Cáritas: a Igreja católica ao encontro dos mais frágeis

Cartaz da Semana Nacional da Cáritas

Em defesa da dignidade da pessoa

O general Ramalho Eanes, ex-presidente da República Portuguesa, enalteceu a importância da ação da Cáritas na sociedade, uma instituição que “inspirada nos grandes ideais do Humanismo Cristão” não dá tréguas na “defesa da dignidade” de cada pessoa.

Para o militar e antigo político, a Cáritas é uma instituição que se tem destacado, “a nível nacional e mundial, na defesa dos direitos do Homem – de todos os seus direitos, nomeadamente os individuais, sociais, económicos e culturais”, afirmou no âmbito da Semana Nacional Cáritas, que está a decorrer. 

Felicitou Eugénio Fonseca, “pelo trabalho de excelência que a Cáritas tem desenvolvido”.

“Perante novos e maiores desafios tem sempre a Cáritas sabido estar à altura da sua missão, reforçando a sua posição junto da população portuguesa”, frisou Ramalho Eanes, 

“Nesta época em que se assinala a Semana Nacional Cáritas, importa que recordemos que se respondermos com real responsabilidade social ao futuro coletivo – de desenvolvimento, justiça, paz, liberdade e solidariedade –, negado não nos será o futuro que desejamos”, realçou  o antigo chefe de Estado português.

A Semana Nacional da Cáritas Portuguesa sob o tema ‘Uma só família humana, cuidar da casa comum’ e está particularmente centrada na defesa dos mais pobres e na proteção do ambiente.

Moçambique – ciclone IDAI

“A Beira foi arrancada pela raiz”, são palavras de Mia Couto. Com efeito, a passagem do ciclone Idai em Moçambique, Maláui e Zimbabué provocou a destruição de casas e aldeias completamente arrasadas, a morte de centenas ou milhares de pessoas, de uma multidão de feridos e milhares de desalojados. Os números desta imensa catástrofe são números provisórios e poderão ser muito mais dramáticos. 

Mais de 1,5 milhões de pessoas foram afetadas nos três países. O Presidente moçambicano, Filipe Nyusi, disse que o ciclone pode ter provocado mais de mil mortos em Moçambique. 

A cidade da Beira foi uma das mais afetadas pelas fortes chuvas e ventos até 170 quilómetros por hora, deixando os cerca de 500 mil residentes sem energia e linhas de comunicação.

As instituições internacionais logo se puseram em campo para auxiliar estes nossos irmãos que enfrentam uma tragédia nunca vista – a quem falta tudo para viver: alimentação, casa, medicamentos, roupa,… É uma tragédia “partir do zero”… A Cáritas Portuguesa está presente, como a ONU, a União Europeia, os Médicos da AMI,…e socorros de muitos países. A Cáritas é uma das maiores instituições mundiais que honra a Igreja católica. E está presente em quase todos os países, nas Cáritas diocesanas, numa onda de solidariedade.

Açores – projeto «+Partilha» 

Lançado em 2018, o Projeto ‘+Partilha’ ajudou “um total de 183 crianças e jovens”, num universo de 257 famílias do Faial, onde se verifica “um risco elevado” de pobreza infantil e juvenil.

Este ano, de 22-24 março, “mais de 100 voluntários” de vários movimentos da Igreja católica participam na campanha de recolha de alimentos para crianças e jovens da ilha do Faial.

“Este é um dos projetos mais importantes a nível socio-caritativo que a Igreja do Faial promove e há́ otimismo em relação à resposta que os faialenses nos darão”, disse o padre Nelson Pereira, responsável pelo Projeto e coordenador da Pastoral Juvenil da Ilha do Faial. Com a  “ajuda de todos” espera poder ao longo deste ano, “ajudar ainda mais jovens e crianças” do que no ano passado.

Os bens serão entregues a instituições de solidariedade social responsáveis por crianças e jovens com dificuldades. A iniciativa de intervenção social conta com voluntários, para além da pastoral juvenil, da Cáritas, que está a viver e celebrar a sua Semana Nacional 2019, do CNE – Corpo Nacional de Escutas e da pastoral escolar.

Algarve: a «dimensão da caridade» nas comunidades

O bispo do Algarve, D. Manuel Quintas, falando nas Jornadas diocesanas de Ação Sociocaritativa, disse: “Uma comunidade paroquial pode ter uma liturgia excelente, pode ter catequistas exímios, mas se faltar a dimensão da caridade é uma comunidade incompleta”.

O bispo diocesano explicou que a caridade “é o critério que define a ação evangelizadora da Igreja” 

E advertiu: “A pobreza não foi criada por Deus. Foi e é criada por mim e por ti quando não partilhamos o que temos e o que somos, por isso exige-se esse dever de todos, particularmente daqueles que se consideram discípulos de Cristo para minorar os sofrimentos daqueles que se encontram nesta grande classificação de pobres.

Na 18.ª edição das Jornadas, sob o tema o ‘Pobre, caminho de Missão’, o bispo do Algarve frisou que a dimensão da caridade e a dimensão do serviço são um dever de todos, pois fazem parte da “essência do ser cristão e do ser Igreja”.

O presidente da Cáritas Diocesana do Algarve, Carlos Oliveira, destacou: “Somos Igreja e todos temos a mesma missão que é ajudar aqueles que são os mais frágeis da sociedade”.