Cáritas do Funchal apoia 91 famílias vindas da Venezuela mas não afasta possibilidade desse número aumentar 

D. António Carrilho com membros da Caritas Diocesana, 27.09.2018 | Foto: Luísa Gonçalves

Entre 2017 e dezembro de 2018 a Cáritas do Funchal apoiou 91 famílias, num total de 307 pessoas vindas da Venezuela. Este número poderá, no entanto, vir a aumentar, dada  a agitação social e política que se continua a viver naquele países que está a motivar um novo êxodo de portugueses e luso descendentes para a Madeira.

De acordo com recentes declarações de Duarte Pacheco, presidente da Cáritas, nota-se “um evoluir do número de pessoas” que procuram a instituição, sendo que “a postura da Igreja tem sido a de acolher essencialmente quem mais necessita”.

Numa espécie de síntese do trabalho que a instituição tem desenvolvido a este nível, que Duarte Pacheco fez chegar ao nosso Jornal, são dados a conhecer não só os números de pessoas apoiadas, mas também a forma como estas chegam à instituição, o que acontece “por encaminhamento de outros serviços ou por contacto direto”.

Quanto às principais problemáticas com que se apresentam, as mesmas vão desde a falta dos chamados “bens de primeira necessidade (géneros alimentares, roupas e medicação), ao de desemprego e à insuficiência financeira, passando por questões legais relativas à documentação. Há ainda a referir questões ligadas à habitação e aos custos elevados com arrendamento, coabitação e consequente sobrelotação e com o conhecimento da língua portuguesa, que origina constrangimentos, nomeadamente no que concerne à integração no mercado de trabalho e estabelecimento de relações interpessoais.”

Por fim, mas não menos importante, surge a “componente psicológica/emocional, com algumas pessoas a passar por um processo de‘luto por uma vida deixada para trás’; separação de familiares e outras pessoas próximas que permanecem na Venezuela; Necessidade de recomeçar “do zero” um novo projeto de vida.”

Uma vez feito o atendimento social e identificados todos os problemas, dificuldades e preocupações de cada família/pessoa a Cáritas tem centrado a sua intervenção em duas fases distintas. A primeira visando colmatar “necessidades imediatas ao nível alimentação, roupas e medicação”. Depois, numa segunda fase, o trabalho passa por “informar, orientar, encaminhar as pessoas”. Este trabalho é “feito em rede, numa acção concertada de vários atores sociais, desde organismos oficiais, terceiro sector, grupos sócio caritativos e Secretariado Diocesano das Migrações e Turismo. O grande objetivo é a Integração sócio profissional e a consequente autonomização das famílias/pessoas.”

Enquanto por cá se vai procurando apoiar quem chega, em relação aos portugueses que ainda estão na Venezuela, é sabido que “passam muitas dificuldades”. Duarte Pacheco recorda o depoimento da Irmã Maria José Gonçalves, presidente da Cáritas da Venezuela, em que “o apelo que ela fazia era em relação ao apoio em medicação, porque existe muita falta, nomeadamente para crianças e idosos”.

Para o dirigente da Cáritas do Funchal, “se a situação política não se alterar, possivelmente essa situação [de retorno de portugueses e luso descendentes] vai agravar-se”.

Os números que existem neste momento apontam para 5 mil emigrantes que terão regressado à Madeira desde 2016.