EAU: Sede um oásis de paz pediu Francisco à comunidade católica

Foto: Vatican Media

Missa para uma multidão multiétnica

Presentes católicos e muçulmanos

O estádio Zayed, em Abu Dhabi, que é o maior do país, com lotação para 45 mil pessoas, tornou-se pequeno para receber tantos fiéis: caldeus, coptas, greco-católicos, greco-melquitas, latinos, maronitas, sírio-católicos, siro-malabarenses e siro-malancares.

Foram distribuídos cerca de 135 mil bilhetes para que a cerimónia fosse acompanhada do lado de fora, por ecrãs gigantes. As autoridades locais informaram que no total estavam presentes à celebração, cerca de 180 mil pessoas.

O Papa Francisco presidiu à Missa celebrada para a comunidade católica, nesta multidão multiétnica, formada por católicos de cem nacionalidades, imigrantes que vivem nos Emirados, especialmente, asiáticos e filipinos.  

Além dos católicos, estiveram presentes quatro mil muçulmanos.

Primeira missa de um Papa na Península Arábica

Sede felizes, sede um oásis de paz

Foi a primeira missa celebrada por um Papa na Península Arábica. 

Na homilia, proferida em italiano, mas traduzida simultaneamente em língua árabe, o Papa Francisco falou das Bem-Aventuranças como sendo “um mapa da nossa vida”. Acentuou «Felizes os pacificadores» (Mt 5, 9), incentivando a promoção da paz, a começar pela comunidade onde vivemos. Sede um oásis de paz.

“Para vós, peço a graça de preservar a paz, a unidade, de cuidar uns dos outros numa bela fraternidade, onde não haja cristãos de primeira classe e de segunda. Jesus, que nos chama «felizes», conceda a graça de caminhardes, sempre com coragem, crescendo no amor «uns para com os outros e para com todos» (1 Ts 3, 12).”

A alegria e o agradecimento de Francisco

Um obrigado caloroso

Na saudação ao final da celebração, o Papa Francisco agradeceu a alegria vivida no estádio Zayed e a Dom Paul Hinder, vigário apostólico na Península Arábica, pela preparação da visita e trabalho pastoral.

“ Um “obrigado” caloroso aos Patriarcas, Arcebispos-Maiores e outros Bispos presentes, aos sacerdotes, às pessoas consagradas e aos numerosos leigos empenhados, com generosidade e espírito de serviço, nas comunidades e a favor dos mais pobres. Que a nossa Mãe, Maria Santíssima, vos guarde no amor à Igreja e no jubiloso testemunho do Evangelho.

Despedida oficial dos Emirados

Saudação às delegações do Vaticano e dos EAU

Após a celebração da Santa Missa, Francisco seguiu para o Aeroporto de Abu Dhabi onde foi recebido pelo Príncipe herdeiro na entrada da Sala VIP, onde permaneceu alguns minutos.

Depois de ter saudado as delegações do Vaticano e dos Emirados Árabes Unidos, e passado em revista a Guarda de Honra, o Pontífice embarcou com destino a Roma.

Comentário:

O espaço para a ambiguidade acabou

Segundo o presidente da Comunidade Religiosa Islâmica Italiana, Yahya Pallavicini,  o “Documento sobre a fraternidade humana” é  um compromisso solene que os dois líderes religiosos subscreveram no final da Conferência Global da Fraternidade Humana que reuniu 700 líderes religiosos do mundo inteiro

Um documento “histórico” de “grande inspiração e concreto”. Um texto de referência que define os princípios de liberdade e direitos. Uma declaração de “peso”, pois tira toda possibilidade futura de outras interpretações e ambiguidades.

Ao reiterar a importância do papel das religiões na construção da paz no mundo, o Documento enfrenta os nós nevrálgicos da convivência pacífica e do diálogo entre as religiões.

Francisco e Al-Azhar definem os temas-chave que, durante séculos, provocaram tantos sofrimentos e injustiças. E condenam o fato de constringir “as pessoas a aderir a uma certa religião ou a um estilo de civilização que os outros não aceitam”. Um ponto delicado, que vai mudar no futuro.

E disse ainda: “De agora em diante não existe mais nenhuma possibilidade de negociar ou oprimir a liberdade do outro. Deve ser respeitada.”