D. Nuno no Santuário de Fátima – Cabo Girão: Precisamos destes lugares onde podemos encontrar Deus

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu ao fim da tarde de quarta-feira, dia 8 de maio, à Eucaristia de dedicação do Santuário localizado no Cabo Girão a Nossa Senhora de Fátima. A cerimónia, com ritos próprios e carregada de simbolismo e espiritualidade, iniciou-se com o bispo da Diocese a abrir as portas do Santuário que, até então se mantinham encerradas, e a entrar. Atrás dele seguiram os sacerdotes que com ele concelebraram, autoridades regionais e locais e inúmeros fiéis, nomeadamente da paróquia da Quinta Grande, mas não só, que aguardavam no amplo adro.

Lá dentro havia luz apenas na zona do altar, ainda desnudo. Não havia flores, nem velas acesas. Logo no início da Eucaristia, D. Nuno Brás começou por proceder à bênção da água, com que aspergiu o altar a assembleia e as paredes do Santuário, totalmente remodelado e preparado não só para a celebração da litúrgica, mas e também para outras actividades, nomeadamente culturais, como já antes referira o arquitecto Cunha Paredes, que fez uma resenha histórica daquele espaço de culto e explicou as modificações a que o mesmo foi sujeito. 

Na homilia, o prelado começou por sublinhar que “Deus não tem absolutamente necessidade de casas, porque tudo é dele”. O importante é que O Adoremos, “em espírito e verdade”, onde quer que seja. Porém, “nós, seres humanos, precisamos de casas”, de um lugar “onde possamos estar, ser nós próprios e onde nos encontremos ao abrigo de tudo quanto nos é estranho” e “precisamos destes lugares onde, estando em casa, podemos encontrar Deus”. Para isso é preciso escutar o convite, “hoje e sempre”, o que Jesus fez a Zaqueu: “Eu hoje preciso ficar em tua casa, na casa do teu coração”. Daí o desejo expresso por D. Nuno Brás de que “sejamos capazes de verdadeiramente, entrando numa igreja, deixar que ressoe aos nossos ouvidos e ao nosso coração este convite de Jesus” e que “ao peregrinarmos a este Santuário, encontremos a Virgem Maria, Ela que é a casa de Deus, que ao peregrinarmos a este Santuário encontremos o Senhor, e deixemos transformar o nosso coração nesta casa, que é casa de Deus”, aquela cada que “Ele quer habitar e onde se quer encontrar connosco”.

A cerimónia prosseguiu com outros ritos importantes, nomeadamente a unção do altar e das quatro cruzes colocadas, uma junto ao Santíssimo Sacramento e as restantes três nas colunas ali existentes, a incensação do altar e dessas mesmas cruzes, o iluminar do templo para além do altar, o acender das velas e a colocação das flores nos locais designados para o efeito.

Nesta que foi a sua primeira dedicação como bispo da Diocese do Funchal, D. Nuno Brás dirigiu-se ainda ao exterior do Santuário, para proceder à bênção de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima que se encontra na torre sineira. 

No final da celebração coube ao Pe. Adelino Macedo Costa, pároco da Quinta Grande, “agradecer a todos aqueles que colaboraram para que este Santuário esteja hoje mais digno para celebrarmos a fé”, em primeiro lugar “aos paroquianos, aos peregrinos e particulares que colaboraram com as suas ofertas”. Agradeceu também a presença de D. Nuno Brás e demais sacerdotes, bem como às entidades regionais, do concelho e da freguesia que se associaram a esta celebração.

No encerramento da Dedicação foi lida a acta desta mesma cerimónia, que foi assinada pelo bispo diocesano, pelo pároco e pelas entidades presentes.