D. Nuno Brás: “Domingo de Ramos ensina-nos o modo de sermos cristãos”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal afirmou este domingo, dia 14 de abril, na homilia da Missa do Domingo de Ramos que a liturgia deste dia “ensina-nos o modo de sermos cristãos: o que havemos de anunciar e como o havemos de fazer.”

Daí o apelo: “Peçamos ao Senhor que nos grave hoje, no coração, essa qualidade única que queremos marque a nossa vida: ser discípulos daquele Jesus que por amor se ofereceu na cruz.”

D. Nuno Brás disse ainda que, neste dia, a Palavra de Deus convida-nos a uma atitude “serena”, como aquela com que o próprio Jesus viveu todos estes momentos, “certo de que, precisamente nesta aparente derrota, se manifesta o máximo do amor divino por nós, por todos.” Trata-se, disse, “de deixar que, também em nós, o amor de Deus (o mesmo que conduziu Jesus à cruz) se manifeste, dê forma ao nosso modo de ser e de viver.”

O Evangelho, prosseguiu, “ensina-nos também o conteúdo daquilo que os discípulos de Jesus têm a dizer ao mundo e também a forma com que, neste nosso século XXI, o havemos de anunciar. A mensagem de Jesus há-de dar forma ao nosso modo de viver, ao nosso “estilo de vida” de cristãos.”

“Deus criou-nos únicos”

No primeiro dia da Semana Santa, mas também Dia Diocesano da Juventude, D. Nuno Brás citou o Papa Francisco e a sua recente Exortação Apostólica “Cristo vive”, publicada na sequência do Sínodo dos Bispos sobre os jovens, que convidou a assembleia que enchia por completo a Sé “a ler e a meditar.”

Fê-lo para sublinhar a importância dos jovens e para questionar de que forma eles podem “dar testemunho deste Deus que é amor, que nos salva em Jesus Cristo e que vive hoje connosco? Que estilo, que modo de viver havemos de assumir para mostrar como tudo isto é vida e importante para a vida de todos, e não um simples discurso retórico?”

O Papa Francisco, recordou ainda D. Nuno, apontava três aspetos como resposta a estas perguntas, mas não sem antes recordar as palavras de Carlo Acutis, jovem italiano falecido em 2006, “que gostava de lembrar: “todos nascem como originais, mas muitos morrem como fotocópias”. Quer dizer, frisou o prelado, “Deus criou-nos únicos, e nós temos a tendência de nos irmos copiando uns aos outros, pensando que, desse modo, seremos melhores quando, de facto, não é assim.”

“Por isso, diz também o Santo Padre (primeiro ponto): “Ousa ser mais, porque o teu ser é mais importante do que qualquer outra coisa; não precisas de ter nem de parecer. Podes chegar a ser aquilo que Deus, teu Criador, sabe que tu és, se reconheceres o muito a que estás chamado. Invoca o Espírito Santo e caminha, confiante, para a grande meta: a santidade. Assim, não serás uma fotocópia; serás plenamente tu mesmo” (107). E ainda: “Para a juventude desempenhar a finalidade que lhe cabe no curso da vida, deve ser um tempo de doação generosa, de oferta sincera, de sacrifícios que custam mas nos tornam fecundos” (108).”

De seguida, explicou D. Nuno, “o Papa Francisco convidava (segundo Ponto): “Se és jovem mas te sentes frágil, cansado ou desiludido, pede a Jesus que te renove. Com Ele, não se extingue a esperança. […] Cheio de vida, Jesus quer ajudar-te para que valha a pena ser jovem. Assim, não privarás o mundo daquela contribuição que só tu – único e irrepetível, como és – lhe podes dar” (109).

E, finalmente: “É muito difícil lutar […] se estivermos isolados. O isolamento enfraquece-vos e expõe-vos aos piores males do nosso tempo” (110).

Por outras palavras, “ousar ser como Deus nos pede, com Jesus e na companhia dos irmãos: é, segundo o Papa, o modo de anunciar o amor de Deus que se manifestou na cruz de Jesus — deste Jesus que venceu a morte e vive para sempre.”

É tudo isto que, frisa D. Nuno, “descobrimos também nesta liturgia de Domingo de Ramos: a vitória serena mas firme daquele que por amor de cada um de nós viveu a cruz e, desse modo, se entregou ao Pai e aos irmãos, mostrando que o amor de Deus é vida entregue e proposta para todos.”

Demais celebrações da Semana Santa

Este foi o primeiro Domingo de Ramos que D. Nuno presidiu na qualidade de bispo do Funchal. Um domingo que se iniciou com a Bênção dos Ramos na Igreja do Colégio, de onde os fiéis seguiram depois em procissão até à Sé. Um momento para D. Nuno “saudar os jovens presentes, neste dia que lhes é dedicado de forma particular” e “saudar também um grupo da paróquia do Barreiro, em Setúbal, que connosco quer celebrar este Domingo de Ramos”.

Seguem-se agora as restantes cerimónias pascais, na Sé, a começar pela Quinta-feira Santa, dia 18 abril, com a Missa Crismal, às 10 horas e Missa da Ceia do Senhor e Adoração às 18 horas.

Na Sexta-feira Santa, dia 19 de abril há Oração das Laudes e Ofício de Leitura, às 9:30 horas, Celebração da Paixão do Senhor, pelas 17 e Procissão do Enterro do Senhor, na Sé e nas ruas da baixa da cidade, às 19 horas.

No Sábado Santo, 20 abril, Oração das Laudes e Ofício de Leitura e às 21:30 horas a celebração da Vigília Pascal

Finalmente, no Domingo de Páscoa o prelado vai presidir, às 10:45 horas à Procissão da Ressurreição, que saírá da Sé, largo D. Manuel I e avenida Arriaga regressando à Catedral, onde se celebara a Missa da Ressurreição, às 11 horas.