Bispo do Funchal desafiou Vicentinos a serem os olhos, os ouvidos e as mãos de Deus ao serviço dos outros

Foto: Duarte Gomes

O bispo do Funchal desafiou este domingo os Vicentinos a se “entregarem verdadeiramente ao Senhor”, emprestando-lhe o seus olhos, os seus ouvidos e as suas mãos, para que Deus possa ver as situações e agir. Foi na Eucaristia que encerrou o Dia Vicentino que reuniu, na Escola da APEL, perto de 200 membros deste movimento católico.

Referindo-se à palavra proclamada, nomeadamente à primeira leitura onde se dizia que Deus viu a miséria e o sofrimento do povo de Israel e o libertou, D. Nuno Brás trouxe esta passagem para os nossos dias interpretando-a como sendo “o convite que qualquer Vicentino não pode deixar de ouvir e ver”. É que, disse, as situações existem, “não somos nós que as criamos”. Na verdade “tomara que não fossem necessários os Vicentinos” porque “isso significava que não havia ninguém que precisasse que o escutasse-mos, ninguém que precisasse que nós víssemos a sua miséria”.

A Quaresma, frisou, “é um convite a todos os cristãos, e de uma forma particular aos Vicentinos, a ouvir com os ouvidos de Deus e a ver com os olhos de Deus”, para que Ele possa “ajudar os nossos irmãos”. Só é preciso que nos “disponhamos a isso”.

Quanto ao Evangelho, mostra-nos que Jesus foi tentado, mas resistiu. Mas as suas respostas, “são uma interpelação para todos e cada um de nós”. A propósito o prelado falou de uma visita que fez uma vez, em Lisboa, a uma fábrica onde encontrou um rapaz que não era batizado e que lhe disse que não o era porque “não sentia necessidade”. Infelizmente, disse, “há tanta gente que não percebe que precisa de Deus”.

Uma realidade que, disse, se vive mesmo entre aqueles que são batizados e que acontece, porque as pessoas vivem “como se Deus não existisse, ou não fosse importante”, quando se sabe que “nem só de pão vive o homem e que Deus é tão importante como o alimento”. Pelo contrário, quem vive com Ele sabe o quanto isso faz a diferença. “Às vezes é difícil, é incómodo, mas é tão bom”, porque “só contando com Deus é que conseguimos ser verdadeiramente humanos, verdadeiramente felizes”. É por isso que D. Nuno Brás pediu a cada Vicentino que “coloque Deus em cada cabaz em, cada ação que desenvolve, cada visita que faz.” E pediu-lhes também que “nunca descansem, porque o amor de Deus nunca descansa, está sempre em ação e nós somos esta presença do amor de Deus”. Além disso agradeceu-lhes, “em nome dos que vocês cuidam e da Diocese”, pelo sinal que dão de que “o amor de Deus não é uma palavra bonita, mas uma coisa muito concreta”.

Por fim, a propósito da frase de São Paulo que diz que “todo aquele que acreditar no Senhor não será confundido”, o prelado disse que “todo aquele que acredita no Senhor, até o sofrimento vive de forma diferente”. Por isso temos que “nos entregar verdadeiramente ao Senhor, contar com Ele”, porque “Ele não nos esquece”, nem tão pouco nos confunde.

Nesta Eucaristia houve ainda tempo para a família Vicentina, que na Madeira é composta por 36 conferências, receber o compromisso de cinco membros, sendo que quatro são da paróquia do Monte e um da paróquia da Graça. E tempo também para Diamantino Santos, do Conselho Central do Funchal, agradecer a todos os que colaboraram para que este Dia Vicentino tivesse corrido da melhor forma. Recorde-se que este ano o tema de reflexão foi apresentado pelo Pe. Carlos Almada.

O coro infanto juvenil da paróquia da Graça solenizou a cerimónia litúrgica, sendo o ofertório organizado pela Conferência Vicentina das Preces, Machico.

A Sociedade de São Vicente de Paulo (SSVP) é uma organização e um movimento católico internacional de leigos, fundada em Paris, França, no ano de 1833, por António Frederico Ozanam e alguns companheiros. Colocada sob o patrocínio de São Vicente de Paulo, inspira-se no pensamento e na obra deste Santo, esforçando-se, sob o influxo da justiça e da caridade, para aliviar os sofrimentos do próximo, mediante o trabalho coordenado de seus membros. Fiel aos seus fundadores, tem a preocupação de se renovar constantemente e adaptar-se às condições mutáveis do mundo. De carácter católico, está aberta a quantos desejam viver sua fé no amor e no serviço aos seus irmãos.

A acção da SSVP compreende qualquer forma de ajuda, por contacto pessoal, no sentido de aliviar o sofrimento e promover a dignidade e a integridade do homem. Não procurando somente atenuar a miséria, mas também descobrir e remediar as situações que a geram. Leva a sua ajuda a quantos dela precisam, independentemente de raça, cor, nacionalidade, credo político ou religioso e posição social.

(atualizado às 17:10)