Universidade Católica promove debate sobre diaconado feminino

D.R.

A Universidade Católica Portuguesa vai acolher, a 10 de abril, o lançamento da obra ‘Mulheres diáconos – Passado, presente, futuro’, dos teólogos Gary Macy, William Ditewig e Phyllis Zagano, na qual se defende a recuperação da “tradição” do diaconado feminino.

A obra surge como um contributo para o debate relativamente a um tema que já mereceu a criação, por parte do Papa Francisco, de uma comissão específica.

A tradução para português tem por base a colaboração entre o CITER (Centro de Investigação em Teologia e Estudos de Religião, da Faculdade de Teologia da Universidade Católica) e a Paulinas Editora, visando “abrir o debate acerca do diaconado feminino” entre o público nacional.

“O livro apresenta três tópicos interligados: as mulheres diáconos tal como elas são conhecidas através de documentos históricos; o diaconado, tal como se tornou uma vocação permanente na Igreja contemporânea; e aquilo que o futuro das mulheres diáconos poderia vir a ser, se a Igreja restabelecesse a sua tradição de ordenar mulheres para o diaconado”, assinala a introdução da obra, enviada à Agência ECCLESIA.

Segundo os autores, este é “um esforço conjunto que pretende ajudar a Igreja a recuperar a sua tradição passada como meio de construir o seu futuro”.

Phyllis Zagano, professora-adjunta de Religião, na Universidade de Hofstra (Nova Iorque, EUA) e uma das autoras da obra, integrou a Comissão de Estudo para o Diaconado Feminino, instituída pelo Papa.

A comissão tinha sido anunciada a 12 de maio de 2016, durante um encontro de Francisco com a União Internacional de Superioras Gerais (UISG) de institutos religiosos femininos.

O diaconado é o primeiro grau do Sacramento da Ordem (diaconado, sacerdócio, episcopado), atualmente reservado aos homens, na Igreja Católica.

O Concílio Vaticano II (1962-1965) restaurou o diaconado permanente, a que podem aceder homens casados (depois de terem completado 35 anos de idade), o que não acontece com o sacerdócio.

O diaconado exercido por candidatos ao sacerdócio só é concedido a homens solteiros.

Com origem grega, a palavra ‘diácono’ pode traduzir-se por servidor, e corresponde a alguém especialmente destinado na Igreja Católica às atividades caritativas, a anunciar a Bíblia e a exercer funções litúrgicas, como assistir o bispo e o padre nas missas, administrar o Batismo, presidir a casamentos e exéquias, entre outras funções.

Na Carta aos Romanos (século I), o Apóstolo Paulo faz referência a Febe, “diaconisa na igreja de Cêncreas”, e há outras notícias de mulheres solteiras ou viúvas que, na Igreja dos primeiros séculos, desempenhavam certas funções dos diáconos que não seriam adequadas para homens no contacto com outras mulheres – nomeadamente em cuidados a doentes e ritos batismais (imersão e unções).

Esta instituição foi desaparecendo com o fim do Batismo por imersão e a generalização do Batismo das crianças.

O Papa escreveu na sua primeira exortação apostólica, ‘A Alegria do Evangelho’, que a Igreja Católica tem de “ampliar os espaços” para uma presença feminina “mais incisiva”.

Francisco quer ver essa presença alargada aos “vários lugares onde se tomam as decisões importantes, tanto na Igreja como nas estruturas sociais”.

O Papa convocou responsáveis eclesiais e os teólogos, para que ajudassem a “reconhecer melhor” o “possível lugar das mulheres onde se tomam decisões importantes, nos diferentes âmbitos da Igreja”.

A exortação apostólica deixa claro, no entanto, que o “sacerdócio reservado aos homens, como sinal de Cristo Esposo que Se entrega na Eucaristia”, é uma questão que “não se põe em discussão”.

OC

A conferência ‘O diaconado feminino – Uma questão em aberto’ decorre pelas 18h00 de 10 de abril, na sede da UCP, em Lisboa, com a participação de Phyllis Zagano, co-autora do volume, e do jesuíta Bernard Pottier, membros da Comissão Pontifícia para o Diaconado Feminino, e é moderada pelo jornalista António Marujo e a biblista Luísa Almendra.