Quinta-feira Santa faz nascer amor e comunhão

D.R.

A Quinta-Feira Santa: “sabe a Deus, sabe a pão, sabe a alegria, sabe a Eucaristia, a dádiva da vida, e faz nascer amor e comunhão.”, D. António Couto, bispo de Lamego.

1.Em Quinta-feira Santa, a Igreja celebra a memória da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e da Caridade.

A Ceia do Senhor: «O Senhor Jesus, na noite em que ia ser entregue, recebeu o pão, e dando graças, partiu-o, e disse: “Isto é o meu corpo, que é para vós; isto fazei para memória de mim”. Do mesmo modo fez com o cálice, depois da ceia, dizendo: “Este cálice é a nova Aliança no meu sangue; isto fazei, sempre que o beberdes, para memória de mim”. Portanto, sempre que comerdes este pão e beberdes este cálice, estais a anunciar a morte do Senhor até que Ele venha» (1 Coríntios 11,23-26).

2.Neste dia, Jesus instituiu o Sacramento da Ordem Sacerdotal,  e a Igreja celebra o ‘dia do sacerdote’. “Este dia é especialmente grande para nós, queridos irmãos sacerdotes. É a festa dos sacerdotes. É o dia em que nasceu o nosso Sacerdócio, que é participação do único Sacerdócio de Cristo Mediador”, escreveu São João Paulo II aos presbíteros, em 1986.

“Neste dia, os sacerdotes do mundo inteiro são convidados a concelebrar a Eucaristia com seus bispos e a renovar ao seu redor as promessas de seus compromissos sacerdotais a serviço de Cristo e de sua Igreja”, acrescentou.

O sacerdote serve a Deus especialmente na Eucaristia e na administração dos sacramentos, no exercício do perdão. Foi constituído mediador entre Deus e os homens.

A vida do sacerdote não é fácil. Tem de privar-se de muitas coisas, para educar e formar milhares de fiéis, que muitas vezes terminam fazendo o contrário de seus conselhos.

Alguns, como enviados ao povo carente material e espiritualmente, passam fome, sede e frio para levar o Evangelho a lugares distantes. Outros são incompreendidos, perseguidos e caluniados por anunciarem a verdade que faz doer a muita gente.

Mas o importante, como recordou o Papa Francisco em 2013, é que o sacerdote deve fazer com que nosso povo nos sinta discípulos do Senhor. E viver a alegria.

3. Na Ceia, Jesus lavou os pés aos discípulos. «Como Eu vos fiz, fazei vós também!» (João 13,15). Somos convidados a fazer como Jesus. O segredo é dar a vida por amor, para sempre, para todos. Jesus é o único Mestre que ensina a viver desta maneira. E é assim que fica bem à vista do nosso coração o significado da instituição da Eucaristia, do Sacerdócio e da Caridade.

O Papa Francisco é um seguidor de Jesus. Está com todos mas especialmente com os pobres. Celebra o ‘lava-pés’, na quinta-feira santa, com representantes de todo o mundo, com os sem teto, com os prisioneiros. Beija e acarinha crianças, idosos, doentes, os mais pobres dos pobres, muitas vezes esquecidos e desprezados pela família e pela sociedade. Visita-os. Surpreende pela sua dimensão e vivência do amor fraterno. Tem uma vida de doação aos pobres, que já vem de Buenos Aires, uma grande cidade, mas com muitíssimas barracas de pobres nas periferias (como eu tive oportunidade de ver), onde ele era uma presença amiga e querida.

Olhando para o nosso mundo de hoje, materialista e egoísta, imbuído de ‘mundanidade’, secularizado, há uma onda de perseguição à religião, aos cristãos. E os sacerdotes católicos – cerca de 400 mil – também são perseguidos e mortos porque são vozes que ‘incomodam’. A pelam para os valores do cristianismo que até fazem parte dos ‘direitos humanos’ e dizem respeito à integridade e dignidade do homem.

4.Na exortação “Cristo Vive » o Papa Francisco indica aos jovens o caminho do sacerdócio. E há muitos que continuam a escutar o apelo ao serviço de Deus e dos irmãos. Há jovens generosos.

A vocação missionária tem a ver com o nosso serviço aos outros. «Com efeito, a nossa vida na terra atinge a sua plenitude, quando se transforma em oferta» (‘Cristo vive’, número 254). «Para realizar a própria vocação, é necessário desenvolver-se, fazer germinar e crescer tudo aquilo que uma pessoa é. Não se trata de inventar-se, criar-se a si mesmo do nada, mas descobrir-se a si mesmo à luz de Deus e fazer florescer o próprio ser» (257). 

Papa Francisco fala das “vocações a uma consagração especial”. «No discernimento duma vocação, não se deve excluir a possibilidade de consagrar-se a Deus…Porquê excluí-lo? Podes ter a certeza de que, se reconheceres uma chamada de Deus e a seguires, será isso que dará plenitude à tua vida» (276).

«Reconhecer a própria vocação é  uma tarefa que requer espaços de solidão e silêncio, porque se trata duma decisão muito pessoal que mais ninguém pode tomar no nosso lugar» (283). «O dom da vocação será, sem dúvida, um dom exigente. Os dons de Deus são interativos e, para os desfrutar, é preciso pôr-me em campo, arriscar» (289).

E conclui com «um desejo»: «Queridos jovens, ficarei feliz vendo-vos correr atraídos por aquele Rosto tão amado, que adoramos na sagrada Eucaristia e reconhecemos na carne do irmão que sofre… A Igreja precisa do vosso ímpeto, das vossas intuições, da vossa fé…E quando chegardes aonde nós ainda não chegamos, tende a paciência de esperar por nós».