Celebração ecuménica homenageou vítimas do acidente de autocarro

Foto: Duarte Gomes

A Igreja do Caniço acolheu esta quinta-feira, dia 25 de abril, uma celebração ecuménica em homenagem às vítimas do trágico acidente ocorrido na passada semana com um autocarro, do qual resultaram 29 mortos e 27 feridos.

A celebração foi presidida pelo bispo do Funchal, tendo contado também com a presença da pastora Ilse Berardo, da Igreja Luterana, que se encarregou de traduzir para alemão algumas das leituras e mensagens. Nela participaram inúmeros fiéis, mas também várias entidades regionais, entre as quais o representante da República, o presidente do Governo e o presidente da Câmara de Santa Cruz. 

“Este é um momento em que somos confrontados com esta realidade primeira e última: a realidade da vida e da morte”, começou por sublinhar o prelado, segundo quem, apesar dos avanços civilizacionais e das conquistas da humanidade, a verdade é que “diante de nós está sempre este limite da vida e da morte”. Parece um momento em que “estamos sozinhos”, mas na verdade “não estamos, porque Deus está connosco”. É isso que nos diz o Mistério Pascal, que nos mostra que, para além da vida biológica, “existe a vida divina, que Deus quer partilhar connosco “.

Neste contexto e referindo-se ao “acidente trágico”, em que “29 irmãos nossos perderam a vida”, o bispo diocesano disse que “aquele acidente não foi a última palavra. A última palavra é esta palavra de misericórdia, é esta palavra de salvação, esta palavra que recebemos do próprio Jesus Cristo”. 

“Aquele acidente não pode deixar de nos interrogar”, prosseguiu D. Nuno. É que, “Aconteceu àqueles nossos irmão, mas podia ter acontecido a cada um de nós. Pode acontecer a qualquer um de nós.” A questão é “como é que nós vivemos de modo a estarmos preparados pera ele”. Os meios de socorro, frisou, funcionaram e bem, “mas e os nossos meios de socorro? Estão prontos para funcionar? Cada um de nós está preparado este encontro com a vida cheia, com a vida plena que é Jesus Cristo? Vivemos como alguém que vive para Deus ou como alguém que vive para a morte?”

Deixadas estas interrogações para cada qual responder, o Bispo Diocesano desejou que “o Senhor nos ajude e que este acidente também nos ajude a todos a vivermos preparados para a vida, a vivermos preparados para aquele momento único em que deixando a nossa vida biológica, natural, vamos passo a passo com este Senhor Jesus que é luz a caminho deste encontro com Ele”.

Um dos momentos mais emotivos desta celebração aconteceu quando 29 crianças passaram em frente ao altar, cada uma com uma pequenina vela, simbolizando cada um daqueles que perderam a vida naquele dia.

Os presentes foram depois convidados pelo pároco do Caniço, o Pe. Rui Pontes, a seguir até ao local do acidente, onde se concluiu a cerimónia com uma oração e o depositar das flores que cada uma das pessoas levava e ainda de duas coroas de flores, um dos funcionários da unidade hoteleira onde as vítimas estavam hospedadas e outra da Igreja, depositada pelo próprio D. Nuno.