discípulo cuidou da Virgem Maria e vice-versa. Mas com este gesto, o Senhor queria ir muito mais longe e por isso “não entregou apenas aquele discipulo, entregou de facto todos os discípulos e a nós que somos baptizados, para que Ela cuidasse de nós”.

“E que bom que é termos esta Mãe que cuida de nós, que bom que é ir ter com Ela, que bom que é olhá-la nos olhos, que bom que é podermos abrir com Ela o nosso coração, que bom que é esperarmos Dela uma palavra de acolhimento, de amor, de consolação, de coragem”, frisou D. Nuno Brás.

Mas, tal como João, também nós temos de receber a Mãe em nossa casa, o que passa por “escancarar o nosso coração”, fazendo da Senhora alguém de casa, com quem temos intimidade. Significa que “queremos ser como Ela”, isto é, “queremos ser todos  de Jesus”, vivendo a vida com normalidade, mas colocando “o Senhor em cada momento da nossa vida”. 

No fundo, “a Virgem Maria pede-nos e ajuda-nos a ser discípulos do Senhor, mais cristãos e melhores cristão, não apenas uma hora na semana, mas 24 horas por dia, nos sete dias de cada semana”. 

No final da celebração, o Pe. Adelino da Costa Macedo, pároco da Quinta Grande, agradeceu a presença de D. Nuno Brás e de todos quantos quiseram voltar a manifestar a sua fé naquele santuário, onde o bispo diocesano ainda procedeu à bênção de alguns simbolos religiosos levados pelos peregrinos.

(Atualizado dia 17.05.2019 às 9 horas)