Crianças: vítimas de massacres, ‘novas drogas’ e carências

Crianças em risco no Iémen | Foto: Unicef

Um mundo «mais digno e humano para as crianças»

As maiores vítimas da maldade humana

O Papa Francisco, no dia da festa dos Santos Inocentes, pediu um mundo “mais digno e humano” para as crianças. Solicitou empenhamento de todos os seus ouvintes para tornarem o nosso mundo mais saudável para as crianças de hoje e de amanhã.

E rezou para que “o Menino pequenino e com frio, que contemplamos na manjedoura, proteja todas as crianças da terra”.

O arcebispo de Braga, D. Jorge Ortiga, também lembrou: “São as crianças, os indefesos, os inocentes, as primeiras e as maiores vítimas da maldade humana”.

Três dias depois do Natal, a Igreja Católica honra, desde os primeiros séculos – como proto-mártires -, as crianças que foram mortas em Belém por ordem do rei Herodes.

Iémen: o massacre das crianças

Uma guerra esquecida flagela o país

No Iémen, morre uma criança em cada 10 minutos. Cerca de 1,8 milhões de crianças sofrem de desnutrição aguda. Destas, 400 mil correm o risco de morrer, e morrem 30 mil/ano com menos de 5 anos. Esta é a realidade do dia-a-dia causada por uma guerra esquecida, que há 3 anos flagela o país. 

Acontece um verdadeiro massacre dos inocentes num país, que é o mais pobre da Península Arábica, e onde se vive “a pior crise humanitária do mundo”, denunciada pelo Secretário Geral da ONU, António Guterres.

 As organizações humanitárias não conseguem dar ajuda suficiente, as estruturas estão destruídas, os civis são atingidos pelos ataques da Arábia Saudita que apoia o Governo sob pretexto de derrotar os rebeldes huthis. Na realidade atacam escolas, hospitais, com bombas provenientes de governos ocidentais, que vendem as armas, e são os mesmos que se indignam com as fotos das crianças que morrem todos os dias.

Algumas horas antes de viajar para os EAU, o Papa Francisco convidou os presentes na Praça de São Pedro a rezar pela população do Iémen: “São crianças que têm fome, que têm sede, não têm medicamentos, estão em perigo de vida”.

Cerca de 20 milhões de pessoas enfrentam a fome e vivem uma situação “catastrófica”. Há crimes de guerra, e os ataques têm como objetivo levar o país à miséria. Todos os sofrimentos das crianças são causados pelo homem e não por uma só causa natural.

Videojogos: As novas drogas 

Crianças hipnotizadas

Para os pais de hoje, gerir os videojogos com as crianças é um processo cada vez mais difícil. A oferta nesta área é extremamente atrativa e os jovens não lhe conseguem resistir. Os pais mais conscientes preocupam-se com esta maçã envenenada, mas há outros que não veem qualquer tipo de problema no facto de uma criança passar o dia inteiro em frente a uma consola ou a um telemóvel.

As crianças de bairros sociais podem ir para a escola sem comer, mas em casa não faltam playstatios ou afins.

Os ‘distúrbios com videojogos’ são um problema de saúde mental, que pode ter implicações a vários níveis, como a alimentação, o sono, o humor ou o isolamento. A partir dos dois anos já é comum vermos crianças que parecem hipnotizadas, alheando-se totalmente do que de passa à sua volta. E ficam agressivas se o aparelho lhes é retirado ou acaba a bateria. Preferem ficar sozinhas a fazer outras coisas como estar com os amigos.

Este problema grave e tem de ser gerido com muito bom senso. Seria importante entregarem-se a atividades mais enriquecedoras e que contribuam para um desenvolvimento mais feliz e equilibrado, em troca de alguns minutos ou mesmo horas a deslizar os dedos naqueles poucos centímetros de ecrã.

Três em cada quatro crianças sofrem privações

Situação preocupante 

Em Angola, cerca de 3 em cada 4 crianças com menos de 18 anos sofrem várias carências ao mesmo tempo, com situação mais preocupante nas áreas rurais e nas faixas etárias dos 0 aos 5 anos e dos 12 aos 17, onde a taxa de privação é superior aos 80%. As conclusões são de um relatório, com o título, “A criança em Angola – uma análise multidimensional da pobreza infantil” elaborado pelo Instituto Nacional de Estatística de Angola, com financiamento da União Europeia e apoio técnico da Unicef.

Os resultados mostram que “a atenção a dar às crianças e adolescentes continua a ser prioritária.” É “necessário incrementar o esforço de todos, tanto do Governo como dos agentes da sociedade civil, do sector privado e das famílias”.

Em Angola, as sete áreas de privação avaliadas foram: nutrição, saúde, proteção, prevenção da malária, educação, exposição aos meios de comunicação social, habitação, água e saneamento.