A Igreja um povo com comunidades alegres, acolhedoras e em comunhão

Foto: Vatican Media

O Papa encontrou-se em Roma com os participantes no III Encontro Mundial dos Movimentos Eclesiais e das Novas Comunidades que decorreu sob o tema: “A alegria do Evangelho, uma alegria missionária”. Na sua intervenção, Francisco abordou três aspetos fundamentais para a vida destes movimentos.

1.Em primeiro lugar, preservar a atualidade/alegria do carisma, já que a novidade das experiências destes movimentos “não consiste nos métodos e nas formas, mas na disposição em responder com renovado entusiasmo ao chamamento do Senhor.” Certa congregação chegou a ter um número mínimo de membros porque seu carisma de fundação estava “sem horizontes”. Refiro-me à instituição eclesial para resgate dos escravos. Abolida a escravatura que iriam fazer esses membros, se não havia escravos para resgatar, como havia no tempo da fundação do instituto?! Perante a inutilidade, houve a coragem de encontrar um novo campo. Afinal uma nova escravatura aparecia na sociedade. Lançam-se a esse novo trabalho com um novo fervor e audácia, e de novo o instituto ocupou o lugar que lhe estava destinado e com novo vigor. E na fidelidade ao carisma do fundador, pois há centenas de milhões de pessoas vítimas das novas escravaturas dos tempos modernos como são os sequestros, os raptos, os trabalhadores explorados. 

Muitos institutos ou congregações estiolam por falta de criatividade dos seus membros. Andam por aí vagueando sem saber onde poisar…

2.Em segundo lugar, o Santo Padre referiu-se ao modo de acolher/acompanhar os homens do nosso tempo, em particular os jovens, e exortou todos a resistirem à tentação de se substituírem à liberdade das pessoas, dirigindo-as sem esperar que cresçam realmente”. Hoje ainda há gente à caça de vocações nas catequeses ou nas escolas. Mas já os seminários menores fecharam portas e são casas abandonadas. Não é fácil enganar um adulto, quanto mais uma criança. Eles é que veem se vale ou não a pena ser padre ou ser missionário.

Pelos exemplos que lhes passam pelos olhos, e pelo tratamento mais ou menos humano ou desumano com que são tratados. O jovem hoje quer “tocar” a vida em que vai viver e não se deixa enganar. Mostremos carinho, apoio espiritual e material conveniente. 

Querem conhecer casos concretos com exemplos de vida sacerdotal ou missionária. Acolher e acompanhar os jovens nas suas dificuldades e na sua integral dignidade corpo-alma é fundamental. É a única via evangélica. E podemos perguntar: alguém quererá ser “líder/servo” de uma Igreja perseguida fora e dentro de si própria? Contemos com a força do Espírito Santo.

3. Por último, o Papa pediu aos participantes no III Encontro Mundial dos Movimentos Eclesiais e das Novas Comunidades para não esquecerem que o bem mais precioso é a comunhão, a “graça suprema que Jesus conquistou na Cruz”, e que esta não pode existir num movimento ou numa comunidade se não se integra na comunhão maior que é a Igreja.

Em todos os movimentos eclesiais e comunidades há-de ser visível e sensível o ambiente de comunhão. Para isso é necessário afastar de cada membro todo o espírito de ciúmes, de ódios, de má vontade, de desarmonia, ou de dor de cotovelo, de intrigas, de fofocas, de destruição do outro porque nos incomoda ou porque é mais inteligente, ou porque foi para a universidade, e por isso tem estudos e um tratamento especial. É certo que todos têm lugar na comunidade mas respeitando integralmente sua riqueza de dons, sua capacidade e seu direito a serem igualmente bem tratados. A vida da comunidade tem de ser vivida mais com o coração, no sentido bíblico, do que com a inteligência. Comunidade com divisões ou comunidade sem amor nem sequer pode ser abençoada por Deus.