Quaresma 2019: conversão em estilos de vida mais solidários e ecológicos

D.R.

1.A Quaresma, que começa hoje com a celebração das Cinzas, e termina com a Missa da Ceia em quinta-feira santa, é um período marcado por apelos ao jejum, partilha e penitência, como preparação para a Páscoa, a principal festa do calendário cristão, que atualiza o acontecimento culminante da história da Salvação.

Na dimensão penitencial, a Quaresma é, para os batizados, tempo de conversão, de luta contra o mal e de renovação interior no pensar, no amar e no agir.

Na dimensão batismal leva os batizados, a acompanharem os catecúmenos, nas etapas do caminho da fé, para renovarem a aliança com Deus, juntamente com eles, no dia do seu Batismo, na Vigília pascal.

Nesta quarentena, temos um guia. É o próprio Cristo, «o Senhor que age na observância quaresmal da Igreja» – diz J. Gaillard -, para levar os homens à paz, à liberdade, à vida divina e à perfeita comunhão com Deus.

2.Na sua mensagem para a Quaresma 2019, intitulada “A criação encontra-se em expetativa ansiosa, aguardando a revelação dos filhos de Deus”, o Papa Francisco, citando São Paulo na sua carta aos Romanos (Rm 8, 19), faz um apelo à conversão. Conversão esta que abrange a relação da humanidade com a natureza, conduzindo a estilos de vida mais solidários e ecológicos

“… a ‘quaresma’ do Filho de Deus consistiu em entrar no deserto da criação para fazê-la voltar a ser jardim da comunhão com Deus.” “Que a nossa Quaresma seja percorrer o mesmo caminho, para levar a esperança de Cristo também à criação, que ‘será libertada da escravidão da corrupção’, para alcançar a liberdade na glória dos filhos de Deus.” Assim escreveu o Papa, partilhando mais uma vez a grande preocupação pela degradação do ‘ambiente’ e da ‘casa comum’ de todos.

3.Não deixemos que passe em vão este tempo favorável! Para realizarmos um caminho de verdadeira conversão, abandonemos o egoísmo, o olhar fixo em nós mesmos, e voltemo-nos para a Páscoa de Jesus; façamo-nos próximos dos irmãos e irmãs em dificuldade, partilhando com eles os nossos bens espirituais e materiais.

De Páscoa em Páscoa, devemos caminhar para a realização da salvação que já recebemos, graças ao mistério pascal de Cristo: «De facto, foi na esperança que fomos salvos» (Rm 8, 24). Este mistério de salvação, já operante em nós durante a vida terrena, é um processo dinâmico que abrange também a história e toda a criação.

4.Rompendo-se a comunhão com Deus, pelo pecado, entrou em falência também a relação harmoniosa dos seres humanos com o meio ambiente, na ‘Casa comum’ onde todos estamos chamados a viver, a ponto de o jardim do Éden, se transformar num deserto (Gn 3, 17-18).

O pecado leva à exploração da criação (pessoas e meio ambiente), movidos por aquela ganância insaciável que considera todo o desejo um direito e que, mais cedo ou mais tarde, acabará por destruir inclusive quem está dominado pela força desta ganância sem limites.

5. A aparição do pecado no meio dos homens, interrompeu não só a comunhão com Deus, mas com os outros, com a criação, à qual nos encontramos ligados antes de mais nada através do nosso corpo.

O pecado leva o homem a considerar-se como deus da criação, a sentir-se o seu senhor absoluto e a usá-la, não para o fim querido pelo Criador, mas para interesse próprio em detrimento das criaturas e dos outros. Quando se abandona a lei de Deus, a lei do amor, acaba por se afirmar a lei do mais forte sobre o mais fraco.

Ouçamos o apelo do Papa Francisco, que é insistente, para protegermos o nosso planeta, cuidando zelosamente de toda a criação, sendo solidários no desenvolvimento da ecologia e preservando o futuro da humanidade.