Bispo do Funchal desafia carismáticos  a “despojarem-se do que ainda os afasta de Deus”

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal presidiu ao fim da manhã deste domingo, dia 24 de março, a uma Eucaristia no âmbito da XI Assembleia do Renovamento Carismático Católico (RCC), que mobilizou a participação de 19 grupos carismáticos de oração, e encheu por completo a sala de congressos do Casino da Madeira.

Na homilia, D. Nuno Brás partiu das leituras proclamadas, mais precisamente da primeira leitura, que narrava a história do encontro de Moisés com Deus e a história da sua salvação, para convidar os participantes nesta assembleia a refletirem sobre a necessidade de se “despojarem tudo o que os afasta de Deus”, para poderem verdadeiramente encontrar-se com ele.

A leitura falava do anjo do Senhor que convidou Moisés a descalçar os sapatos, isto é, “a despojar-se de tudo aquilo que ainda o afastava de Jesus. E nós? São tantas as coisas que colocamos entre nós e Deus. Temos sempre dificuldade em pedir ajuda aos outros e a Deus, porque achamos que nos salvamos a nós próprios.” Tirar as sandálias dos nossos pés, explicou, “é tirar tudo aquilo que no teu coração ainda impede que Deus seja Deus na tua vida”.

A participar pela primeira vez numa Assembleia do RCC, organizada pela Equipa Diocesana do Funchal, D. Nuno Brás pediu que se louvasse verdadeiramente o Senhor, tendo frisado que, ao contrário do que muitas vezes pensamos, “o Senhor não anda distraído”. Ele escuta, Ele vê, Ele não está longe. Perceber isto, perceber que Ele caminha ao nosso lado, disse o prelado, “muda tudo”.

“Deus está connosco e como é bom viver com Deus. Esta é a maravilha que muitos ainda não encontraram e não foram capazes de perceber”, frisou o prelado, exortando a assembleia a “aceitar que o Senhor esteja ao nosso lado” e a pedir para que “o Senhor nunca nos abandone, que nos dê a graça de Lhe abrirmos o coração e as portas da nossa casa para O deixar entrar na nossa vida, para que Ele a purifique e nos ajude a mostrar a tantos outros que só Ele é o salvador”.

Sala cheia é “obra do Espírito Santo”

A Assembleia do RCC, que se iniciou manhã cedo, continuou durante a tarde com os ensinamentos do orador convidado, Padre Antonnelo Caddedu, e com a animação dos Irmãos Aliança da Misericórdia.

De resto, de acordo com o Pe. Óscar Andrade, assistente diocesano do Renovamento, a organização procura sempre trazer a estas assembleias oradores conhecidos, o que ajuda a encher a sala, embora acredite que esta realidade resulte sobretudo da “força do Espírito Santo”.

Neste momento existem 19 grupos de Oração Carismática, localizados sobretudo no sul da ilha, com exceção dos grupos de São Jorge e de Santana que já ficam mais para norte. São grupos cujos elementos são chamados a participar no dia a dia das paróquias a que estão ligados e que “não pretendem ser capelinhas na paróquia”.

Para existir um grupo é preciso que “haja pessoas, de todas as idades, com vontade de viver no espírito do Renovamento e que haja um líder eleito”. Por vezes, reconhece o Pe. Óscar, “há alguns exageros”, e são eles que ditam o fim dos grupos. Em contrapartida, há grupos a “querer aparecer, como o da Nazaré, Câmara de Lobos, etc”.

Esclarecer e aprofundar a fé são propósitos deste movimento, que “ajuda ainda aqueles que andam em mundos muito obscuros”, porque “o demónio sabe escolher, sabe se vestir e se mostrar e é por isso que Jesus nos chama a estarmos atentos” e a ter cuidado com quem “pedimos ajuda”. Quem pede ajuda a Deus, sabe que em troca Ele “só pede a nossa abertura”. Já quando pedimos ajuda ao inimigo de Deus, “vamos ter de lhe dar muito mais”.

Refira-se a terminar que a organização desta Assembleia do Renovamento, envolve uma logística muito grande e a colaboração de perto de 50 voluntários, desde enfermeiros ao serviço do altar, secretariado, etc.