Igreja do Colégio cheia para homenagem aos militares que serviram na Índia e no Ultramar

Na homilia D. Nuno disse que “a vida cristã é muitas vezes comparada a uma luta”, em primeiro lugar com nós mesmos e depois para fazer com que aquele que venceu em nós vença nos outros.

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu na manhã deste domingo, dia 12 de maio, a uma Eucaristia de homenagem aos Combatentes na Índia (1954-61) e no Ultramar (1961-75), na igreja do Colégio. 

Uma celebração organizada pelo Comando Militar da Madeira, no decorrer da qual se assinalaram outros dois momentos importantes, nomeadamente o 1º aniversário do Movimento dos Militares Madeirenses que Serviram no Ultramar, e o próprio aniversário natalício de D. Nuno Brás, que neste dia completou 56 anos, e a quem se cantou o ‘Hino à Vida’ e se ofereceram flores.

Na homilia deste que era também Domingo do Bom Pastor,  o prelado disse que “a vida cristã é muitas vezes comparada a uma luta”. Uma luta em primeiro lugar com nós mesmos, que nos obriga a “uma conversão diária”, e a “deixar para trás o mal para o qual estamos sempre muito inclinados” e a “aderirmos ao bem”. No fundo, uma luta para “deixarmos que Deus vença em nós”. 

Depois, o próprio cristianismo implica “uma luta pela preocupação de fazer com que aquele que venceu em nós vença também nos outros” alargando “a vitória de Deus sobre o mal”. 

A grande questão, prosseguiu, D. Nuno Brás é sabermos por onde começar esse caminho, essa luta.  O Evangelho que acabara de ser proclamado, adiantava a resposta: “as minhas ovelhas escutam a minha voz”. Ou seja, a primeira atitude “para sermos mais e melhores cristãos”, disse, é “escutar a voz do Senhor”. E escutar, frisou, “é deixar que Deus nos ensine”, como fez com os apóstolos, e deixar que “esses ensinamentos façam parte da nossa vida” e a “transformem”. 

Por outras palavras, “o discípulo é aquele que escuta O mestre, é aquele que se coloca nesta atitude de disponibilidade para aprender do mestre, é o que percebe que O mestre tem algo importante a dizer e que por isso dispõe-se a ouvir as palavas e as ideias, mas também a acolhê-las e a deixar que façam parte da sua vida.” Escutar verdadeiramente, significa “deixar-se moldar por Deus” e não o contrário, “criando uma religião e um Deus à nossa medida” e deixando “lugares de sombra na nossa vida”, onde Deus não entra.

No decorrer desta celebração, em que marcaram também presença os representantes das mais altas entidades civis e militares da região, muitos antigos combatentes e respetivas famílias, foram ainda benzidas duas imagens, que vão fazer parte do espólio religioso do espaço museológico do Regimento de Guarnição nº3 da Zona Militar da Madeira (ZMM).

Uma dessas imagens, a de Nossa Senhora do Monte, é uma réplica da imagem original que ficou na Índia – Damão Pequeno, e que foi oferecida pela 2.ª Companhia da Madeira que lá esteve (1955-1957). A outra imagem é também uma réplica da imagem de São Nuno de Santa Maria, Patrono da Infantaria, que também foi oferecida pela mesma companhia.

Terminada a celebração, os presentes foram convidados a dirigir-se às antigas instalações do Batalhão Infantaria 19 (Antigas instalações da Universidade Católica), onde se pocedeu à entrega oficial das imagens e onde o Major-General Carlos Perestrelo, Comandante da ZMM, usou da palavra. Uma intervenção que serviu essencialmente para pedir uma reflexão à sociedade para que “os valores e os sacrificios de tantos portugueses no passado não sejam esquecidos no presente e no futuro”.