Ciclone Idai:  as ‘mãos generosas’ da solidariedade

Mulher é levada para fora de um centro de saúde em Beira, em Moçambique, 26.03.2019 | Foto: Mike Hutchings/ Reuters

1.Várias organizações de Portugal mobilizaram-se para fazer chegar ajudas de emergência à população moçambicana vítima do ciclone Idai e recolherem fundos que permitam fazer face às consequências desta catástrofe: Cáritas Portuguesa, Autarquias, Dioceses, Fundação AIS, Misericórdias, Cruz Vermelha, Institutos missionários e seus colaboradores,… muitos organismos empenhados na ajuda de emergência, com campanhas de recolha de donativos.

O Governo português esteve presente com apoio generalizado em recursos humanos: Militares, Proteção civil, operações de resgate, toneladas e toneladas de géneros multivariados em voos da Força aérea e voos alugados, privilegiando a alimentação e saúde, e os recursos humanos com centenas de médicos, enfermeiros, voluntários; apoio logístico, em todos os campos.

2.A Cáritas é uma das maiores instituições mundiais que honra a Igreja católica. E está presente em quase todos os países, nas Cáritas diocesanas, numa onda de solidariedade perante qualquer tipo de catástrofes. A Cáritas portuguesa enviou logo um donativo de emergência à Cáritas moçambicana. Depois do processo de resgate está a preocupação com os cuidados médicos perante uma provável epidemia de cólera e malária que se quer evitar a todo o custo. E perante 75 mil grávidas. 

A Cáritas  Portuguesa já estava colaborando em situações de emergência e catástrofes, com o “financiamento de projetos de reconstrução” e de “desenvolvimento das comunidades”. As cheias têm sido um fator de grande fragilidade para a população moçambicana e em 2018, pela mesma razão, a Cáritas prestou um apoio às vítimas das enxurradas nas dioceses de Nampula, Nacala e Lichinga, a Norte e Arquidiocese da Beira, no Centro de Moçambique. 

O responsável, Eugénio da Fonseca, explicou que a Cáritas não recolhe géneros para não sobrecarregar a operação logística, “que tem custos”. Nosso apoio dependerá das solicitações e das disponibilidades financeiras que possamos vir a ter”. “Todo o dinheiro que for angariado será diretamente para as pessoas”, para “todos os moçambicanos”, independentemente de convicções “religiosas ou políticas”.

Após a passagem do Idai, foram investidas dezenas milhares euros, na aquisição de kits de alimentação e de higiene.

3. Por parte da Cáritas moçambicana afirmou o secretário-geral, Santos Gotine: “Preferimos que a ajuda seja, em primeiro plano, em apoio financeiro, porque nós temos o nosso mercado, que está a precisar de recuperação”. E explicou a preferência por “adquirir produtos a nível nacional” ou na África do Sul, onde há tudo e perto.

“Quando recebemos contentores, a logística torna-se muito complicada”, observou. Além das dificuldades criadas pela burocracia na Alfândega, existem despesas ligadas ao transporte dos produtos, que podem levar “muito tempo a chegar ao país”.

Após a resposta de emergência, a prioridade será dada à saúde, recuperação de habitações, escolas e centros de saúde. “Moçambique necessita não só de uma resposta imediata, para alimentar as pessoas, mas de muito apoio continuado”, para que as pessoas regressem à sua vida normal, destacou o bispo do Santarém, D. Traquina, Presidente da Comissão Episcopal da Pastoral Social e Mobilidade Humana.

4. As instituições internacionais logo se puseram em campo para as vítimas desta tragédia: resgate, alimentação, água, medicamentos, roupa,… É uma tragédia “partir do zero”…

As equipas sul-africanas foram as primeiras a chegar ao terreno para ajudar nas operações de resgate, após a passagem do ciclone.

Refiro-me à África do Sul pela ajuda e mensagem. A ministra das Relações Exteriores, Lindiwe Sisulu, depois de ter sobrevoado as zonas afetadas  e ter estado com as equipas sul-africanas no terreno, entregou ao Presidente moçambicano, 3,6 milhões de euros. Patrice Motsepe, milionário sul-africano, entregou também, um milhão de dólares para apoio às vítimas.

“Fizemos o melhor para salvar vidas… Temos uma fronteira entre nós, mas somos o mesmo povo. A África do Sul fará tudo o que for possível” para apoiar Moçambique, disse Sisulu. Motsepe, que fez fortuna no setor mineiro, tornou-se milionário em 2008, sendo o primeiro africano negro a entrar para o lugar 962 da lista dos mais ricos da Forbes, com uma fortuna avaliada em 2,3 mil milhões de dólares.

O Papa Francisco, como sempre e em toda a parte, esteve presente no apoio espiritual e material às vítimas desta catástrofe. E a onda de solidariedade tem estado e estará percorrendo o mundo com a comparticipação dos organismos internacionais e países, mais ricos ou  mais pobres, como a ONU, os Estados Unidos da América, a União Europeia, o Reino Unido, o Banco Mundial, o Canadá, a Noruega, a União Africana, o Dubhai, a Turquia, … e muitos outros.

Há pessoas que dizem, por vezes, aos pedidos para calamidades ou para os pobres: “não dou porque há muitos que se vão aproveitar e enriquecer à custa das ‘catástrofes e dos pobres’. Infelizmente anda ainda na baila o caso de Pedrógão e dos desvios e aproveitamentos por quem nem sequer foi afetado prelos incêndios. 

Precisamos de um mundo de seriedade embora pareça ‘tardar a chegar’. E, não esqueçamos que amanhã,  podemos ser nós a precisar de ajuda com uma vaga de calor e seca …