Austrália: Cardeal George Pell condenado a seis anos de prisão

Vaticano iniciou investigação canónica, após suspensão determinada pelo Papa

O cardeal Pell deixa o tribunal de Melbourne | D.R.

O cardeal Pell mantém a sua afirmação de inocência, face às acusações, e os seus advogados anunciaram a intenção de apresentar recurso, que será ouvido não por um júri, mas por um colégio de três juízes.

A Santa Sé anunciou a abertura da sua própria investigação canônica, pela Congregação para a Doutrina da Fé.

O cardeal regressou à prisão de segurança máxima em Melbourne, onde é mantido em regime de isolamento, conforme estabelecido para os culpados de abusos.

Aquando do anúncio da condenação, em fevereiro, a sala de imprensa da Santa Sé reagiu em comunicado, informando que “para garantir o curso da justiça”, o Papa confirmara as medidas cautelares já ordenadas contra o cardeal Pell pelo arcebispo de Melbourne, aquando do seu regresso à Austrália.

“Aguardando a verificação definitiva dos factos, é proibido ao cardeal, como medida cautelar, o exercício público do ministério e, como determinam as normas, contactos de qualquer maneira e forma com menores de idade”, acrescentou o porta-voz do vaticano, Alessandro Gisotti.

O mesmo responsável confirmou, mais tarde, que o cardeal George Pell deixou de ser o prefeito da Secretaria da Economia da Santa Sé, cargo que ocupava desde 2014.

Em 2017, o Papa concedeu ao cardeal australiano um período de licença das suas funções, como prefeito da Secretaria para a Economia, para que pudesse defender-se das acusações.

O Vaticano associou-se à posição assumida pelo presidente da Conferência Episcopal Australiana, perante “uma notícia dolorosa” que “chocou muitas pessoas”, acrescentando que, à espera da “sentença definitiva”, reza por todas as vítimas dos abusos

O arcebispo de Brisbane e presidente da Conferência Episcopal Australiana, D. Mark Coleridge, reagiu em comunicado ao anúncio da decisão, que “chocou muitos, na Austrália e no mundo, incluindo os bispos católicos australianos”.

Os prelados afirmam que todos devem ser iguais perante a lei, expressam “respeito” pelo sistema jurídico australiano e mostram a sua convicção de que “o mesmo sistema jurídico que pronunciou o veredicto, levará em consideração o recurso feito pelos advogados de defesa do cardeal.

“A nossa esperança, em todos os momentos, é de que através deste processo, seja feita justiça. Ao mesmo tempo, os bispos rezam por todos aqueles que foram abusados e pelos seus entes queridos, comprometendo-se a fazer todos os possíveis para garantir que a Igreja seja um lugar seguro para todos, especialmente para os jovens e para os mais vulneráveis”, conclui o texto.

O Vaticano recebeu, de 21 a 24 de fevereiro, uma inédita cimeira de presidentes de episcopados e responsáveis de institutos religiosos, convocada pelo Papa, para debater medidas de proteção de menores e combate aos abusos sexuais na Igreja Católica.

OC