D. Nuno Brás desafiou a comunidade a abrir “caminhos novos” para a Pastoral da Saúde na diocese

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal desafiou a comunidade a “apontar à Igreja diocesana caminhos novos e caminhos sérios” e a dar “pistas para uma efetiva Pastoral da Saúde”. Foi na abertura do seminário sobre ‘A Responsabilidade da Comunidade nos Cuidados Espirituais ao Doente’, organizado pelas Irmãs Hospitaleiras – Casa de Saúde Câmara Pestana, em parceria com o Secretariado Diocesano da Pastoral da Saúde, que teve lugar este sábado, dia 23 de Março, no auditório São Bento Menni.

D. Nuno Brás começou por sublinhar que, ao contrário do que se possa pensar, “a Pastoral da Saúde não é uma pastoral menor”. Antes pelo contrário. Como um dia lhe disse o Pe. Vitor Feytor Pinto, podem ser poucos os que vão à Igreja, mas “pelo hospital toda a gente passa”. E é verdade, reconheceu o prelado, acrescentando que o fazemos “seja como doente, como profissional de saúde ou como amigo de um doente”. Por isso mesmo, “a Pastoral da saúde é qualquer coisa de central, tanto mais que ali, naquele lugar, nós nos debatemos, nos confrontamos, com a própria limitação da vida humana”, com “a nossa realidade de criaturas  e não de criadores” e com a realidade de que “a nossa vida é finita”.

A sociedade global em que vivemos, disse ainda D. Nuno, “coloca problemas a este nível” porque, se por um lado nos dá a ideia de que somos “capazes de criar não apenas o nosso mundo, mas vários mundos virtuais”, por outro, “nesta aldeia global deixamos de cuidar uns dos outros”. Cresce então “o drama da solidão, que se reflete depois no drama da solidão dos hospitais, das casas de saúde, no drama da solidão em tantos lares dos centros sociais e paroquiais”.

Neste contexto, o bispo do Funchal defendeu que “a dimensão comunitária da saúde é essencial” e que temos de voltar a uma aldeia em que “todos cuidam de todos”, em que os voluntários têm um papel fundamental, ajudando a formar pequenas comunidades humanas e cristãs, “em que cada ser humano seja tratado como ser humano e em que cada cristão possa oferecer a todos a boa nova do Evangelho de Jesus Cristo”.

Antes de D. Nuno usou da palavra a Irmã Fernanda Esteves, superiora da Casa de Saúde Câmara Pestana. Fê-lo para agradecer a presença de todos, em particular a de D. Nuno, e para sublinhar a importância de, numa sociedade cada vez mais global, “partilhar experiências e dons, carismas e missão”. Falou ainda da necessidade de todos assumirmos a tarefa e a responsabilidade pelo outro que, como diz o Papa Francisco, “é um dom”. A comunidade hospitaleira, disse, “escuta o clamor dos homens e mulheres que vivem nas fronteiras existenciais e compromete-se com a sua libertação”. Por isso, frisou, “propomos e afirmamos o dever de responsabilidade da comunidade nos cuidados espirituais ao doente”.

Já o Pe. Avelino, coordenador do Secretariado Diocesano da Pastoral da Saúde e capelão do Hospital Dr. Nélio Mendonça, traçou a história da pastoral da saúde na ilha até chegar à criação do actual secretariado, o que aconteceu em 2007 por iniciativa de D. António Carrilho. O papel deste secretariado, em parceria com as Irmãs Hospitaleiras do Sagrado Coração de Jesus, “tem sido determinante para que os leigos participem cada vez mais neste objetivo comum da assistência espiritual, religiosa também, aos doentes através ainda do voluntariado que existe nas várias instituições e nos vários hospitais e que tem tido um papel importante na minorização do sofrimento humano junto dos doentes”.

Por fim, em representação do Secretário da Saúde, falou Herberto Jesus, presidente do Conselho Diretivo do IASAÚDE, que sublinhou a importância de envolver de facto comunidade nestas áreas. E essa importância é cada vez mais evidente quando, “numa sociedade digitalizada, estamos a perder valores, nomeadamente a humildade, a compaixão e o amor ao próximo”. Perante esta realidade, é preciso partilhar a semente do voluntariado, “do dar sem esperar receber”, da aposta efetiva na parte espiritual, que “ajuda a debelar certas situações”.

De referir que este seminário prolongou-se ao longo de todo o dia, contando com vários oradores e também com o testemunho de vários voluntários.