D. António Carrilho: “Quis ser e quero ser bispo e pastor de todos e para todos”

Foto: Duarte Gomes

Foi com uma Eucaristia na Sé e um jantar no Colégio de Santa de Santa Teresinha que D. António Carrilho, bispo emérito do Funchal, assinalou esta quinta-feira, dia 11 de abril, o seu 77º aniversário natalício.

A celebração eucarística reuniu na Catedral o atual bispo do Funchal, D. Nuno Brás, o bispo emérito, D. Teodoro de Faria, boa parte do clero madeirense, seminaristas, religiosos e religiosas, membros de institutos de vida consagrada, responsáveis e membros dos movimentos da Igreja, autoridades, familiares e amigos vindos do continente, e muitos fiéis que quiseram associar-se a este momento de ação de graças. A todos, D. Nuno Brás agradeceu, como agradeceu também “todo o bem que Deus nos fez por intermédio do senhor D. António Carrilho” e ao próprio “por sermos mais Igreja e mais cristãos ao longo de todos estes anos (12) em que contamos com o episcopado e o serviço apostólico do senhor D. António”.

“Agradecemos a sua disponibilidade, a sua ação, o seu saber, mas hoje queremos com ele dar graças a Deus por tudo o que ele foi ao longo destes anos”, frisou ainda D. Nuno Brás.

Já D. António, a cargo de quem ficou a homilia desta concelebração eucarística, começou igualmente por agradecer a presença de todos, “saudando através de vós, toda a Diocese a quem me sinto profundamente ligado, pela missão dos últimos 12 anos de bispo no meio de vós”.

D. António aludiu depois às leituras da celebração, as quais foram por si escolhidas, para falar precisamente da “imagem do Pastor”. E o pastor de que falava a primeira leitura e que “coloca Deus no meio do seu povo, como pastor junto do seu rebanho, o próprio Deus virá apascentar as suas ovelhas, congregá-las, tratar delas, fortalecê-las, procurá-las, ir ao seu encontro e ter presente certas situações”.

De resto, Deus disse “Eu Sou o bom pastor, dou a vida pelas minhas ovelhas” e foi isso que fez, tendo “ensinado aos seus discípulos a começar pelos apóstolos, pelos bispo e sacerdotes, os cristãos em geral, a preocuparem-se com todos os homens e mulheres, dando respostas evangélicas aos seus anseios e necessidades, alimentando as suas fomes e saciando as suas sedes”.

Neste contexto, disse que “quis ser e quero ser, bispo e pastor de todos e para todos, dando atenção não apenas aos aspetos religiosos, mas às diversas dimensões da vida humana, espiritual, educativa, cultural, social e existencial, neste caso com o apoio solidário de instituições apropriadas, com propostas para situações concretas, como foi o caso do 20 de fevereiro de 2010, os incêndios e a queda da árvore no Monte”. Acontecimentos que, frisou, “trouxeram grande sofrimento e a morte a muita gente”.

Quanto ao texto do Evangelho e à mensagem da parábola da videira verdadeira, D. António lembrou que ela diz que “quem permanece em mim e eu nele dará fruto dará fruto abundante”, para logo acrescentar que “viver em Cristo é a grande exigência de uma espiritualidade cristã” e que “unidos à cepa, unidos a Ele daremos frutos de boas obras, diria de marca cristã”, mas “separados Dele, tal não é possível do mesmo modo e na mesma medida”.

O bispo emérito afirmou ainda que “a santidade da vida e unidade das nossas vocações são duas exigências da vida dos discípulos de Jesus e a formação da consciência moral e ética é pressuposto da vida cristã e por isso pressuposto e projeto de toda a ação pastoral”. Assim sendo, prosseguiu, “ninguém poderá duvidar de que esta formação seja um objectivo e preocupação do anúncio evangelizador da Igreja”. Ninguém pode por isso “impedir uma Igreja aberta a todos, solidária e cooperadora, respeitando as consciências das pessoas e a autonomia das diversas instituições, a sua própria natureza e cooperação em ordem ao maior bem da sociedade”.

Prosseguindo, e numa alusão à segunda leitura, D. António disse que “com frequência se fala da Igreja como se tudo se concentrasse na pessoa do bispo ou nos serviços administrativos de uma Diocese” e com frequência “ainda se encontra entre nós esta ideia, que não é verdadeira, onde a pessoa do bispo aparece simplesmente como chefe da igreja, ao lado dos líderes das mais diversas instituições”. Mas são Paulo apresenta a Igreja como corpo de Cristo, o que “implica a consciência da diversidade e unidade de todos os seus membros, em co-responsabilidade e profunda relação com Cristo, cabeça deste corpo”.

Foi isso, de resto, que procurou fazer ao longo destes 12 anos, através nomeadamente da criação de “algumas estruturas de participação” na Diocese do Funchal, de acordo com as disponibilidades de cada comunidade. É por isso, e numa referência a esta homenagem, que D. António Carrilho disse “a homenagem que a mim me é hoje prestada, mais do que a mim pessoalmente quero que seja homenagem a todas as pessoas que se empenharam com generosidade, dedicação e competência, na concretização de muitos projetos. Numa palavra é uma homenagem a toda a Igreja diocesana”.

Apesar de entender que aquele não era o tempo para “resumos ou apreciações” sobre os últimos anos, o prelado não quis deixar passar a ocasião sem referir acontecimentos que marcaram o seu episcopado. “Por um lado, de forma jubilar e de grande dinamismo apostólico e por outro com razões de profundo sofrimento, recordou as visitas da Imagem Peregrina de Nossa Senhora de Fátima, durante 7 meses, entre 2009, e 3 semanas em 2016, os 500 anos da criação da Diocese, os 500 Dedicação da Sé do Funchal e o acompanhamento dos processos de canonização da Maria do Monte, da Madre Virgínia e da Irmã Wilson.

Além disso, “não podemos esquecer a presença solidária da Igreja, nas suas diversas instituições sociais e na ação de tantos cristãos partilhando as alegrias e os sofrimentos da população”.

D. António recordou ainda que há 12 anos, fiel ao chamamento que lhe foi dirigido por Bento XVI, e impelido pelo seu lema episcopal, “fiz-me ao largo”, deixando para trás o Porto e chegando ao Funchal como “bispo desta querida Diocese da Madeira e do Porto Santo”. Vinha com a recomendação do Santo Padre para que trabalhasse de tal modo “que os fiéis a ti confiados sejam fortes na fé, alegres na esperança solícitos na caridade e assíduos às Mesas da Palavra e da Eucaristia”. A esta missão, acrescentou à sua chegada as seguintes palavras: “queria sobretudo chegar ao vosso coração e tornar-me vosso bispo, um servidor da esperança, da esperança de Deus, da vossa esperança”.

Foi isso que procurou fazer ao longo destes anos, “com empenho e alegria, vivendo momentos muito felizes em grande proximidade com o nosso bom povo da madeira e do Porto santo e procurando assumir do mesmo modo as exigências, dificuldades e sacrifícios inerentes à missão”.

Antes da bênção final, o cónego Fiel de Sousa dirigiu algumas palavras a D. António para agradecer não só o dom da vida, mas “a entrega dessa vida a Deus”, por ter sido “a força primeira, quer nas horas mais sombrias, quer nas de sol radiante” e por ter oferecido “todos os martírios quotidianos da sua vida”, pela sua Diocese.

Depois de sublinhar que D. António “sempre contou com todos”, o vigário geral reconheceu que o prelado “incentivou e muito sofreu quando a colaboração era mais débil ou enfraquecida, por tantas e diversas razões”. Contrariando o desejo de respostas rápidas para as situações, que regra geral se revela “contraproducente”, passou horas “em diálogos e reuniões para que se encontrassem as melhores propostas e respostas humanas, espirituais e pastorais”.

O vigário geral disse ainda que “a história da Diocese não poderá ser feita sem colocar em relevo todo o seu esforço em todas as vertentes, a nível cultural, religioso e social” que desenvolveu.

Como já referimos a esta celebração seguiu-se um jantar no colégio de Santa Teresinha no decorrer do qual foram dirigidas mais algumas palavras de felicitação a D. António Carrilho, nomeadamente pelo Pe. Ricardo Teixeira, scj em nome da Conferência dos Institutos Religiosos de Portugal (CIRP) e Paula Margarido em nome dos leigos. Palavras não só pelo seu aniversário natalício, mas também pelos 12 anos à frente da Diocese do Funchal. A noite terminou com o cantar dos parabéns ao prelado e o partir do bolo de aniversário.