Condenação de Cristo, descarte dos pobres e doentes

D.R.

O Dia Mundial do Doente provoca, interpela e inquieta a cultura atual do descarte dos humanos. Que acolhimento e cuidados humanizados para todas as pessoas indefesas e doentes? Estarão a ser condenadas como Jesus Cristo à crucificação e à morte de escravo? Barrabás, sim; Jesus, o defensor dos pequenos e desprezados, seja descartado!

Os seguidores de Cristo têm a missão de resistirem à indiferença para com as crianças, doentes e todos os indefesos. Os meios de informação são cada vez mais subtis e poderosos sobre o “deitar fora” dos abandonados como coisas! Disfarçam-se de defensores dos direitos dos agressores e até dos supostos direitos dos animais levando os incautos a embotar a sensibilidade e a desviar para os animaizinhos o que falta aos frágeis, doentes e crianças.

Muitos meios de comunicação silenciam a indiferença cruel com táticas subtis e manhosas. Fazer abortos é aceitável, inaceitável e cruel seria mostrar os membros despedaçados dos bebés abortados a serem lavados e medidos para os vender como coisas para fabrico de “coisas” (cf vídeo). Ocultar é tática comum a todas as ditaduras perante tantos holocaustos da história. Manipula, mente para evitar que as pessoas se assustem e reajam.

Recentemente, os grandes meios dos donos deste mundo não falaram muito da aprovação no parlamento do estado de Nova Iorque (22.01.2019) a autorizar o aborto, por qualquer razão, durante todo o período da gravidez e a deixar morrer os bebés abortados ainda vivos, ou seja, a dar licença para matar mesmo no dia do nascimento. E esta aprovação ainda teve palmas! E mais: o governador do estado que usa o nome de católico ainda mandou celebrar essa “vitória” da morte de muitos bebés com a iluminação do memorial das Torres Gêmeas onde morreram milhares de pessoas em 2001. Este governador quis animar os outros estados americanos a fazer o mesmo. Em contraponto, a notícia da marcha de um milhão de pessoas pela vida contra o aborto no dia 18.01.2019, nas ruas de Washington, foi escondida. É perigoso dar essa notícia!

No Estado de Nova Iorque, para cada 1.000 (mil) nascimentos há 575 abortos! E ainda: nos Estados Unidos da América houve 653 mil abortos (provocados) em 2014. E mais: sabia que as mortes anuais no mundo, por aborto, superam as mortes por todas as outras causas juntas: cancro, malária, sida, tabaco, álcool e acidentes rodoviários? E que por cada 33 nascimentos há 10 abortos, ou seja acima de 41 milhões de abortos provocados em 2018? (cf. Worldometers). Importa calar estas palavras e Quem as disse: “deixai vir a mim as criancinhas”. O anti-Evangelho é muito seguido. E também se milita muito a favor dos direitos (humanos?) dos animaizinhos de estimação. E aqueles que ousarem dizer que primeiro estão as crianças, os serviços de pediatrias, creches, lares de idosos, doentes e pobres, arriscam-se a ficar sem direitos humanos e a ficar sujeitos a multas e prisão? Triste ironia! Os dogmas relativos aos animais serão “fé” mais obrigatória que a da dignidade das pessoas?

Cito o Papa Francisco na sua mensagem para hoje (11 fev.): a «Madre Teresa, (…) foi uma dispensadora generosa da misericórdia divina, (…) através do acolhimento e da defesa da vida humana, dos nascituros e daqueles abandonados e descartados. (…) Inclinou-se sobre as pessoas indefesas, deixadas moribundas à beira da estrada, reconhecendo a dignidade que Deus lhes dera; fez ouvir a sua voz aos poderosos da terra, para que reconhecessem a sua culpa diante dos crimes (…) da pobreza criada por eles mesmos» (Homilia, 4/IX/2016). E termino com duas questões inquietantes: como será o julgamento de Jesus Cristo, Juiz dos hospitaleiros e dos que deitam fora os pobres, doentes e bebés desde o primeiro instante de vida à morte natural? Será que perante tanta desumanidades, em vez de dizer: vinde benditos do meu Pai, porque tive fome, sede, frio, solidão no hospital e na prisão e me socorrestes, dirá antes: vinde, cãezinhos que lambestes a chagas de Lázaro, vinde ricos avarentos glutões que alimentastes os cães e deixaste morrer os pobres Lázaros e as criancinhas, minhas imagens e presenças?